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“Ele começou a me ignorar, tentar me afastar da vida dele, e eu, inconformada, passei a me rastejar atrás dele. Não admitia de jeito nenhum perdê-lo para ninguém”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , 42 comentários
Olá, Felipe.

Acho que esse “olá” me custou o fundo do poço. O extremo para pedir ajuda/opinião/bronca a um quase estranho da internet, que as únicas coisas que sei é que, aparentemente, tem certa paciência para ajudar algumas mulheres que, por algum motivo e por algum sentimento destrutivo, já se perderam. Nem de longe a minha história é a pior das histórias. Mas pra mim é uma história sofrida. Dolorida, arrebatadora. Tirou-me o sentido e a vontade de viver.

Claro que já houve um diagnóstico patológico disso tudo, a grandiosa depressão, a bela ansiedade generalizada, a espetacular síndrome do pânico. Mas eu acredito que sofro de uma única coisa, muito pior do que todas essas juntas: um amor destrutivo. O “amar a pessoa errada”. Não há nada de surpreendente na minha história, a não ser a minha burrice. Uma série de socos em ponta de facas, sem fim, com seqüelas eternas.

Tudo começou em uma festa, de família e ele estava lá. Muito jovem, razoavelmente bonito, e um interesse repentino por mim, que a princípio ignorei veementemente. Mas o fim de um relacionamento anterior (um relacionamento longo, mas raso demais) me fez arriscar, já que “ah, acabei de sair de um, vai ser difícil me apegar agora.”

Eis que tudo começou. As conversas, a companhia, as pequenas loucuras de aparecer em horários malucos pra me ver, as declarações de amor repentinas, e tudo me fez apegar a ilusão de achar que pela primeira vez seria amada por alguém. Em exato um mês já estava totalmente entregue àquelas palavras doces e aquele ser inexperiente, muito jovem, alegre, cheio de vida.

Foi quando, descobri a primeira traição. Uma menina muito mais jovem, bonita, também cheia de vida. Acho que pela primeira vez na vida percebi realmente a idade que tinha. Pela primeira vez qualquer comparação com pessoas mais novas fizeram qualquer sentido na minha vida. Acho que foi quando me dei conta da idade que tinha, como se tivesse pela primeira vez experimentado a velhice.

Terminei, mas o choro, as lágrimas, o sofrimento, a lamentação me fizeram voltar e “perdoar” o deslize, que certamente nunca mais teria qualquer problema na nossa vida. Foi o começo do inferno e eu nem sabia que estava começando. A garota o perseguiu, ele retribui outras vezes aos encantos dela, e eu comecei a ver tudo como um desafio para tê-lo comigo e não perder para uma jovem mocinha. Acho que esse desafio, completamente sem razão de ser, eu ganhei, muito tempo depois ela sumiu das nossas vidas.

Mas não passou tanto tempo pra tudo se repetir, enquanto me preocupava com as jovens garotas, descobri, pelas falhas dele em esconder, que ele estava saindo com uma tia de um amigo, que tinha aproximadamente 55 anos. Acredito que literalmente meu mundo caiu ali, foi muito difícil conviver sabendo que ele estava completamente apaixonado por ela. Cada mensagem que li, que foi enviada pra ela, me deixavam com uma mescla de inveja, ciúmes, tristeza, tudo o que uma mulher pode sentir em uma situação dessa. A minha reação foi a mais impossível de se imaginar. Foi o início da derrota do amor-próprio.

Ele começou a me ignorar, tentar me afastar da vida dele, e eu, inconformada, passei a me rastejar atrás dele. Não admitia de jeito nenhum, perde-lo para ninguém. Acredito que nunca, em toda a minha vida eu fui tão humilhada e conivente com a humilhação. É a coisa mais esquisita falar, mas era importante para mim ser humilhada, por que me humilhando, era uma maneira dele estar na minha vida ainda, perto dele.

Eu ligava pra ele, mesmo que pra ouvir que eu não servia pra ele, nem pra ninguém, mas eu ouvia a voz dele, e me dava 5 minutos de alegria. Porque a essa altura, a voz dele era essencial para minha sobrevivência. Por imposição das pessoas que conhecia, e por recomendação de alguns médicos que tive que passar, acabei procurando um psiquiatra. Como se não fosse suficiente, fui parar em um pronto-socorro psiquiátrico. Completamente paralisada, quase uma morta viva, ao lado de outras pessoas com camisa de força.

