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“Tenho 18 anos e nunca senti prazer no sexo oral. É gostoso, mas não é aquela coisa tipo de filme pornô que as mulheres se retorcem”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: 3 comentários
Querido Ogro,

Tenho 18 anos e já tive muitas relações na minha vida. Porém, nunca senti prazer no sexo oral. Bom. Expliquemos: é gostoso, sim, mas não é aquela coisa tipo de filme pornô, sabe, que as mulheres se retorcem todas?! Queria saber se é normal e o que fazer pra melhorar isso.

E também uma ajudinha pra fazer sexo oral no parceiro, porque tenho um pouco de nojo, principalmente quando goza na minha boca. Por favor, mantenha-me no anonimato, sou nova no blog estou meio perdida, rsrs...

Minha cara aspirante à Cicciolina;

Diz que já teve "muitas relações". Mas, aos 18, esse número pode ser relativo. Foram quantos? E quais idades tinham em média? Porque, em muitos casos, a falta de experiência de quem faz o sexo oral em você influencia muito no seu prazer. Tem homem que simplesmente não sabe fazer... e são muitos, acredite!

Há quem faça apenas pra cumprir tabela e receber uma chupada de volta; há quem faça mais ou menos com nojo também (viu como não é só você?); poucos são os que afundam a cara, mesmo, sem medo de melar a barba e o rosto todo, usando até o nariz e o queixo pra dar prazer à dona da referida buceta.

Mas não queira se espelhar nas performances de atrizes pornôs: elas são, justamente, atrizes! São pagas pra isso e fazem com maestria. Ou você acha que toda mulher consegue, por exemplo, transar numa dupla penetração com um sorriso daqueles no rosto? Nem todas, minha cara...

Não precisa engolir porra, não precisa ter que lidar com ela na sua cara como as atrizes fazem. Lembre-se que filmes são visuais e precisam ter todo o apelo de imagem possível para causar excitação em quem vê. Pode ser gostoso você deixa-lo gozar em seus seios ou bunda ou barriga e por aí vai. Se não se sente à vontade com essa porra perto da sua cara, vire-a para outro lado.

O que acontece é: você tem ainda muito tempo pra aprender a como ter prazer, dar prazer e aceitar receber o prazer. Isso inclui perder o nojo do sexo oral no seu parceiro. Afinal: já que tem asco em fazer, talvez também receba uma chupada quase com o mesmo nojo. Não há troca... nem de saliva, nem de fluidos, nem de energia sexual.

Exija higiene, preze pela sua e botem essas bocas pra funcionar!

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“Tenho 15 anos e não sou mais virgem. Penso em sexo o dia inteiro! Me masturbo de cinco a seis vezes por dia, sou praticamente sem controle”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: 7 comentários
Querido Ogro,

Estou muito confusa sobre mim mesma... Bem como posso explicar? Tenho 15 anos e não sou mais virgem faz três meses. Desde então não fiz mais nada com ninguém... mas eu penso em sexo o dia inteiro! Me masturbo de cinco a seis vezes por dia, sou praticamente sem controle. Quando estou na escola, perco a atenção, pois estou pensando em posições, em homens e tal...

Antes de perder minha virgindade já era assim, eu sou assim desde meus 8 anos, pois eu assistia muito essas coisas enquanto estava sozinha, mas não chegava a me masturbar pois não sabia como!

Eu tenho que me masturbar sempre, pois não me sinto bem se não fizer, fico estressada e muito nervosa. Tem dias que eu vou abraçar algum garoto e automaticamente minha mão vai na bunda dele e sem querer começo a beijar o pescoço... tem meninos que quase nem me abraçam por causa disso.

Esses dias eu soltei um gemido na rua, pois eu estava a ponto de explodir! Também já soltei alguns gemidos na sala de aula e pra disfarçar começava a cantarolar feito uma tonta! Tenho vergonha de chegar em outros meninos, pois são muito crianças, e eu gosto de homens mais velhos!

Tem noites que eu não durmo, pois estou muito excitada e tenho que fazer alguma coisa pra que acabe. Sempre estou pensando em sexo, não tem um segundo que não me passe pela cabeça isso.

Eu queria saber se é normal, isso tudo me deixa confusa, perco a atenção naquilo que estou fazendo, pois começo a lembrar de um filme pornô que eu vi, por exemplo. Tenho uma religião e eles não permitem essas coisas, e me sinto pressionada nessa parte, pois gosto disso e fico pensando em Deus, me dá um certo medo.

O que faço?

Minha cara Vesúvio;

O negócio aí está foda, hein? Entrando em ebulição, subindo pelas paredes, chamando urubu de “meu louro”, até? Ah, a explosão dos hormônios na adolescência... a grande causadora pela escassez de água no futuro! Tudo culpa dos banhos de meia hora pra apagar o fogo.

Olha, me lembro quando eu fazia isso nessa mesma época. Era quase meia dúzia por dia também, até violão me dava tesão (quem mandou ter aquelas curvas insinuantes?). Se eu encostasse o braço nos seios de alguma amiga nesses “abraços de amigo”, eu tinha que virar de lado pra não empurrá-la do outro lado da sala com o que se agigantava em meu baixo ventre! Tá, não é esse gigante todo, mas entendeu a analogia...

Duas coisas você precisa ter em mente: primeiro que isso é natural da descarga hormonal que seu corpo está sofrendo. É quase como uma rajada de ar fresco em meio ao calor infernal de um meio-dia de verão. A gente perde até consciência por conta disso, fica à mercê da resposta física e a mente acompanha o corpo. Você pensa muito nisso porque seu corpo está te bombardeando com isso.

E segundo: tome muito cuidado para não agir inconsequentemente por conta disso. Há muito homem criado e vacinado usando dessa vontade juvenil pelo sexo para se autoafirmar e tirar proveito da situação. Vão usar até como desculpa para buscar saciar os desejos, como se estivessem fazendo um favor. E nessa você pode se machucar mais do que imagina, já que não tem ainda condições de lidar com cafajestes que apenas usarão você para sexo, coisa que encontrará ao longo de toda sua vida, mas que ainda é cedo para ter que arcar com isso.

Ainda mais sabendo que há essa predileção das meninas por homens mais velhos, já que os da mesma idade ainda são crianças e não são visualmente atrativos aos apelos do corpo. Isso é culpa da nossa memória genética, onde a mulher se preparava para ser mãe mais cedo, por conta da expectativa de vida ser menor. E como os homens já crescidos eram os que tinham mais condições de proverem a prole caso essa mulher as providenciasse, o desejo ficou intrínseco no gene. É, somos vítimas dos nossos antepassados às vezes. Não somos tão evoluídos quanto pensávamos.

O que precisa fazer? Encontrar alguém com idade compatível e que seja digno de transar contigo sem querer se aparecer e sair contando pra todo mundo. Tenha consciência dos riscos e se protejam! Cuidado para não se exporem à perigos e não falo apenas das doenças ou de gravidez: não vão querer transar na esquina correndo risco de serem pegos ou de ainda encontrarem algum monstro querendo participar à força da “festinha”.

Não é vantajoso também sair com vários para saciar algo que está mais na química do corpo do que na diversidade de parceiros. Não vai querer ser tachada de algo simplesmente porque está respondendo aos estímulos hormonais. Ainda há muita gente – homens e mulheres – que apontam com dedo em riste aqueles que dão vazão aos desejos. E isso influência nas suas convenções sociais e de relacionamentos. Ainda não tem condições estruturais para suportar isso. Quando for mais crescida, saberá como fazer isso sem se importar com o que vão pensar. Mas agora a opinião alheia terá muita influência sobre você, infelizmente.

No mais, se masturbe durante o dia, durante a noite, durante o sono, durante o banho (mas desligue a porra do chuveiro...). Faça sem medo de achar que é tarada ou que está com algum problema. Isso é saudável, te deixará mais apta a conhecer os limites do seu desejo, te deixará com mais capacidade de ter prazer numa relação sem depender muito do desempenho do outro. Aproveite esse desbloqueio e tire proveito para seu autoconhecimento. Muita mulher com mais idade que você ainda não se permite se masturbar por achar que não deve ou que é errado. Não é e não tenha vergonha de gostar disso.

Mas eu só peço, mesmo, que tenha cuidado com quem deixar ter acesso a esse seu lado “louca de tesão”. Para seu bem-estar físico e emocional...

E mais uma coisa: esqueça esse lance de religião. Se depender deles, você vai transar apenas para ter filhos e viver uma vida miserável em nome de Deus. Condenam o prazer sexual, mas nunca explicam o motivo de Deus ter criado o clitóris, uma pecinha feita apenas para dar prazer e que nada tem a ver com procriação.

Se você quer realmente acreditar em Deus, não profane seu corpo com qualquer um. Essa é a melhor forma de você agir sem se sentir a pecadora que sofrerá a ira divina.
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“Descobri o sexo através de uma das empregadas. Ela tinha um relacionamento perturbado com o porteiro e o cara fez a cabeça dela pra me envolver nos jogos sexuais dos dois”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , , 3 comentários
Querido Ogro,

Acho que é sensato, antes de qualquer coisa, te contar como achei teu blog: foi pesquisando no Google as palavras "eu odeio minha buceta pedofilia". Pronto, é isso mesmo, sem muitas firulas. Agora eu vou tentar estruturar o que me levou a querer escrever pro teu blog.

Sou a filha mais velha de um casal que sempre foi muito trabalhador. Minha mãe nunca foi do tipo que lavava, cozinhava e cuidava da casa, e por isso ela sempre dependeu de diaristas e empregadas mensais em casa. Justo na época em que eu crescia e começava a formar minhas concepções acerca dos relacionamentos humanos, minha mãe se encontrava submersa em uma profunda depressão, vítima do espírito controlador do meu pai. Não é que ele seja uma má pessoa - não é - mas se a gente se recolhe e deixa que ele tome conta da situação, ele nos afoga em suas vontades. E minha mãe, por ter um passado difícil, por ter crescido sem pai, sem referencial do que seria uma relação saudável entre um homem e uma mulher, vivia recolhida em si. Era frustrante, e eu a ODIAVA por isso. Entenda, eu nunca pude conversar com ela sobre sexo ou sobre namoros, e gostar de alguém.

Na verdade, eu descobri o sexo através de uma das empregadas que trabalhou pra gente. Ela tinha um relacionamento completamente perturbado com o porteiro do prédio em que morávamos, e, um dia, eu os flagrei em casa (devia ter por volta dos nove anos). O cara fez a cabeça dela pra me envolver nos jogos sexuais dos dois, e foi assim que me tornei um brinquedo sexual deles, por assim dizer. Não consigo recordar com clareza por quanto tempo ele "me usaram". As memórias desses tempos nunca me surgem claras ou em ordem cronológica. Creio ter sofrido o que os terapeutas chamam de dissociação. Recordo-me de momentos, isolados, mas não consigo ordená-los ou situá-los no tempo. Não posso dizer que sofri um estupro, porque entendo que para isso teria sido necessária ocorrer a penetração, certo? No começo, eles me obrigavam apenas a assistir enquanto faziam sexo na cama dos meus pais, ou na minha cama. Depois de um tempo, ela me obrigava a ficar por perto enquanto eles transavam e ele acariciava minha bunda. Daí pra tentar comer o cu, foi um passo. É sério, esse deve ter sido o dia mais estranho da minha vida, porque eu não sabia o que era aquilo, o que tava acontecendo. Ele me virou de quatro sobre a minha cama, e disse que ia me comer, acho que pôs uma camisinha e sem dó tentou forçar tudo pra dentro, só que eu gritei e ela impediu que ele continuasse - agora entendo que é porque alguém da minha família com certeza notaria e suspeitaria logo dela, que era minha babá. Uma vez ele me forçou a chupar o pau dele, eu lembro do gosto até hoje, era horrível.