Já estava, nesse momento, com 38 quilos, dependendo de 4 ou 5 remédios diferentes por dia, sem emprego, literalmente acamada e acabada. Completamente dopada. O tempo passou, e talvez por muito dó dele e muita insistência minha, nós reatamos. Voltamos com um relacionamento que nunca existiu de verdade. As mentiras jamais acabaram. E, obviamente não demorou muito tempo e descobri a terceira traição. Não tão diferente das outras, extremamente dolorida. Depois de um tempo decidi parar de contar quantas foram, e analisar as mulheres procuradas por ele, não havia mais um perfil, era a simplesmente a que aparecesse na frente dele.

É estranho dizer, mas eu achei que essas mulheres que vivem nesses casamentos, em que as traições são rotineiras na vida, que em algum momento elas se acostumavam com a situação, e viviam normalmente com isso, aceitavam e passavam a ter aquilo como parte de suas vidas. Mas não foi, nunca me acostumei, cada traição, cada mentira, cada descaso, cada destrato, cada violência psicológica, cada violência moral, sempre arrancou um pedaço de mim, sempre contribuiu pra construir uma personalidade amarga, uma mulher sem destino, sem alegria, sem moral, sem personalidade. Um cubo de gelo. De tristeza. De falta de qualquer perspectiva na vida.

Essa literalmente sou eu hoje.

As traições continuaram ao longo dos quase 5 anos juntos, nunca recebi um carinho gratuitamente sem uma anterior exigência, sem uma chantagem, comparação com conhecidos ou jogando qualquer coisa na cara. E não sei te explicar porque, mas a pior coisa da vida é ter que aprender a viver sem ele. Tudo ficou mais difícil, respirar está mais difícil, talvez pelas dores que sinto o tempo inteiro no peito, não é somente uma dor qualquer, ela é física, é uma pontada que vem do fundo, que me acorda nos raros momentos de sono. Comer ficou impossível, a comida ficou sem graça, e não passa no nó que nunca se desfaz na garganta.

Há pouco tempo, depois de tanto ajudá-lo nos sonhos que tinha, consegui que ele começasse a tão sonhada faculdade. Não demorou quase nada e eu já estava sozinha em casa, chorando, solitária, enquanto ele se diverte com as novas “amigas” e amigos. Como em todas às vezes, a única coisa que levo é a solidão e a amargura e a tentativa eterna de querer saber onde eu errei, o que eu fiz de errado, o que eu não tinha que ele tanto precisava e não encontrou em mim, o porque essas mulheres são tão especiais que todas são atraentes a tal ponto pra ele, que é fácil simplesmente me ignorar e não se preocupar com o meu sofrimento.

Desde então, da decisão de que os novos amigos e as amigas eram mais interessantes companhias do que eu, ele nunca mais me ligou. Não, ele não se deu ao trabalho de me avisar que não queria mais ficar comigo, apenas sumiu. Também não me atende mais, ele não perderia tempo com uma pessoa tão insignificante na sua vida.

Eu queria um remédio que me fizesse sentir apenas raiva dele, mais nada, sentir tanto ódio a ponto de desejar que ele sumisse da minha vida e do mundo... mas não: cada segundo que passa eu só quero mais ele. Mais e mais e mais. A falta que eu sinto da pele, do toque, do som da voz, é algo indescritível. É tão doloroso, que eu gostaria de arrancar meu coração fora do peito. Não, não precisaria mais dele.

Mas preciso me conformar. Preciso saber quanto tempo isso demora pra sumir no tempo, ficar nos arquivos da memória e nada mais. Saber quando eu vou acordar e não pensar mais nele, não sonhar com ele, não entrar no ônibus pensando nele, não desviar totalmente o meu caminho somente pra passar perto da casa dele, com o objetivo de forjar um encontro qualquer, não deixar de comer porque só de pensar nele, o sofrimento me consome.

Cada dia que passa, o tesão de viver se apaga um pouco mais. Envelheci nitidamente nesses últimos anos, parece que fiquei 10 anos mais velha, tenho todas as marcas de sofrimento no meu rosto, ele esta registrado fisicamente em mim.

De verdade: eu nem sei ao certo porque realmente escrevi esse e-mail, mas acho que precisava falar pra alguém, acho q só queria que alguém no mundo prestasse atenção no meu sofrimento, ou que me falasse quando isso vai passar, quando eu vou conseguir ser de novo uma mulher viva, uma pessoa capaz de sorrir, que todos os pensamentos que nutro agora vão passar, que essa vontade de sumir, sumir do planeta, passe.

É tão difícil que não sei mais o que pensar.