Eu lembro do rosto dele, de como ele me olhava e de como eu me sentia tão pequena e suja, lembro de como ele costumava me chupar ou de como me fazia tomar nas coxas e gozava em mim depois. Eu não sei porque nunca fiz nada, ou porque nunca contei pros meus pais. Foi mais ou menos nessa época também que eu comecei a me masturbar, e isso só piorava as coisas, porque, se por um lado eu gostava das sensações físicas que sentia, por outro era extremamente errado que eu experimentasse aquilo (era como eu me sentia). Lembro que um dia escrevi no meu diário algo como "sou uma pessoa má, sou uma pessoa má por foder com o Xxxxxxxx". Foder. Que criança de 9/10 anos de idade é obrigada a saber o peso dessa palavra desde cedo? Foder é diferente de fazer amor, é diferente de sexo, é diferente de transar. Foder é mais pesado, é mais agressivo, foder não me parece adequado no vocabulário de uma menina de 10 anos. Não que seja errado que ela use essa palavra, mas porque é uma coisa muito além as compreensão de uma criança.

A pior parte é que eu sentia prazer quando ele me chupava. E por muitos e muitos anos depois disso eu sentia que era minha culpa gostar disso, que eu não tinha esse direito e que eu era uma pessoa má, suja, errada, incapaz de ser pura, boa, benevolente ou de um dia merecer o amor sincero de um cara.

Ah, detalhe, além de tudo isso, os dois ainda praticavam uma espécie de tortura psicológica comigo. O cara dizia que um dia comeria a minha mãe - e dava a entender que poderia fazer isso a força, se fosse preciso. E que tiraria meu "cabaço"(virgindade), como ele dizia em sua violência. E ela gostava de dizer que meu pai usava drogas, que ele dava em cima das moças que trabalhavam em casa, que ele tinha um filho fora do casamento… Uma vez meu pai percebeu minha tristeza e pediu pra conversar comigo a sós, e ela disse que eu seu contasse pra ele o que tava acontecendo, ele faria a mesma coisa comigo. Meu pai queria me ajudar e ela me fez ter medo dele… Quando fui crescendo, fui percebendo melhor o que eles faziam comigo e decidi que não queria mais que isso acontecesse. Foi quando eu comecei a reagir. Se ela deixava ele entrar em casa e ele vinha pra cima de mim, eu gritava ou jogava almofadas nele. EU NÃO AGUENTAVA MAIS.

Um dia, não sei o que a moça fez de errado em casa, mas ela foi despedida. Aí eu já me sentia segura em casa. Mas não saia de lá. Não brincava com outras meninas do prédio, não gostava de ter que ir comprar pão na esquina. Ele sempre dava um jeito de me encontrar pelos corredores e me abraçar ou tentar me beijar. Sempre que eu tinha que sair de casa, e estava sozinha, eu corria pelo prédio, com medo. Só contei pra alguém da família o que tinha acontecido quando tinha por volta dos 12/13 anos. Foi pra minha tia (que também é minha madrinha), e ela que pediu minha permissão pra contar sobre isso pros meus pais. Eu lembro que a minha mãe me apertou como não fazia antes, me abraçou bem apertado, e ela não conseguia falar nada e chorava muito, muito mesmo. Aquele choro sofrido, que sai bem de dentro da gente e parece que machuca mais do que a dor em si, você sabe como é? Eu me senti muito obrigada a ser forte, fingir que não era nada e que eu tava bem, porque ela não tava, e isso era claro pra mim, sabe? Meu pai ficou muito mal também, ele queria machucar aquele cara fisicamente (e só recentemente minha mãe me contou que naquela noite eles chamaram um irmão do meu pai pra fazer companhia pra ele, porque meu pai realmente queria acabar com o cara que tinha feito aquilo comigo sabe). Eu nunca, em toda a minha vida, tinha visto meu pai chorar.

Até os meus dezessete anos de idade eu vivi uma farsa. Tirava boas notas, tinha amigos, mas era retraída. Fiz terapia dos 12 aos 15, mas não aprendi nada ali, porque eu fingia estar bem e não contava meus medos e traumas pra ninguém, nem pra minha psicóloga. Eu tinha que ser forte. E eu tinha muito medo de não conseguir. Não me aproximava de garotos, e vivia num mundo completamente irreal, minha criação. Gostava de imaginar que a minha pele era bem branca e eu era loira e delicada. Chegava a me apaixonar platonicamente por pessoas (do meu convívio ou até atores famosos). Uma vez cheguei a acreditar, de verdade, que eu era mais velha e namorava/era casada com um ator de cinema. Eu sei que isso parece completamente estúpido, mas quando eu refleti sobre isso, alguns anos mais tarde, e percebi o quanto minha cabeça tava FODIDA foi que eu notei como estive perto, talvez, da real loucura. Minha avó é esquizofrênica, aliás. Ela sempre estava na casa quando essas coisas aconteciam, mas meus pais me disseram que, se a gente levasse o caso à justiça, ela não poderia ser uma testemunha por causa da condição de saúde dela :/

Quando me interessava por garotos, não conseguia me aproximar deles de jeito nenhum, e nunca fui alvo de cantadas. Eu era a amiga feia do grupo, sabe? Eu me sentia extremamente feia, e eu achava que por ter manchas no corpo, por ser gordinha, por ter a sobrancelha grossa, enfim, por não ser a típica menininha delicada, eu não merecia o amor/atenção/afeto de ninguém da minha idade. Eu sentia que só merecia a atenção de caras mais velhos e nojentos, como o cara que abusou de mim. Eu não conseguia andar na rua sozinha, nem dirigir a palavra a pessoas que não faziam parte da minha zona de conforto. Acho que perdi muita coisa nesse tempo. Meu primeiro beijo foi aos quinze anos. Minha primeira relação sexual foi aos 20 (no final de 2012).

No ano do convênio minha farsa começou a ruir. Era o ano em que as pessoas começavam a decidir o que queriam pro resto de suas vidas, e se eu só vivia em um mundo de faz de contas e evitava mergulhar em mim, como saber quem eu era ou o que queria? Voltei a ficar retraída, ia pra aula mas não prestava atenção em nada e não conversava tanto com meus amigos, passava a aula inteira escrevendo coisas sobre minhas tristezas num diário. Também usava a internet como fuga, amigos virtuais e jogos de rpg tomavam meu tempo. Isso me trazia muitos problemas com meu pai, que não entendia porque eu era assim. Foi nesse ano que voltei à terapia com a mesma psicóloga que tinha me atendido antes. (E foi por volta dessa época que minha mãe finalmente começou a se respeitar como indivíduo e sair da bolha de submissão que ela vivia. Hoje em dia ela é minha melhor amiga, e é a pessoa que eu mais amo e respeito em todo o universo. Eu sinto tanta pena dela por ter perdido muito tempo da vida sem fazer as pazes consigo mesma :/)

Mais ou menos no final desse ano, no entanto, comecei a gostar muito de um amigo da minha turma, o I. Ele era um cara muito que me atraía por ser calado e um verdadeiro mistério. E eu achava que ele retribuía esse afeto, mas JAMAIS que teria a coragem de perguntar, e a gente ficava lá, dois bobos gostando um do outro sem dizer nada.

Entrei em duas faculdades em 2010, e continuava me sentindo triste e sem perspectiva. Tive que largar a terapia de novo, por conta do horário corrido - e também porque, sinceramente, tava de saco cheio dessa médica que nunca percebeu que eu fazia uma capa de firme, mas me encontrava completamente perdida em sentimentos ruins (tudo bem, até então nem eu sabia disso, mas não era esse o papel dela?). Por essa época comecei a largar a fantasia (mesmo que ela ainda existisse, na forma de um amor platônico por um colega da faculdade, ou pelo hábito de andar na rua tentando adivinhar/projetar pensamentos nas cabeças das pessoas que cruzavam meu caminho), e comecei a mergulhar em mim, de verdade, me conhecer melhor. Foi quando eu comecei a revisitar aquelas coisas que aconteceram na minha infância e que me magoavam tanto. Esse processo levou um tempo, e foi acompanhado de muito choro de dor na madrugada, que às vezes me impedia de dormir decentemente; de morder os braços e me arranhar; de dar socos no estômago embaixo do chuveiro; e a intensificação de uma coisa que eu já fazia desde a época da escola: arranhar e cutucar/estourar umas bolinhas que apareciam nas minhas costas, braços e pernas e que são decorrentes de um processo alérgico, genético. Tenho as manchas até hoje. Inclusive, essas mesmas manchas eram causa constante de sofrimento, porque eu achava que nenhum cara gostava de mim por essas coisas que estavam erradas e eram feias em mim, como as manchas no meu rosto e nos meus braços. Cheguei a ficar com mais um cara na época de escola, mas foi completamente broxante, evitava as ligações dele, e me sentia mal por ter ficado com ele. Acho que ele chegou a comentar que eu beijava mal (recalque, Ogro, eu sei), e isso me deixou paranoica e mais frustrada ainda.

Constantemente me comparava às minhas amigas, e as achava muito mais bonitas, legais, divertidas e interessantes do que eu. Eu queria ser como elas, ou melhor, queria ser qualquer outra pessoa, menos eu. Nesse meio tempo, o I. meu amigo legal que eu achava que gostava de mim, se mudou pra outra cidade, bem distante de onde eu morava. E um dia, no meio do ano passado, eu decidi que poderia me colocar em prova, contando pra ele que eu tinha gostado dele uma vez. E foi quando ele finalmente confessou que também gostava de mim, e como ele sempre vem pra cá nas férias, ficou meio que implícito que a gente ia tentar ficar juntos no final do ano. Isso me deixava tensa, ansiosa, e completamente nervosa. Foi nessa onda de me por a prova também, que eu acabei ficando com um amigo de infância, mas a experiência foi odiosa, não senti um pingo de tesão e acho que fui completamente seca e grossa ao dispensar o cara por sms na mesma noite.

Mais ou menos em outubro de 2011 eu finalmente contei TUDO pra minha mãe. Como eu me sentia, como eu tinha certeza de que jamais conseguiria ser feliz no mundo real, de que eu não era capaz de arranjar um emprego, de ter uma família, de como eu me sentia vazia, de como eu pensava em me matar quase todos os dias, de como eu sentia que vivia na iminência de uma coisa muito ruim acontecer comigo a qualquer instante. De como nada, absolutamente nada, me dava prazer - exceto a masturbação, mas eu continuava a me sentir vazia por fazer isso periodicamente. Aí a gente procurou ajuda médica, fizemos exames, e por volta de novembro ou dezembro eu comecei a tomar medicação antidepressiva.

Em dezembro, meu amigo I. veio pra cá de novo, e no primeiro dia que a gente se viu eu tomei a iniciativa de beijar ele, mas fiz isso por achar que eu podia, mas não por realmente querer. Ainda era estranho ficar com alguém, e eu tinha certeza de que não ia dar certo, e que eu não sabia como, nem conseguiria ficar com uma pessoa firme. Eu não sei te dizer o que ele tem, ou como funciona isso, mas eu tava enganada. A gente acabou ficando e ficando, e eu me sentia cada vez mais confortável com ele. Cheguei a contar por alto o que tinha acontecido comigo quando eu era menor, e a gente tava deitado na cama e ele me abraçou bem forte e deixou que eu chorasse no ombro dele, e isso teve um significado especial pra mim. Eu senti que naquele dia esse carinha quebrou uma barreira que tinha em mim e que me impedia de confiar nas pessoas e de me abrir emocionalmente. A gente não chegou a transar, mas eu redescobri meu corpo por causa dele, pela visão dele. Os peitos que antes eram muito grandes e feios e caídos, viraram peitos bonitos e macios. O corpo que antes era OBESO virou um corpo fofo, bom de apertar (e que eu aperto mesmo, porque eu gosto de me permitir brincar comigo mesma e me conhecer a fundo). Mas eu não superei minha buceta. Eu acho minha buceta completamente feia, e já fiz muita pesquisa de fotos na internet só pra me torturar, e eu juro que isso às vezes me faz chorar o mesmo choro sofrido que eu já comentei antes; eu chego no ponto de realmente sofrer por causa disso.