Estou escrevendo pra você pois leio seu blog e acho que você tem uma sensibilidade incrível pra esse tipo de questionamento (e uma agressividade necessária pras respostas). Não precisa responder se não quiser, eu já tentei um contato anterior com você mas não tive coragem de falar nada. Então resolvi mandar por aqui, de um e-mail diferente que não constasse meu nome real, pelo único motivo de sentir vergonha disso tudo e de estar escrevendo pra você.

Obrigada por ler, se fizer isso! Se não ler, obrigada da mesma forma por escrever no blog.

Minha cara formiguinha;

Vem cá: você releu a mensagem que me mandou? Chegou a olhar o quão ridículo é o papel que está desempenhando? Se não, faça e refaça quantas vezes forem necessárias. Porra, vai tomar no cu, né?!

Todo mundo passa por isso, todo mundo tem esses casos mal resolvidos, que deixam seqüelas permanentes, que machucam pra caralho. Mas é preciso encontrar um limite. Se não o encontra, que o estabeleça baseado no grau de entrega e recebimento. Se a balança pesa mais para um lado, está na hora de começar a agir. E sua balança quebrou há tempos, viu?

Sim, isso tudo passa. Isso tudo um dia vai soar menor e nem vai se lembrar da intensidade da dor, apenas saberá que doeu. Mas é preciso que você queira isso, de fato. Que pare de se subestimar e se rebaixar em troca de migalhas de atenção. Você tem tanta pena de si mesma que acha que tudo o que merece dos outros é a mesma pena.

Que dó de você, hein? Que dó, que dó... que dó!
Não, não tenho um pingo de dó ou pena... Tenho é raiva, no mínimo.

E sabe quando isso vai passar? Está preparada para o grande segredo que vai mudar sua vida para melhor? É um caminho sem volta: uma vez que começar, não poderá voltar... mas o resultado é 100% garantido. Bom, então lá vai o segredo: só voltará a ser como era antes quando deixar de procurá-lo, dentro e fora de você. Óóóóó...

Viu como o segredo está justamente no mais óbvio? Mas é tão óbvio que você reluta em acreditar que seja essa a solução. Mas é. Está mais do que provado que não será feliz com ele. E nem o fará feliz. Se o ama tanto assim, deixe-o livre, deixe que ame quantas mulheres ele quiser... todas ao mesmo tempo, se for o caso. É problema dele! Seu conceito de amor está um pouco desregulado. Se não consegue nem SE amar, como poderá amar outro?

Você tem medo da dor, você acha que ela vai te derrubar de vez e sempre busca alguma coisa pra se segurar. E essa coisa é sempre nele! Em nenhum momento li você falando que está buscando ajuda em outras pessoas, em outras coisas, em outros amores... Apenas ele, ele, ele, ele. PQP! Fico imaginando como é desgraçada a vida desse cara.

Você diz que seu relacionamento anterior foi raso. Aí buscou profundidade e se afundou na merda!

Entenda que toda paixão não-correspondida gera uma depressão, uma ansiedade, uma síndrome do pânico. Você sofre sozinha por não ter o que tanto espera. Mas o que te levou a se entregar tanto a um relacionamento que só te fez sofrer? As experiências que tiveram? E daí? Você está deixando de ter novas experiências só por causa de um passado fodido. Ah, ele foi atencioso no começo? Coitado do cara que te der bom dia no elevador, então, hein?

Você usou esse namoro que, claramente, estava baseada apenas em sexo (pelo menos da parte dele) para justificar toda sua postura em relação à vida: dependente de alguém que seja o “motivo de sua alegria”. E o que é pior: com alguém sem experiência, que estava apenas querendo uma buceta pra se enfiar. É, homem pode fazer isso de uma maneira bem cruel: diz coisas que não sente, faz gestos que não gostaria... tudo pra ter sexo quando ele quiser. As amantes que ele teve provam isso. E não tem diferença ela ser jovem ou velha: é apenas uma postura do cara. Mas o ridículo não é ele procurar prazer em várias parceiras: é ele não te poupar disso! E se ele não te poupou, é sinal de que realmente não se importa com você.

Ah, mas então por que ele ficou todos esses anos contigo? Bom, tem esse lance de não saber como terminar com uma pessoa que coloca toda a responsabilidade pela felicidade dela nas costas do outro, sabe? O cara fica sem saber o que fazer com tanta dependência e vai tocando o barco adiante o máximo que pode.

Ele ficou com você por pena de você... e não porque te amava. Ele tinha medo de que você se matasse, fosse cometer qualquer tipo de loucura, ainda mais depois que se internou. Foi dó... puro e simples dó. E idiota você de aceitar isso. Eu odeio que sintam pena de mim ou de qualquer outra pessoa. É um sentimento tão ignorante, tão soberbo, tão sem razão.