Ainda assim, acho que tô num momento bom, o melhor momento que já estive desde meus 8 anos de idade. Eu nunca mais fui feliz de verdade depois disso, mas agora to tentando ser a todo o custo. E eu quero gostar de mim por inteira. Às vezes tenho recaídas assombrosas, me dá vontade de mandar todo mundo que tá perto de mim ir se foder, me dá vontade de ficar dias sem tomar banho, de não sair de casa, de não comer, de dormir o dia todo. Mas o remédio me ajuda muito. Continuo sem sair pras festas com meus amigos, mas acho que nesse semestre vou me concentrar em tentar sair e relaxar de verdade.

A questão é, como é que eu posso fazer pra gostar da minha vagina? Às vezes tenho vontade de ligar pro I. e contar isso, mas entenda, é muito estranho dizer isso para um cara ( a menos que ele seja um Ogro da internet, acho que esse tipo de cara não se incomoda com isso). Eu sou extremamente bem resolvida no que tange as questões sexuais, tenho vontade de fazer de tudo, e me sinto bem com isso. Não acho que seja vulgar, sujo ou sórdido. Descobri o sexo como a expressão do ser, como o momento em que você entra em contato com o que há de mais íntimo e interior no seu corpo - é quase xamânico; quase espiritualizado, de tão carnal e visceral que é. A questão é que eu adoraria que o I. me chupasse, mas não posso deixar que ele faça isso enquanto eu considerar minha vagina feia e repugnante.

Você entende como o nó é bem amarrado? O sexo oral era exatamente a única coisa que eu apreciava nas "relações" com aquele cara anos e anos atrás, e agora é a única barreira que eu não consigo me permitir vencer. E eu me sinto muito frustrada porque, ao contrário de alguma pessoas, eu sei disso, eu conheço o problema, mas não consigo encontrar um meio prara resolvê-lo. E, enquanto isso, ele me frustra e me machuca. Ah, eu também tenho mania de me sentir culpada por tudo que acontece. Mesmo quando é meu direito ficar chateada, eu me sinto culpada por ficar. Se brigo com alguém, e essa pessoa fica triste, eu me sinto culpada também :/

É a primeira vez que eu faço um apanhado geral dessa minha curta história de vida em forma de texto, a primeira vez que crio um registro dos meus problemas. Acho que só de escrever as coisas já ficaram mais claras. Vou te enviar a carta de qualquer forma, porque pode ser até que esse relato ajude alguma outra pessoa a tentar se conhecer melhor, e dividir a dor. Dor dividida é dor diminuída, Ogro. E eu te agradeço de antemão por ser o alvo da divisão da minha dor dessa noite.

Enquanto escrevia essa carta, lembrei de coisas, chorei, sofri, mas lembrei também que eu sou forte, muito forte, e uma pessoa boa de verdade. E isso, essa redenção que eu venho me proporcionando desde o ano passado, não tem preço. Essa é a melhor coisa que eu posso fazer por mim.

Obrigada.


Minha cara revoltada da buceta;

Lembro que li, sim, seu e-mail, e até achei que tivesse respondido, mas vi que não o fiz. Peço desculpas por isso... é que são muitos e-mails que me chegam e há muito tempo ando bem bagunçado emocionalmente – mais do que eu esperava. Assim acabo protelando respostas e isso só me deixa pior porque deixo pessoas esperando por respostas às suas dúvidas. E não há nada mais angustiante do que não ter respostas para as coisas que nos fazem muito mal e nos tomam boa parte do nosso tempo.

Depois de ler sua carta- enorme, diga-se de passagem -, vejo que você tenta estruturar muito bem as situações que lhe aconteceram, como se tudo precisasse de uma contextualização pra ser compreendida. Isso demonstra que você já buscou resposta para tudo o que aconteceu e não chegou a nenhum consenso consigo mesma.

O que te aconteceu com sua babá é uma atrocidade. E não veja isso como merecimento. Tampouco se veja como traumatizada. Algo horrível e hediondo aconteceu com você sem que você tivesse culpa por isso. Mesmo que tenha se masturbado ou tentado algo disso na época: você estava apenas repetindo algo que fisicamente era agradável, mas quando você fazia, era menos perturbador ou sujo.

Pegue uma criança hoje de 10 anos. Acarinhe sua cabeça com as unhas. Ela vai gostar, vai relaxar, fisicamente isso trará uma sensação gostosa pra ela, dará prazer a ela. E se ela gostar, o que a impede de repetir? Ou fazer com algum amigo? O que muda nisso é a postura com que fizeram um "carinho" em você: foi com malícia, com crueldade e com muita doentia de mentes extremamente monstruosas.

Realmente espero que entenda essa analogia. Não estou diminuindo o que te aconteceu, estou tentando te isentar de alguma culpa por sentir prazer em algo que sim, é prazeroso, já que a mulher possui uma parte do corpo especificamente pra isso, mas que foi errado por ser tão precoce e com alguém totalmente ingênua e inocente. Se eles tivesse te dado bebida e você ficasse bêbada, seria sua culpa? E se você depois quisesse beber mais pra sentir aquela sensação de novo, seria sua culpa? Não! É físico, é algo que está no sangue e nas terminações nervosas. O erro está em quem te apresentou esse carrossel de emoções antes de estar preparada para compreender. Você só era uma criança, não a culpe por isso... Você não era uma puta simplesmente porque não tinha cabeça, corpo e alma pra ser uma... Nem sabia o que era isso!

E outra: eles te assediavam psicologicamente, te deixando com medo, em um ambiente totalmente inseguro pra você ter voz ativa de alguma forma. Tanto é que quando seus pais souberam, você acabou tomando uma postura mais segura pra "confortá-los" na sua concepção do que seria mais confortável. Sua tentativa de fingir que estava tudo bem era uma maneira de deixar a sujeira embaixo do tapete e não ter de lidar com ela. Seja na hora em que souberam, seja na terapia que fez.

Mas assim: achar que esteve perto da loucura porque projetava paixões em atores e\ou pessoas próximas é demais. Quem nunca fez isso? Eu era apaixonado por tanta atriz e modelo nos meus 15, 16 anos... devo ter casado mentalmente com metade delas. E elas nunca descobriam que eu era bígamo. Se soubessem, dava merda e eu não estaria aqui pra contar história.

Enfim: isso é típico da idade. A projeção, a idealização... e mesmo o recolhimento ao não acessar outras pessoas próximas, como garotos da sua idade na época. Sério: todo mundo passou por isso, não é algo que te aconteceu por conta do abuso que sofreu. Todo adolescente se sente feio, todo mundo está contra nós nessa época e ninguém nos entende. Aí quando crescemos, não entendemos quem passa pelo que passamos.

Mas o problema que mais te fode: a tua buceta. Como gostar da tua buceta, você me pergunta... Olha, convencer uma mulher a gostar de uma buceta às vezes pode ser bem complicado. Mas quando se trata da própria buceta, fica mais fácil. Ainda mais no seu caso, que consegue ter um conhecimento mais profundo do que o sexo pode ser na vida de alguém.

Claro que o que te aconteceu deixará sequelas nesse nível. Ainda mais quando se trata de sexo oral, que é o que você sentia prazer de alguma forma quando aquele filho da puta fazia. E isso a fazia se sentir péssima e suja por gostar. É natural que vá buscar na lembrança física algum vestígio daquele momento. Está fisicamente em você. Mas precisa ligar o sexo oral agora à outras lembranças. Atuais, mais fortes, quando você tem a autonomia e a segurança de optar por tê-lo ou não. Antes lhe fora tomado o direito de escolher se queria ou não, mas agora você tem toda garantia se impor e escolher o que quer pra você.

Ligue o sexo a algo que está ao seu controle, como algo que você opta pelo que quer e quando quer. É seu corpo. é seu desejo, é sua libido. Está em suas mãos - algumas vezes literalmente, né?- e ninguém pode te tomar isso. E vejo que tem nesse cara um bom sujeito a te ajudar nisso. Aparentemente ele te respeita, respeita sua história, não te recriminou nem te fez se sentir mal. Pelo contrário: te fez cogitar se abrir para outro homem - de novo: às vezes, literalmente.

Ele fez com que você se gostasse, sentisse conforto com seu corpo, seus seios, suas curvas. A buceta é o próximo passo inevitável. O que pega é fazer de uma maneira que te traga prazer e te traga menos lembranças. E o jeito disso acontecer é justamente tentando evitar qualquer semelhança com o que te acontecia. Que façam isso num carro num drive, você no banco de trás, em um ambiente totalmente diferente do que lhe acontecia. Que você fique por cima da cara dele, controlando os avanços e ritmos, para que também seja diferente do que você tinha. Isso te trará uma dissociação do que aconteceu.

E mesmo que em algum momento você trave e pare e sinta repulsa e queira sair do ambiente: pare, diga que não está bom pra você, que precisa de um tempo e de um ombro e de um carinho. Se ele fez isso antes e te fez bem, certamente fará de novo. Não precisa ser perfeito na primeira vez, mas precisa haver uma primeira vez. Mesmo que doa, mesmo que te faça parar na metade: faça pra você ter um parâmetro de como reagirá a isso. Depois é que saberemos como poderá agir, minha cara... Você precisa transpor essa última barreira. Quem sabe depois disso, até mesmo o impacto do passado seja menor em você?

Você não esquecerá, você sentirá dias de profunda dor e reclusão. Se lembrará do que aconteceu e sentirá dor e ódio. Mas serão menores. E durarão horas e não dias. E verá que, mesmo que algumas vezes esse fantasma suba à sua cama, ainda assim será o seu corpo e apenas você terá direito sobre ele. E conseguirá mandá-lo de volta pro armário por mais dias e menos noites.

Aproveita que está nessa sede de melhorar e se sentir melhor. Ninguém pode tirar isso de você. Não é uma má pessoa, não fez nada de ruim pra merecer essa situação. Então acorda e vá tentar. A vida te trará várias outras dores, mas só quem sabe o quanto algo pode ser torturante e dolorido é que é capaz de desfrutar de breves momentos de alegria e sossego.

Que seja em uma simples chupada exorcizante de buceta, pois!

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“Então descobri que ela foi abusada pelo próprio pai dos 6 aos 11 anos. De uns meses pra cá, ela já não quer mais fazer sexo”

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Querido Ogro,

Bom, namoro uma menina que foi abusada sexualmente e agora percebi que nosso relacionamento depende de mim para ajudá-la, pois creio que ela ainda tem trauma.

Há um ano comecei a namorar essa menina de 15 anos que sempre queria ficar comigo. Já no nosso primeiro encontro fizemos sexo e depois disso fazíamos quase todos os dias. Ela nunca tomava a iniciativa, mas sempre que eu perguntava se queria ela dizia que sim, mas ela só fazia isso porque ela queria mesmo me conquistar. Então descobri que ela foi abusada pelo próprio pai dos 6 aos 11 anos, quando conseguiu fugir do pai e foi morar com a mãe.

Desde que eu soube disso odiei mais o pai dela mais do que ela mesmo, só não torturo ele até a morte porque primeiramente não quero ser preso e porque acredito na justiça de Deus.

Em meio a essas transas descontroladas, tivemos uma filha. Eu com 20 anos e ela com 16, hoje nossa filha está com quatro meses e somos felizes, pois logo vamos nos casar. Mas na verdade é uma busca pela felicidade: aprendi a amá-la e quero dar a ela uma vida melhor. Sofreu muito e sei que sem mim iria sofrer mais: tirei ela das bagunças da rua, fiz dela uma mulher responsável, mas tem um fantasma que impede a nossa real felicidade.

De uns meses pra cá, ela já não quer mais fazer sexo e quando fazemos (raramente), mesmo com muito tesão, fica pedindo pra parar e eu continuo e ela gosta muito, a ponto de falar que esta ficando louca de tesão, mas logo para e não quer mais. Analisando os fatos, constatei que isso são traços do trauma: ela me disse que é porque tem medo de se entregar pra mim.

Eu sempre analisei esse comportamento dela e vou descrevê-lo e peço ajuda para obter uma solução: percebi que ela tem medo de sentir prazer, ela luta contra o prazer, quando a masturbo e ela começa a sentir prazer, logo pede para parar e tira minha mão. Me disse que as vezes fica planejando fantasias sexuais para fazer comigo, mas que quando está na minha presença essas vontades acabam (bom, talvez ela não esteja mais gostando de mim).

Essa semana quase nos separáramos. Sempre que falamos sobre essa falta de desejo dela pelo sexo, diz que não me merece e que é melhor largá-la e achar alguém que me satisfaça. Não sei dizer ao certo se isso é um trauma do abuso sofrido - pois já se passaram cinco anos do ocorrido -, se ela tem algum problema ou se apenas não me ama mais. Tudo que sei é que é estranho ela sentir prazer e lutar contra esse prazer.

Então peço, por favor, que me ajude, pois é o futuro de três pessoas que está em jogo.

Talvez ajude no diagnostico: ela disse que quando está fazendo sexo e está sentindo o maior prazer, de repente o prazer acaba e dá vontade de parar na hora. Olha preciso ajudá-la, mas não sei exatamente como, não sei se paro de tentar fazer sexo com ela e de estimulá-la sexualmente, ou se continuo. Por favor me ajude a ajudá-la.


Meu caro moleque,

Vamos lá: primeiro me desculpe pela demora. Anda foda conseguir lidar com algumas coisas por aqui e preciso me recolher um tempo para conseguir ao menos responder algo. Acredite: as dores dessas meninas doem em mim pra caralho!

Outra coisa: não há um "diagnóstico" pois não sou profissional da área. Apenas tento encaminhar alguma luz de pensamento que possa ajudar a buscar mais respostas. É um palpite, um chute, uma tentativa de ajudar alguém a fazer algo bom por ele mesmo. Por isso um profissional da área é sempre indicado. Ainda mais por ela ser tão nova...

O que me contou é algo natural em quem sofreu um abuso tão cedo e por alguém que deveria ser uma referência para ela e que, infelizmente, se tornou uma referência negativa. E quem paga o pato por isso são as outras presenças masculinas na vida dela. No caso, você.

E independe o tempo que passe: isso é algo que trará muitos problemas emocionais a ela até conseguir lidar de alguma forma com isso. Veja o caso da Xuxa: só hoje, quase aos 50, é que conseguiu contar sobre os abusos sofridos até os 13 anos. Veja bem: mais de 30 anos depois e ela ainda se sente mal e machucada e insegura. Viu como o tempo não quer dizer nada? Os cinco anos da sua namorada podem significar apenas meses... as lembranças ainda estão muito presentes e marcadas na pele e no emocional.

Vejo que é novo ainda, um moleque praticamente, e já está com essa preocupação de ajudá-la e esse peso de criarem uma criança sendo tão novos ainda. Isso amadurece, força um amadurecimento que às vezes assusta e sufoca. É como se não tivesse tempo de ser inconsequente, apesar de terem sido quando não usaram a porra da camisinha. Enfim, ainda assim, realmente me alegra ver que busca uma forma de ajudá-la efetivamente. Só isso já é um grande passo, meu caro... muitos no seu lugar simplesmente deixariam de lado. Sim, conheço muitos assim, que por muito menos abandonaram muito mais! Só tome cuidado com essa coisa do “eu fiz”, “eu tirei”, “sem mim ela sofreria mais”. Pega leve nessa, pois pode soar como heroísmo demais e isso tira um pouco do mérito do que fez junto a ela.

Voltando: o desejo dela existe, mas o bloqueio emocional também. Ela se excita, o corpo responde, a vontade permanece... mas ao menor sinal de lembrança do que aconteceu, rapidamente tudo muda. E é em questão de segundos mesmo.

Imagine um exemplo: você está dirigindo uma rua e ao escutar um rojão você bate o carro e mata alguém. Isso vira um trauma para você e toda vez que estiver dirigindo tranquilamente, se escutar um rojão, se lembrará na hora do acidente. Mesmo passado anos, ainda terá essa marca no seu inconsciente. Rojão e direção te lembrarão a morte que causou... e o trauma que ficou.

Com ela é o mesmo: o dirigir é o sexo e o rojão é a memória do abuso sofrido. Quando a memória explode, ela quer parar de dirigir na hora por medo de matar mais alguém. No caso dela, o medo é de ser abusada novamente. E a culpa não é sua. É do filho da puta do pai dela...

Lembre-se de que ela tem apenas 16 anos, com uma filha já nos braços e a presença de um trauma muito forte. Era pra agora estar se soltando e se descobrindo sexualmente, conhecendo melhor o que gosta e não gosta, sabendo as preferências, desbravando o desejo e criando referências sexuais. Mas não: já precisa lidar com esse peso de uma lembrança tão massacrante.

O que fazer? Tenha calma. Não ache que ela não tem mais desejo por você ou que não te ame. Sexo é fundamental numa relação, ainda com um casal tão jovem, mas é preciso respeitar a dor dela. Ela não quis isso, se sente envergonhada pelo que passou e se culpa. Certamente, em algum dos abusos, ela por ventura deve ter sentido algum prazer ou algo perto disso. Não porque quis ou porque gostou, mas por ser algo físico e que não há muito como controlar essa parte.

Não digo que ela gozou ou sentiu prazer, mas uma sensação próxima a isso pode ter acontecido. Uma criança que gosta do carinho da mãe e do pai nas costas sente prazer naquilo e é um prazer não-sexual. E ela sentirá o mesmo caso alguém a acaricie nas costas do mesmo jeito, mas com malícia, entende?

Por isso ela se trava ao sentir prazer. Porque, de alguma forma, arremete a algo que ela sentiu no passado. Ela tinha 6 ano, era inocente, ingênua e sem nenhuma malícia. E, geralmente, os abusos começam assim: com um carinho aparentemente sem intenção clara do agressor, para não assustar e chocar a criança. Ainda mais um carinho vindo de um pai... Por um tempo, para ela, aquilo foi normal e natural, até que sentiu que era algo errado. Foi aí que marcou negativamente.

Quer mesmo ajudá-la? Respirem, sentem-se juntos e conversem de boa. Sem pressão por respostas, sem necessidade de progresso imediato. Apenas converse, ouça o que ela sente e o que ela quiser desabafar. Se for algo totalmente fora do acontecido, deixe rolar. Às vezes algumas mulheres precisam dessa fuga para conseguir respirar. “Fugir” do problema por ora, sabe?

Procurem um psicólogo, será bom pra ela ter outra figura de autoridade ajudando. Ela esteve esse tempo todo sem essa matriz, a dela ruiu com o que o pai fez e todos precisamos de pilares morais. Não sei como a mãe lidou com isso, mas mesmo que tenha feito o máximo que pode, ainda assim a lacuna do pai está destruída e vaga.

No sexo: quando ela pedir pra parar, pare. Deite, dê carinho, um abraço e um beijo apenas. Se ela te afastar nessa hora, diga que tudo bem, que estará ali ao lado caso ela precise. A cubra com um lençol e fique ali, quieto. Não force, não ache que é algo com você. Não é. Ela só precisa respirar nessa hora.

Há muito a superar e realmente espero que você consiga aguentar.
É difícil, mas igualmente recompensador.

Ter a plena confiança de alguém que passou por algo assim é das coisas mais gratificantes que já tive na vida. E conseguir ver um sorriso satisfeito no rosto dessa menina é o que faz tudo valer a pena.

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“Isso desencadeou uma vida libertina, regada a todos os homens que eu quisesse ter, individualmente e grupalmente. Depois me senti vazia”

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Querido Ogro.

Eu sei que você tem questões muito mais urgentes do que a minha, portanto tentarei ser breve na minha história. No início desse ano, depois de um termino de namoro muito estraçalhador, resolvi mudar fisicamente e psicologicamente. Fui diagnosticada com depressão, comecei a tratá-la com remédios, iniciei uma dieta por contra própria e fazer exercícios. Nessa brincadeira perdi 13kg em 3 meses e ganhei uma auto-estima arrebatadora. Parecia que tinha me tornado outra, pois estava muito atraente e confiante.

Conheci um homem lindo numa festa e começamos a sair. Estava muito feliz, até o dia em que ele insinuou que queria me levar ao motel. Na época eu ainda era uma menina 'pudica', que não acreditava no sexo casual. Aconteceu que briguei com esse rapaz e não nos falamos mais. Por raiva de ter perdido um ótimo partido, resolvi aceitar o sexo casual pra minha vida. Sendo que isso desencadeou uma vida libertina, regada a TODOS os homens que eu quisesse ter, individualmente e grupalmente.

Essa época desenvolveu-se mim um tipo de 'ninfomania'. Depois de tanta festa e putaria, me senti vazia, à procura de um namorado bem legal pra mim. Depois de um tempo encontrei um rapaz fofo, e não esperei mais de 3 dias para pedi-lo em namoro. Porém, a minha 'ninfomania' não havia desaparecido, e demorou até que o meu corpo e a minha mente se acostumassem com um só homem, de sexo suave e seguro. Até os primeiros meses ele não acompanhava o meu ritmo e fui criando certas dúvidas quanto à esse namoro, mas que por agora digamos que foram superadas.

Porém, o pior aconteceu: parei de tomar meu remédio e engordei o que eu havia emagrecido e ainda mais um pouco. Meu desempenho no âmbito geral de vida diminuiu. A minha sede por sexo foi controlada, mas ainda sim maior do que sempre foi. Por esse motivo, têm sido um tarefa um tanto árdua permanecer fiel, pois eu não posso ver um cara interessante na rua que eu já o fito dos pés a cabeça. E já foi bem pior, a ponto de me molhar ao ver um cara bonito na rua.

Enfim, nessas últimas semanas conheci um rapaz bonitinho na minha turma da faculdade que com o passar do tempo, da convivência e dos trabalhos, começou a dar em cima de mim em peso. A princípio achava que não passava de brincadeira, pois minha auto-estima está baixíssima, apesar de ainda me achar um tanto bonita e atraente. O que acontece que ontem, depois da aula, quando fomos tomar umas cervas na casa de um amigo, entre brincadeiras e outras, estávamos sentados conversando e ele literalmente me atacou de uma forma um pouco bruta, e como eu já estava mais solta por causa da bebiba, o correspondi. E ficamos de tal forma que ele queria dormir comigo lá mesmo.

Meu tesão e minha safadeza quando bebo e quando me sinto auto-confiante fica tão grande, que me segurei para também não convidar o dono da casa, que é casado, para ficar comigo. Eu amo o meu namorado e estou me sentindo muito mal com essa situação, apesar disso me trazer um certo prazer.

O que eu quero dizer com esse testamento é, o que faço com essa 'ninfomania'? O que faço agora com o meu namorado? Conto o que houve? Por que não posso ser uma mulher normal, com um tesão normal?

Eu já sofri muito por causa disso, mas ainda assim tenho resquícios de toda essa ânsia dentro de mim. Pra você ter uma ideia, acredito que meu cunhado já tenha dado um certa bola pra mim e já sonhei que ficava com ele, o que seria absurdo! Eu quero voltar a ter uma libido normal e ser fiel. Não aguento pensar no fato que sou guiada mais pelo meu sexo do que pelo meu caráter. Está sendo muito difícil ficar recusando convites de ficantes passados e novos pretendentes. Fico muito tentada.

Bom, não sei mais o que dizer. Acredito que seja só isso. Saiu mais como um desabafo do que como uma dúvida. Espero que tenha sido bem clara e que possa me ajudar a alivar essa tensão que vivo na minha vida.

Um beijo grande e sucesso sempre.

Minha cara tarada,

Que fogo nessa buceta, hein, mulher? Isso é a alegria dos solteiros mas a perdição dos apaixonados... apaixonados por você, óbvio, não pela sua buceta.

Você compensou suas frustrações e carências no sexo. E da forma mais arrojada e despudorada possível, para que assim não fosse tomada por algo devastador como foi o fim do namoro que culminou nessa postura. Notou como foi só engordar de novo que sua libido ficou mais amena? Porque se sente feia, se sente não-desejada e, consequentemente, para de se estimular internamente. Foi só você emagrecer que foi compensar com todos. Individualmente e grupalmente (coçou a mão para pedir detalhes desse “grupalmente”, mas enfim...).

Alie a isso uma depressão recém-tratada, onde tudo na vida tem um gosto diferente depois e a vontade de compensar o tempo perdido fica aflorada. Como estava puta com o fim do namoro e com a vacilada na negativa ao sexo casual do homem lindo, foi tentar ser puta pra valer pra ver se deixava de ser burra. Aposto que usou essas exatas palavras: “vou deixar de ser burra pra aprender a curtir a vida e gozar enquanto é tempo”. Ou coisa parecida...

Você se jogou nessa devassa achando que a putaria toda iria compensar a perda da relação que para você era um porto, mesmo que à deriva. Ficou perdida e tentou se encontrar se perdendo. Porque já estava perdida, apenas não viu o caminho se perdendo ao longo dos meses. Estava atrelada a uma mentira certa que se tornou uma verdade falida.

É normal algumas mulheres – e homens – terem uma fase de tesão extremo, que trepariam até com poste só porque ele piscou pra você. Mesmo numa relação estável, a libido fica lá em cima e não há pau que dê cabo dessa porra toda. É natural, é saudável... desde que não desencadeie esses conflitos emocionais que tanto fodem sem foder (mesmo fodendo tanto). Olhar um cara bonito e se excitar é normal. Não se ache uma aberração por conta disso. Sua vizinha toda pudica faz o mesmo, sua mãe também, sua amiga, sua avó, sua sobrinha, sua...

Mas o fato de sentir esse tesão não quer dizer que precise fazer algo com ele. Pode fantasiar com o próprio namorado, oras. Ou se masturbar no banheiro do trabalho, da faculdade. Ou mesmo no trânsito, porra! Por que é difícil se manter fiel apenas porque sentiu atração por outro? Seja menos extremista, né!

Bom, aí chega o namoro novo. Em três dias, o pediu em namoro. Viu como compensa a frustração e carência? Seja em muitos homens ou em um só: vai com toda sede ao pote pra saciar a sede que não sabe do que é, apenas a sente. Compensa o vazio interno tentando se preencher de outros ou de um só. O princípio é o mesmo: sente sede e sai bebendo qualquer fonte só pra ver se isso vai saciá-la.

Não sacia. Vê como logo depois ficou em dúvidas sobre ele e a relação? Se tivesse esperado um pouco mais, veria que talvez ele fosse apenas fofo, mas não o suficiente pra ser um namorado de papel passado.

Voltam as dúvidas, volta a insegurança, volta a sede... e lá corre ela procurar outra fonte. Ou outras! Surge outro cara investindo, ela corre beber pra matar a sede – alegando baixa auto-estima – e o que volta com isso? A pseudo-saciedade. E depois, o que volta? A duvida, a incerteza... a sede!

É entrar na piscina e ainda pedir um chuveirinho.
Vê como é um processo cíclico?

A primeira coisa que precisa fazer é aceitar que essa condição é uma fase e não uma disfunção física ou mental. É mais fundo emocional do que você imagina. Na hora irracional do tesão, tente se perguntar o porque está daquele jeito. Do que exatamente sente falta e porque se sente tão impulsionada a ceder aos impulsos. Seja menos visceral pois já comprovou que depois se sente mal e a meia hora de putaria se transforma em semanas de arrependimento e agonia e auto-flagelação.

Talvez esse cara que esteja hoje seja apenas uma muleta emocional como todos os outros foram. E quando se vê sem elas, você sai mancando por aí, esperando que alguém a coloque de quatro para que não precise, naquele momento, caminhar sozinha.

Tente repassar o momento em que estava quando sua vida foi modificada por esse término de namoro que causou toda essa porralouquice. O momento em que estava e onde a relação estava seguindo na sua concepção. E como isso te afetou a ponto de se desfigurar tanto!

Se toda essa libertinagem te fizesse bem, eu nem falaria metade disso. Porque não é um comportamento recriminável se te faz bem e não causa mal a ninguém. Mas não é bom pra você... Pode ser para eles, que estão atrás de uma buceta fácil. Mas você precisa do colo, dos olhos, da voz, do ombro, do coração. Somente um pau está sendo pouco pra você.

Por que não tenta canalizar esse fogo todo com o namorado? O que ele não tem que todos os outros têm? Ou será que todos eles não têm algo em comum? Pode até ser uma buceta, vai saber... Já experimentou? Pode ser uma boa, viu?

O problema não está nos outros nem em você: o problema é que não sabe pra onde canalizar tudo isso que sente. Ao mesmo tempo que sente tudo, sente nada. E isso é foda, confunde a cabeça, o pau, a buceta, o coração e a puta que nos pariu, inclusive...

Descubra a fonte de sua sede e sua sede encontrará uma fonte.

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“O que mais me incomoda é gostar de sadomasoquismo e me excitar quando me imagino sendo humilhada e estuprada por algum homem”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , , 4 comentários
Querido Ogro,

Utilizarei um pseudônimo: Lola. Bem, descobri seu blog por acaso, achei muito interessante e resolvi te mandar esse e-mail, mas minha "história" não é tão "dramática" quanto os depoimentos que li no blog. Tenho 18 anos e o que vou relatar ocorreu quando eu tinha 7 anos: estava na casa do meu avô paterno, todos os meus parentes estavam na sala conversando, eu estava indo para o banheiro, no fim do corredor, limpar minha boca que estava suja de sorvete quando meu avô me abordou e disse para eu lhe dar um beijo. Eu disse que minha boca estava suja e que só iria lavá-la primeiro. Então ele segurou meu rosto e disse que ele limparia a minha boca e tentou me beijar imobilizando meu rosto.

Enquanto eu tentava virar meu rosto, minha mãe apareceu e me puxou. Me levou pro quarto e disse que era pra eu me afastar do meu avô, que não era pra eu abraçá-lo ou me sentar no seu colo mais e o mesmo valia para os meus primos. Ela estava muito nervosa com a situação, disse que estava com vontade de ir lá e bater nele... Meu pai entrou no quarto, ela relatou o ocorrido pra ele e meu pai não disse nada. Meus pais não tocaram nesse assunto nunca mais. Eu me afastei muito do meu avô, mal o cumprimentava, pois se eu desse um abraço nele, minha mãe me repreendia (a atitude dela era completamente compreensível).

O tempo passou e toda vez que eu ia falar algo com meu avô, ele dizia coisas do tipo: "você está muito gostosa" ou "me arrumei todo pra você hoje", e ele não tinha receio de dizer essas coisas perto de outras pessoas, então evitava ao máximo ficar perto dele. Minha mãe, depois, começou a me dizer que eu devia me relacionar melhor com meu avô, pois ele me dava um presente e eu mal dizia obrigada, etc... Nessa época eu já tinha uns 12 anos, provavelmente ela nem se lembrava mais do que havia ocorrido e pensou que estivesse tudo "normal".

Mas qualquer coisa que eu ia conversar com meu avô agia como se estivesse me "paquerando", então evitava ao máximo falar qualquer coisa com ele, pois era muito constrangedor e alguém podia ouvi-lo dizendo isso (eu tinha muita vergonha). Meu avô morreu quando eu tinha 13 anos, e foi isso.

Minha relação com os meus primos também piorou bastante depois que minha mãe pediu para eu não abraçá-los mais ou sentar no colo de nenhum deles, pois eu não sabia o que eu podia ou não fazer. Todos os meus primos são 10 anos mais velhos que eu mais ou menos, eles sempre brincavam comigo e com meus irmãos, mas depois disso me distanciei muito, só os cumprimentava, sempre rejeitava qualquer programa com eles, como quando eles se ofereciam para ir conosco no parquinho e esse tipo de coisa. Eu sempre fui tímida, então isso só dificultou ainda mais a minha relação com eles, isso foi o que mais me magoou, porque gostava muito dos meus primos.

Eu sei que isso deve estar parecendo uma coisa ridícula e sem sentido para você, quer dizer "não precisava disso tudo, já se passaram 11 anos afinal, claro que eu podia me relacionar bem com meus primos a essa altura do campeonato". Concordo, mas eu simplesmente não conseguia. Somente ano passado que voltei a conversar com eles mais abertamente e "agir normalmente".

E tem outra coisa, que provavelmente não tem nada a ver com isso, mas talvez tenha, enfim... Até os meus 17 anos, eu dizia “não” pra qualquer menino que me pedisse em namoro (essas paquerinhas bobas de colégio) ou que tentasse me beijar, por mais que eu quisesse. Eu beijei pela primeira vez esse ano (com 17 anos) e foi em uma boate, porque tinha bebido um pouco... até hoje não "fiquei" com ninguém a não ser em boates (onde não conheço a pessoa e sequer sei seu nome). E até hoje eu mal consigo conversar com homens normalmente...

Bem, agora vem a parte "mais nada a ver de todas". Eu comecei a me masturbar aos 13 anos mais ou menos, e lendo contos eróticos, ou de estupro ou de sadomasoquismo, são esses os temas que me excitam, não sei por quê. Obviamente, ainda sou virgem... Eu não queria gostar dessas coisas, realmente não queria, mas eu gosto, e isso me incomoda muito.

O que mais me incomoda é o fato de eu gostar de sadomasoquismo, o fato de me excitar quando me imagino sendo humilhada e estuprada por algum homem. Não me entenda mal, é óbvio que eu não quero ser estuprada e não desejo isso a ninguém, pois é completamente diferente se imaginar na situação do que estar nela. Mas eu me sinto suja e ridícula por gostar disso, eu não sei o que fazer. E, além disso, já sonhei algumas vezes que estava fazendo sexo com meu irmão e com meu pai. Eu não sei porque isso acontece comigo, provavelmente você também não saberá... Mas eu nunca falei sobre isso com ninguém, pois eu não entenderia se alguém que estivesse no meu lugar viesse relatar isso a mim, por isso não espero que ninguém me entenda, já que eu mesma acho tudo isso um absurdo.


Minha cara Lola,

Que bagunça essa cabecinha, hein? Mas nada anormal, relaxe... só precisa encaixar as peças e assim conseguir enxergar melhor o quadro que está pintando em sua vida. Lembre-se de que tem apenas 18 anos e esses são os melhores piores anos da nossa vida. Tudo é uma zona e costumamos ficar sem nenhuma referência para nessa passagem da adolescência para a “vida adulta”. Somos cobrados como adultos mas ainda temos a cabeça adolescida. É foda, minha cara, mas tudo sempre se encaixa.

Teu principal dilema aqui são suas fantasias. Mas não é pra se assombrar com isso. Nada do que imagina te faz uma pervertida ou uma monstra. Leve em consideração tudo o que passou e verá que é mais fácil do que imagina entender esse caralho todo. Pensa: você foi reprimida em um ato causado por um homem da família justamente numa época onde você buscava reforçar as imagens masculinas da sua vida. Foi educada para reprimir isso, pois era errado. Ao dizer que era pra você se afastar do seu avô e primos por conta do beijo que ele queria dar, sua mãe meio que programou seu comportamento para não aceitar nenhum tipo de carinho de nenhum homem da sua família. Suas referências masculinas foram represadas e automaticamente ligadas a algo proibido.

Pois bem: chega sua adolescência e o que mais queremos fazer quando adolescentes? Questionar o mundo, seus conceitos e seus “chefes”. No caso, seus chefes eram seus pais. Como cresceu sabendo que os “carinhos” de seu avô eram proibidos, você passou a recorrer a esse tipo de imaginação para afrontar seus pais. Mas isso passou para seu pai e seu irmão, pois eram imagens masculinas das quais recebia carinhos também. Os carinhos deles sempre foram fraternos e inocentes, mas na sua cabeça estava atrelada aquela proibição imposta por sua mãe.

Lembre-se de que tinha apenas 7 anos, sem nenhum discernimento sexual, e isso te causou um certo colapso. As investidas dele foram causando ainda mais confusão, a ponto de você também achar que os carinhos de seu pai talvez devessem ser repelidos.

Tudo isso pode ser uma fuga do seu inconsciente para conseguir saciar a vontade de confrontar as figuras de liderança ao seu redor. Ao mesmo tempo, seu avô tinha essa liderança hierárquica sobre você e te imobilizou para tentar te beijar. Pode ser que isso tenha criado um padrão em você. Não é errado, apenas precisa conseguir focar seu desejo em outras figuras masculinas: um professor, por exemplo, pode ser uma excelente fantasia nessa hora e te ajudar a dissociar o desejo.

Quanto aos seus relacionamentos, isso tudo é natural da idade. Fica com pessoas em boates, pois o ambiente e o álcool desinibem. Como só beijou aos 17, não tem muitos parâmetros para definir se isso é um padrão de comportamento ou não. Ainda tem 18 anos, é tudo muito recente e diferente. Relaxa, respire e comece a se relacionar com outras pessoas fora dos ambientes “seguros” para você, como a boate, por exemplo. Tente conversar com o pessoal em outros lugares, menos agitados, onde prevaleça a conversa e a descoberta do outro. A internet pode ajudar pra caralho nisso, viu?

Sobre o sadomasoquismo, você está apenas projetando seu prazer e desejo em um ambiente estranhamente “conhecido” por você. Mas isso é apenas na cabeça: a situação sádica ou masoquista, em si, não te traria nenhum prazer. E quase todo mundo tem essas fantasias, viu? Não que exista a pretensão de acontecer, mas um lance mais vigoroso e imediato tende a despertar a libido. É natural, apenas aprenda a dissociar isso de seu pai e irmão. Isso não será saudável pra sua vida sexual, que fatalmente logo começará.

O que pode fazer? Mudar o foco, os personagens das fantasias e os ambientes. Ao invés de se ver com seu pai numa cena de estupro, se veja com um cantor ou ator em um banheiro de boate num sexo imediato que dura 5 minutos. Substitua as fantasias, condicione o corpo a aceitar outras imagens.

Respire, reflita... não se sinta suja por isso. Não se sinta culpada pelas fantasias, tampouco pelo que te aconteceu no lance do seu avô. Apenas se sinta no dever de aprender outras formas de prazer. Deixe o “sexo com culpa” para seus futuros ex-namorados cafajestes. Aí, sim, terá muita culpa ao transar com eles durante uma recaída. E ainda assim, terá menos problema com isso ao dormir. Bom, nem tanto, mas será bem diferente.

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“Aos 15 anos meu pai me viu namorando na praça e ao chegar em casa fui recebida com socos e pontapés. Diagnóstico: três costelas trincadas, deslocamento da mandíbula...

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , 6 comentários

Querido Ogro,

 Nem sei como começar, são tantas questões que me inquietam e perturbam que fico perdida. Tenho 30 anos, bem mal resolvidos. Acho que nasci na época errada, na família errada, no corpo errado...

.Sou do interior da Bahia, onde a palavra do pai é lei! Minha família toda é evangélica daqueles bem conservadores e as lembranças que tenho são de que tudo era errado, proibido e me levaria ao inferno. Aprendi a não desafiar as regras ou fazê-lo de forma a não ser descoberta e assim aprendi a mentir que, modéstia a parte, é o que faço de melhor.

 Aos 15 anos meu pai me viu namorando um garoto na praça da cidade e ao chegar em casa fui recebida com socos e pontapés. Minha mãe estava na igreja e fui socorrida por dois vizinhos que escutaram meus gritos, um deles médico, me levou para o hospital. Foi preciso dois homens para tirar meu pai de cima de mim. Diagnóstico: três costelas trincadas, deslocamento da mandíbula, escoriações e contusões por todo o corpo.

 No hospital fui tratada como vagabunda. A notícia espalhada era que meu pai tinha me encontrado na cama com um cara casado. Minha mãe só sabia se repetir dizendo que ele tinha feito aquilo pra me educar, que eu não devia ter feito o que fiz e eu sem entender o que de tão grave tinha feito para receber aquilo. Voltei para casa com a sensação de estar entrando num inferno. Minha mãe se dizia mortificada, minhas irmãs riam de mim descaradamente e minhas melhores amigas, todas da igreja, foram proibidas de falar comigo. Aguentei isso por dois anos até concluir o ensino médio. Nesse tempo engordei quase 30 quilos, virei uma rebelde – na minha cabeça, rebelde com causa.

 Aos 17 anos sai de casa. Vim para Brasília com a mala e uma proposta de emprego como babá. Tive sorte de passar no vestibular e seis meses após sair de casa estava morando numa república estudantil e aí comecei a viver tudo que eu nunca pude! Beber, fumar, cheirar, pra mim isso era o supra-sumo da liberdade, fiz tudo, com muita fome e ansiedade.

 Meu único problema foi, e ainda é, o sexo. Adoro tudo que diz respeito a sexo, sou ultra libidinosa mas na hora H... não consigo sentir nada! Leio tudo que aparece sobre o assunto, me mostro a expert, mas a transa pra mim é uma negação. E não é por falta de esforço. Já tentei de tudo: transei com mulheres, fiz um ménage a trois, realizei fantasias, mas é tudo vago, fico oca. A cabeça viaja e me vem a questão: “por que estou fazendo isso?” e continuo a fazer. Não consigo ter um relacionamento longo com ninguém. Sinto-me usada, gastada, é como se eu fosse forçada e invadida pelo outro por mais “apaixonada” que eu pense estar.

 Nunca gozei com alguém, com o toque de outro, nunca. Não é nada físico, já investiguei. A cabeça também já foi analisada, medicada e controlada. Tô no fundo do poço. Parece tão banal depois de ter lido tantas histórias em seu site mas, pra mim, tá sendo questão de vida ou morte.

 Sou sozinha. Tenho um bom emprego, casa, carro – essa parte da vida tá bem encaminhada. Não tenho relação com ninguém da minha família desde o episódio acima relatado, apenas contatos ocasionais por telefone com uma sobrinha que me mantém atualizada. Tenho crises depressivas perenes que oscilam entre a euforia e destemor a uma profunda escuridão e inércia (que é como me encontro no momento). Há dois anos não me relaciono com ninguém, perdeu o propósito. Estou há quase um ano apaixonada platonicamente por um colega e não consigo me aproximar, afinal já passei por isso umas mil vezes. Gostaria de ser corajosa o suficiente para por um fim em tudo, mas não tenho peito pra assumir as responsabilidades.

 Me sinto como uma adolescente que não consegue discernir amor de carência e vou evitando dar vazão a qualquer um desses sentimentos seguindo os dias emudecida, sem cor, sem sabor sem viver. Não espero uma resposta salvadora, acho que só precisava desabafar.

 Obrigada por dar voz a tantas dores, parabéns! Você é o cara.

Sinceramente, sua mais nova fã.

Minha cara Tieta;

Seu pai foi um tremendo filho da puta, hein? Evangélicuzinho de merda esse... Nessas horas dá vontade de mandar enfiar a porra da Bíblia no cu. De que adianta ser um “homem de Deus”? Pra mostrar pros outros que tem fé e que tem a alma salva? Vai lá chupar o pau do pastor, então!

Justamente na fase onde você estava formando seu caráter social, aprendendo a questionar o ambiente onde vivia, o idiota te repreende com tamanha truculência por um ato inocente e natural em qualquer adolescente: a descoberta da sexualidade e a vontade de dar vazão aos desejos. Talvez se tivesse acontecido uns dois anos depois, sua postura seria diferente. Mas estava justamente nessa porra de fase de formar um tipo de caráter sensorial da sociedade que perdura pela vida toda. Os 15 anos são fodas, mesmo! Mais até do que os 18...

Resultado: você passou a repudiar qualquer presença sexual na sua vida.
É, apesar de sempre usar o sexo como uma arma, você o recusa como algo vital e necessário.

Justamente por tratá-lo como descartável, por fazer dele algo meramente ilustrativo. Foda-se que tenha feito putaria com mulheres, com homens, com poste ou pés de mesas: você simplesmente não quer que o sexo tenha um fator predominante em suas relações e, consequentemente, em sua vida.

E sabe como dá pra saber disso?
Por você nunca gozar!

Você ainda sente, inconscientemente, que será repreendida com porrada por deixar o tesão fluir. Você disse que se vê como uma adolescente porque é a verdade: ainda é aquela menina namorando na praça, que apanhou pra caralho do boçal ignorante do pai e foi publicamente exposta como uma “vagabunda”.

Justamente por isso, por ainda ver o mundo como sendo aquele ambiente proibido e hostil é que você não consegue se desapegar de certas amarras que te prendem àquela praça. Por isso aprendeu desde cedo a mentir: é uma forma de não ser punida e, ao mesmo tempo, conseguir “sambar” na cara da sociedade e montar um personagem ideal. Era e é a fodona que pouco se importa com o que os outros falam, mas no fundo é o que mais te incomoda. Ainda dói sequer ser vista como a vagabunda que “deu pro cara casado” e foi linchada.

Por isso você sustenta a personagem: é fodona, dá pra caralho, curte qualquer coisa que vier, bebe, fuma, cheira... enfim: é “livre” daquele inferno.

Mas ainda está atada à praça.

É uma porra isso: a presença do pai em cada homem que procura. Ou você busca tipos parecidos pra tentar entender e se revoltar menos, ou busca perfis completamente diferentes justamente pra esfregar na cara e alimentar a revolta.

Tanto é que adora um amor platônico, não? A ausência do sexo faz disso algo menos recriminante aos olhos da adolescente aí dentro. Mas é só chegar a porra da porra e tudo fode sem foder!

Enfim: o que há de ser feito?
Basicamente: precisa tomar no cu!

Ou você assume que vai ter de se foder ao tentar algo diferente e ainda assim aceita as conseqüências ou vai ficar sempre nessa oscilação sentimental. Não tenha medo de se foder pra valer em uma relação. Isso é normal, todo mundo se fode de algum jeito. Mas uma hora a gente acerta. E você já tem bagagem pra acertar, não?

Precisa olhar para trás pra conseguir olhar para frente. E se for preciso chacinar os demônios lá trás, então o faça! Pegue tudo o que te incomoda e taque fogo. Faca uma fogueira mental, queime naquela mesma praça todos os vestígios do que tanto te machuca e te furta o ar. Pare de sempre recorrer à adolescente traumatizada. Deixe-a livre dentro de você...

Esqueça que deva perdoar seu pai ou sua família pelo que fizeram. Apesar de ser dolorido isso, se viver sempre esperando chegar o perdão em você, irá perder um puta tempo com isso. O que precisa é mostrar que, independente do que te aconteceu, conseguiu sobreviver e ter uma vida sem eles, que encontrou alguém que veja toda essa sua história e, ainda assim, aceite o “desafio” de viver uma relação séria contigo, que te entenda, que não te julgue e te ajude a superar todos os percalços.

Eles foram errados, não você. Agora que se fodam: perderam a chance!

Todo mundo traz dores e sombras dentro do peito. E não há dor mais ou menos nobre do que a outra: o que você sente é real, é verdadeiro, te joga no chão pra valer. Por isso mesmo que precisa conviver com isso. Achar que se desfazer dessas penumbras vai te fazer melhorar é um grande erro.

Ter todo esse paradigma só te fez represar a mulher que precisa ser: de fato, livre.
Eu diria até selvagem, por que não? Já está na selva, mesmo... Aprenda a usar a luz, mas saiba que caminhar entre a escuridão é o que faz toda a diferença.

Continue a beber pra afogar um pouco as mágoas. Leia algo que aparente ter sido escrito pra você. Ouça uma música que te defina melhor do que você mesmo poderia definir. Escreva algo denso, algo cruel sobre sua dor. E depois respire.

Se permita ser “normal”. Não tenha medo da vida aqui fora.
Ela é uma merda, mas a gente adora assim mesmo.

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“Quando ele quer, eu faço um oral nele e ele goza. Quando dá, eu faço oral nele e aí ele me come!”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: 12 comentários
Querido Ogro,

Peço que realmente me responda, pois estou completamente desesperada! Já são 04:35 da manhã e eu aqui pesquisando sobre esse caso de não sentir mais tesão pelo meu noivo. Ele, na verdade, é o terceiro homem e a terceira vez com quem tenho relações sexuais... e com ele aprendi muitas coisas, mas nunca consegui gozar, nem com ele, nem com os anteriores.

Antes, quando eu praticava sexo oral nele, me sentia bastante excitada, mas hoje em dia não há mais isso. Estou com ele há 1 ano e 6 meses, mas há um tempo meu noivo esta com atitudes estranhas.

Não que ele me traia, pois passamos o dia inteiro juntos, mas na hora do "vâmo vê" às vezes ele não quer, eu começo a investir, coloco a roupa que ele gosta e NADA! Ele diz que não tem que querer fazer só porque estamos sozinhos a noite em casa! E pra piorar: quando tem alguém em casa, ele só quer saber de sexo oral [nele é claro, porque em mim tem séculos que ele não faz. Tudo bem que eu não curto muito, mas gostaria de tentar, né? Vai que eu gosto.]

Então virou uma rotina! Quando ele quer, eu faço um oral nele e ele goza. Quando dá, eu faço oral nele e aí ele me come! [isso sem me excitar antes, sacou?!?!] E eu acho que talvez seja por isso de eu não ter mais tesão nele, pelas minhas investidas vetadas, por ele não demonstrar mais interesse em fazer o trabalho completo e etc...

E eu no ônibus um dia, fiquei excitada quando um homem roçou em mim! [comentário trash esse né?], mas mostra que com isso eu fiquei, porque com meu noivo que eu amo não estou ficando?! Eu sou pouco experiente nesse assunto preciso de ajuda! Por favor, me ajude e dê sua opinião! Eu estou desesperada! Eu o amo muito, e não entendo porque isso acontece! ME AJUDE!


Minha cara desesperada:

Pelo que entendi, teve dois homens e apenas duas fodas antes do seu noivo? É isso mesmo? Bom, então tem muito que trepar ainda, né? Claro: como pode dizer que aprendeu muito com ele se ainda não gozou numa transa? Aliás: você goza sozinha?

Talvez ele só queira sexo oral nele porque é algo mais rápido e prático e que você saiba fazer. Provavelmente deva ter uma postura mais passiva na cama, o que faz com que a relação fique um pouco previsível demais. Isso não é culpa sua, pode ser apenas seu perfil sexual, mas dá pra mudar algo, não?

Ou talvez ele seja mais um daqueles que só se importam com o próprio prazer e você que se foda - não literalmente. Essa é a hipótese mais provável.

Mas você também afirmou que não gosta de sexo oral. Se não gosta, por que exige que ele faça? É o mesmo que você fazer sexo anal sem gostar, apenas para agradá-lo. Se é algo que você deixa claro que não gosta, como vai exigir receber mesmo assim? Esse “vai que eu gosto?” é muito relativo: ou gosta ou não gosta, caralho! Por mais que ele não saiba fazer (hipótese muito evidente), daria pra ensiná-lo onde você gosta, a pressão ideal, a forma como te chupar pra te fazer gozar e por aí vai.


E pelo que entendi, ainda, passam muito tempo juntos. Não dá espaço pra saudade agir. E isso sempre é afrodisíaco: distância e um pouco de rejeição. Não dá pra esperar que o tesão mantenha o pau duro e a buceta molhada o tempo todo se estão grudados o tempo todo!

Dê espaço, fiquem uns dois dias sem se verem na semana, pelo menos... E mesmo quando estiverem juntos, saiba dosar sem exagerar na pressão pelo prazer. Bukowski já dizia: não há charme que resista à intimidade.

Quanto a encoxada no ônibus, foi algo isolado, um estímulo em público, agravado pelo medo de alguém “pegar no flagra”. Por que não usa isso com ele? Saia de casa, trepe com ele em um banheiro de um bar ou boate, por exemplo. Ou em uma praça com pouco movimento... ou mesmo na esquina escura, encostados na árvore. Não precisa ser uma foda excepcional, mas uma masturbação mútua já é uma sensação excitante pra caralho quando feita do lado de fora de casa.

Isso pode até funcionar como preliminar: vá ao cinema de saia e, depois da sessão, vá ao banheiro, tire a calcinha e coloque discretamente no bolso dele. Sussurre que quer brincar um pouco antes de ir pra casa. No carro, ainda no estacionamento, abra suas pernas no banco e comece a se masturbar. Molhe seu dedo na boca dele e use em você. Simule um começo de masturbação nele, uns beijos acompanhados de mão-naquilo-aquilo-na-mão. Pare do nada e peça para ir pra casa... DUVIDO que não vá surtir efeito quando ele encostar o carro na garagem.

Todo mundo curte uma putaria... inclusive você!
Sexo tem de ser divertido e não uma obrigação.
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“Disse que não sente mais tesão em mim, que eu me descuidei e não tem mais vontade de transar comigo”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , 17 comentários
Querido Ogro:

Namoro há muitos anos, temos a mesma idade (já passamos um pouco dos 20). Quando tínhamos três anos de namoro, terminamos e ficamos um ano separados. Nesse tempo, namorei outro cara. Um belo dia ele me pediu pra voltar e eu larguei do cara que estava e voltei para ele. Um mês depois, com muito sofrimento, choros e gritos, aquele cara se suicidou.

Por conta do trauma, da depressão pelo ocorrido, etc, engordei 25 quilos. Minha vida sexual nunca foi a mesma depois disso, só que do meio do ano passado pra cá a coisa piorou MUITO. Esse ano, por exemplo, fizemos sexo UMA VEZ apenas. Eu já tentei de tudo, roupinhas diferentes, lugares diferentes, todo approach possível.

Já conversei sobre isso com ele mas nunca tinha conseguido nenhuma resposta... até hoje, quando ele me disse que não sente mais tesão em mim como antes, que eu me descuidei e ele não tem mais vontade de transar comigo.

Nesse tempo todo ele esteve do meu lado, nunca deixou de me dar carinho e atenção, só no sexo que a coisa descambou. O problema é que eu sinto que, se fosse ao contrário, se EU não quisesse transar com ele nosso relacionamento já teria acabado há muito tempo. Em tempo: apesar de eu ter engordado bastante, sou muito vaidosa, meu cabelo ta sempre arrumado, eu to sempre maquiada, cheirosa.

Me senti muito mal por pensar que ele condicionou nossa vida sexual a minha estética, fiquei pensando “e quando eu engravidar?”, “e quando eu envelhecer?”, entende? Minhas amigas acham que ele tem razão de achar isso porque ele ficou do meu lado durante todo esse tempo então ele pode pedir que eu ‘me cuide’ (leia-se emagreça) por ele.

Eu gosto do meu corpo, eu sou uma pessoa saudável, sou confiante e sou feliz! Mesmo gordinha, sei me vestir, me sinto sexy, então to achando tudo isso uma grande palhaçada, essa ditadura de padrão de beleza por todos os lados.

Sexo pra mim é uma parte muito importante, eu ADORO fazer sexo, não sou fresca, não tenho amarras, e isso me incomoda MAIS AINDA porque eu fico pensando se ele prefere achar uma mulher mais magra mas que tenha nojo de chupá-lo, sabe? Desde que nossa vida sexual ficou assim eu aprendi a me masturbar, consigo me saciar – em partes – com isso, mas eu tenho MUITO tesão nele, tenho vontade de transar com ele. Não tenho aquela visão romântica de que se eu terminar com ele não vou achar mais ninguém, muito pelo contrário, mas eu gosto dele e queria uma visão de fora.

Obrigada por me ouvir/ler. To ansiosa pela resposta.

Querida fofa:

Quer dizer que o trouxa do seu namorado quer uma modelo capa de revista? Fala pra ele que são essas as que menos sabem foder! Mas avise a ele também que elas devem gostar de caras musculosos, sarados e lindos. Se ele não se encaixar nesses parâmetros, vai ter de ficar na punheta, mesmo... com a revista delas nas mãos, ainda! É gozar e chorar.

Bom, houve a diminuição da freqüência sexual. Isso é meio natural em casais com uns anos de convivência. E é foda constatar que costuma ser por esse motivo: um perde o tesão pelo outro e fica algo mecânico, algo automático. Vira quase uma obrigação. Um sexo burocrático. Há até quem se contente com isso... antes assim do que nada assim.

Mas é bem cruel ele jogar isso na sua cara dessa forma. Mesmo que, de fato, não sinta mais o tesão que sentia antes. Precisa falar assim? Não, não precisa! É crueldade simples e pura. E ignorância plena, óbvio.

Você se reprimiu sexualmente por conta do trauma que sofreu. Isso é normal. Se sentiu culpada, envergonhada e assimilou isso fisicamente. Você engordou o tanto quanto sua consciência pesou pela “culpa”. Mas porque mudou sexualmente? Não se achava digna de ter prazer com alguém depois do que aconteceu? Ou tinha medo de causar isso novamente?

De qualquer forma, é preciso aceitar que a decisão do seu ex em se matar é algo que do qual você não tem responsabilidade. Isso foi uma decisão dele baseada no que ele via do mundo na época. Porra, se todo mundo que perde uma namorada fosse se matar, teríamos uma legião de casados por conveniência. (Bom, já é assim, mas por outros motivos, né?)

Ele encontrou motivo na separação assim como encontraria num emprego perdido ou na perda de um familiar querido. Pra quem tem perfil suicida, qualquer motivo é motivo... E se não fosse você, outra mulher seria. Já vi mães perderem filhos - no plural, mesmo – e não tomarem essa atitude. E dá pra imaginar dor maior do que essa? Eu não consigo imaginar...

Não se culpe por isso... mesmo! Você optou por seguir uma vida, foi sua escolha e ele que convivesse com isso. Se não quis conviver, é um problema dele! Você não era a última mulher do mundo.

É duro, é insensível, mas é a verdade.

Enfim: você engordou. Isso mexeu com sua auto-estima ainda mais. Se via deprimida e “gorda”. E sexualmente retraída. Conheço tanta mulher casada que se vê assim... e que ainda OUVE do marido o mesmo que você ouviu. Aí fica a pergunta: que tipo de relação essas pessoas tem? Que tipo de relação você tem? Baseada em estética? Pra ele, o amor está condicionado ao sexo e à beleza plástica? E o que é beleza plástica, afinal?

Eu acho gordinhas sexies pra caralho, por exemplo!
Até a textura da pele é diferente, o calor do toque também...

Ok, você se descuidou, sim... mas a parte de fora é apenas a ponta do iceberg que traz dentro de você. Internamente deve estar fragilizada ainda. Foi NISSO que você se descuidou. Mesmo depois de anos, ainda se prende ao passado e não consegue superá-lo totalmente. O lance é: ambos estão presos a esse passado de “superação conjunta”. Você fica presa ao que ele representou a você nesse período e ele se prende ao medo de separar e te trazer mais dor ainda - afinal, você ainda está fragilizada. E ambos seguem nessa brincadeira que chamam de namoro. Não há relação íntima aí: há um respeito pela história e uma amizade carinhosa e só.

Quando o sexo se vai, resta apenas isso. Mas isso é tudo o que espera? Não, né? Pois é: ele provavelmente também não. Seu namorado tem uma visão bem restrita do sexo. E mais: deve ter suas escapadas por aí pra “compensar”. Aí, internamente, ele fica fazendo comparações. Ou você acha que ele é totalmente fiel a você? Se nem fidelidade de caráter ele mantém pra te respeitar ao dizer que está “gorda”, imagina se será fiel fisicamente?

E suas amigas, hein? Que papelão do caralho! Quer dizer que SE ele ficou do seu lado, você tem a obrigação de emagrecer? O gesto dele não foi feito inteiramente de coração, sem esperar nada em troca? Porra: guardar cumplicidade para servir como moeda de troca no futuro é foda, hein?

Você não tem de emagrecer por ele... nem por ninguém! Faça apenas se sentir necessidade ou se for preciso por questões de saúde. Mesmo que você tivesse engordado porque quis, ele teria de respeitar isso e te admirar da mesma forma. A pessoa de dentro ainda é a mesma, apenas precisa de uns reparos emocionais.

Você se sente confiante e diz ser feliz como está. Ótimo! É vaidosa, se perfuma, se arruma... como toda mulher! E como toda mulher, tem algumas ressalvas quanto ao próprio corpo, seja ela capa de revista ou não. Então não aceite que um idiota venha te desmerecer por causa disso. Se for assim, ele terá de virar gay, pois nunca vai encontrar uma mulher “ideal”.

Mas é lamentável que só depois dessa queda na vida sexual à dois é que você aprendeu a se masturbar. PQP! Depois reclama... Porra: custa fazer isso mesmo quando está tudo bem? Custa fazer isso junto do parceiro? Custa se masturbar na frente dele, usar a mão dele pra isso? VTNC, né?

Em suma: dificilmente ele irá mudar a visão dele sobre você nesse ponto. Mesmo que você emagreça 50 quilos! Ele é superficial e traveste isso em forma de “honestidade”. Mas ser honesto não é sinônimo de ser patético. É como você mesma disse: e quando ficar grávida? E se você sofresse um acidente e ficasse sem uma perna ou se queimasse toda? E se tivesse um câncer? E aí? Esteticamente você não estará mais da forma como ele acha necessário. Será que ele ficaria ao seu lado assim também? Pelo que vi, dificilmente agüentaria o tranco.

Quer um homem como esse no seu futuro?
Quer um homem assim te ajudando a educar uma criança?

O certo é você pesar todas as posturas dele, sentar e conversar. Dizer que está magoada com a forma como colocou que não sente mais tesão em você, que isso é mexer DEMAIS com a auto-estima de uma mulher e que se fosse o contrário, ele iria se sentir um brocha!

Já que ambos gostam de “passados”, façam desse presente um passado digno a ser olhado no futuro. Nem que seja pra sairem dessas rédeas morais que ambos estão atados.
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"Eu me masturbo na hora do sexo, mas nunca é satisfatório o suficiente, estou sempre muito concentrada em satisfazer meu parceiro"

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: 6 comentários
Querido Ogro,

Desde que iniciei minha vida sexual, passei a ser muito ativa na área. Gostava de fazer todos os dias, me masturbava com frequência - mesmo antes de transar pela primeira vez - e gostava MUITO de sexo. No entanto, eu sempre tive uma dificuldade enorme em atingir o orgasmo. Sozinha, eu conseguia com muita facilidade, mas com namorado era sempre muito difícil e continuo passando pela mesma situação constrangedora. É o drama de 80% das mulheres! Uma coisa que eu nunca fiz nem pretendo fazer jamais é fingir orgasmo, porque pra mim é o fim da picada fingir que eu estou louca com um sexo mais ou menos. Isso sempre frustrou meus namorados e a mim, especialmente. Mas por muito tempo eu não dei a mínima pra orgasmo com penetração, transava muito, curtia todos os momentos, mas gozar mesmo, somente sozinha.

Eu me masturbo na hora do sexo, mas nunca é satisfatório o suficiente para alcançar o clímax, pois estou sempre muito concentrada em satisfazer meu parceiro. Eu cheguei a desenvolver uma técnica de masturbação que me excita muito: uso o pau do cara quando está bem duro para estimular o clitóris, daí quando estou quaaase gozando, boto pra dentro e oh la là! Chegamos lá, mas a técnica nem sempre funciona, pq às vezes demoro demais, o cara desanima, cansa e também não é sempre que estou com aquele fogo todo. Também sei que orgasmo feminino não é uma coisa obrigatória, o que eu acho uma sacanagem, pois deveria ser pelo menos 3 vezes por semana.

Enfim, descobri um brinquedinho e passei a usá-lo com meu atual namorado. No começo foi difícil fazê-lo aceitar, porque ele sentia que tinha que competir com o brinquedo. Calma, não é um pau de borracha. É bem pequeno e emite vibrações que estimulam o clitóris. No começo, era novidade, então eu gozava bastante, mas ultimamente tem se tornado mais difícil. Parece que eu simplesmente parei de gostar de sexo. Estou passando por um momento horrível na minha vida sexual, pois meu namorado gosta muito de transar e eu não dou conta de acompanhá-lo. Nunca neguei as investidas dele, mas pra mim é muito difícil "mostrar serviço" quando não estou tão excitada. Cheguei a pensar que eu não sentia mais atração por ele, mas me dei conta de que nem estou mais me masturbando, ou seja, minha libido está abaixo de zero.

Tenho 24 anos e não acho que seja hora de aposentar minha buceta. Já tive 2 namoros de 3 anos cada um. E meu atual relacionamento já tem 2 anos e vai bem em quase todas as áreas. Na cama, me considero muito mente aberta, mas a dificuldade em gozar e a falta de libido estão me deixando muito preocupada. Já usei vários estímulos além do brinquedinho, como filme pornô rolando durante a transa, já filmamos nossa transa (pra deletar o vídeo logo em seguida, óbvio), mas queria algo diferente e seguro. Portanto, querido ogro, será que vc pode me ajudar?
Desde já agradeço!
Beijos,
Anônima

PS: criei este email só pra mandar meu pedido, mas, de qualquer forma, por favor, não o divulgue. Grata!

Minha querida buceta de aviso prévio,

Ok, você tem alguma dificuldade com orgasmo. Mas tem apenas 24 anos, caralho! Nunca sabemos de tudo sobre nossos gostos e prazeres nessa época. Há quem nunca saiba, afinal...

Você diz que se considera muito aberta (na cabeça e nas pernas, pelo visto), mas que o orgasmo é onde você se fecha. Falta libido. Mas por que falta? Seu problema está no prazo de validade das suas relações. Já teve dois namoros de três anos de duração cada. E esse de agora está com dois anos. Ou seja: está chegando naquele ano que precede o rompimento. Algo acontece contigo sexualmente nesses três anos a ponto de enjoar do parceiro e projetar suas frustrações na transa. Seriam os namorados parecidos?

E se são parecidos, demonstram um padrão de gosto... Você tende a buscar homens parecidos para se relacionar. No início eles demonstram que poderão dar tudo o que você quer sexualmente, mas logo se tornam “mais do mesmo” e você se cansa. Se fecha. E não goza! Disse que se masturbava com freqüência, mesmo antes de transar pela primeira vez. Tem mantido essa freqüência? Mesmo nessa época já tinha dificuldades? Disse que sozinha conseguia com facilidade, mas com namorado é mais difícil. Isso tem a ver com o padrão escolhido para seus parceiros.

Há algo aí que demonstra que se sente envergonhada, até, ao gozar com um homem. Se fosse problema físico, você não gozaria facilmente sozinha... Algo que te trava, alguma culpa escondida e atrelada ao prazer. Foi repreendida por algo na adolescência? Antes, até? Porque a impressão que passa é que se culpa por sentir prazer... uma frase sua até indica isso: “Também sei que orgasmo feminino não é uma coisa obrigatória”. Quem falou isso?

Acho que foi educada que mulher deve satisfazer sempre o parceiro. E você não se permite ser você a satisfeita. “Estou sempre muito concentrada em satisfazer meu parceiro”. Há homem que sai muito melhor de uma transa mesmo sem gozar: basta ver sua parceira de pernas bambas, com uma meia dúzia de orgasmo na cabeça. Eu mesmo sou assim... portanto, tire essa obrigação de fazê-lo gozar antes. Se você estiver entregue e desencanada dessa pressão, ele sentirá e irá gozar melhor ainda ao vê-la toda entregue, de fato!

Suas técnicas são boas, válidas e saudáveis. Brinquedos, filmes, filmagens, usar o pau para se masturbar... Tudo isso é foda pra caralho! Mas se estiver trava mentalmente e emocionalmente, não surtirão efeito por longo tempo. Funcionarão apenas enquanto camuflarem os sintomas que levem você a se fechar.

Quer algo diferente e seguro? Podem tentar umas transas em lugares diferentes, daquelas que precisam acontecer em questão de minutos, quando o tesão sobe pra cabeça mesmo, sabe? Transar no banheiro de um bar ou balada, foder no estacionamento do shopping, trepar nas escadas do prédio... Tudo isso ainda com roupa, durando apenas 15 minutos! O imediatismo é sempre afrodisíaco.

Mas apenas serão placebos do prazer. Uma hora até isso vai enjoar e voltar ao mesmo problema. Tente entender de onde surgiu essas encanações implícitas no seu texto. Aí poderemos ir um pouco mais fundo.

E ir bem fundo sempre ajuda a gozar...
Keep Reading...
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