Você transformou a relação em um “troféu”, onde queria ser mais que as outras, onde sempre tinha de “vencê-las” e continuar com seu trofeuzinho te ignorando. Mas ele não te quer na vida dele, nem quer ser presente na tua vida. Ponto.

O que fazer? Engolir o choro, deixar de ser idiota burra e ir viver sua vida, caralho! Mas como? É mais simples do que você quer imaginar. Pare de querer ser amiga dele, pare de querer ser uma coisa que você nunca foi nem nunca será. Deixe de procurá-lo, por mais que fique louca – quase literalmente – por informações a respeito dele. E como segurar a onda? Ocupe-se! Vá trabalhar, vá sair com amigos, vá namorar outras pessoas, escreva, se masturbe, beba... Mas seja egoísta! Quanto mais egoísta você for nesse processo de libertação, melhor será para conseguir sair dessa porra.

Assim você vai esquecê-lo? Não. Algum dia esquecerá? Não. Mas vai esquecer a dor que sente agora. Ficará apenas a decepção, a mágoa, o gosto amargo. E vai sobreviver a isso. Todo mundo sobrevive. Essa é a graça de se foder em amores platônicos.

É o que tenho pra você: deixe de ser idiota e ignorante e vá viver sua vida e deixe que o trouxa viva a vida dele da maneira como ele quiser. Enquanto você chora, ele provavelmente está fodendo alguém de quatro, sem o menor peso na consciência. E esse alguém que está de quatro também teve o amor platônico dela, mas seguiu adiante e agora busca conviver com a dor da desilusão. Faça o mesmo: vá ficar de quatro pra alguém que logo você se sentirá melhor...
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"Ele voltou a ficar agressivo comigo, me batendo, falando ofensas e, desta vez, até me ameaçou de morte"

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , 3 comentários
Querido Ogro,

Hoje sofro muito, pois não sei se devo acreditar mais um vez em um homem que sempre mentiu pra mim.

Vou explicar minha historia: tenho uma filha de 12 anos e morávamos em uma determinada cidade, mas minha mãe se mudou com minha filha e meu padrasto para outro Estado. Entre todos os motivos que fez ela se mudar, um deles é por que meu namorado me batia.

Bom, ela fez isso para me separar dele e eu fui com elas. Morei um tempo lá e voltei a morar com ele. Voltei acreditando que ele iria mudar, mas toda vez que eu desconfiava dele sobre qualquer coisa, ele ficava nervoso e me agredia.

Fugi dele e voltei a morar com minha mãe e filha, mas ele mandou dinheiro pra eu voltar, dizendo que me amava que não suportava viver sem mim. Voltei, fiquei um tempo com ele ate que eu comecei com as minhas desconfianças sobre ele de novo. Aí ele voltou a ficar agressivo comigo, me batendo, falando ofensas e, desta vez, até me ameaçou de morte se eu voltasse a morar com minha mãe.

Eu esperei ele ir trabalhar e fugi de novo. Hoje estou aqui em outro Estado novamente, mas ele mandou e-mail pra mim com fotos de quando me levou na praia, falando que me ama, que desta vez vai procurar um tratamento, que vai mudar, que me ama, que reconhece que errou comigo, que sempre foi verdadeiro comigo, mas que fico desconfiando dele e que por isso ele ficava nervoso ,mas que irá procurar se tratar.

Tenho minha filha e ela me falou que não quer me perder, que mesmo estando acostumada a ficar com minha mãe queria eu perto dela, que tem medo que eu seja morta por ele e disse ainda que se eu voltar pra ele é pra esquecer que tenho uma filha.

Estou perdida, não sei mais o que fazer.
Estou sem forças pra continuar lutando.
Minha cara idiota passiva,

Quantos mais tapas na cara você terá de levar (dele e da vida) pra acordar pra realidade? Homens com comportamento assim não mudam. Até se escondem por alguns dias ou poucas semanas, mas logo voltam a dar seu show machista opressor. E encontram em mulheres como você o respaldo para agir livremente.

Entenda: quanto mais você se sujeitar a ele, mais presa estará ao seu jogo manipulador. É esse vai-e-vem que o agrada, essa conquista do seu terreno cada vez que você se afasta. Homens como ele sentem prazer em ser cruel com uma mulher. Não há respeito, há apenas um sentimento de superioridade, por isso ele se “sujeita” a “descer ao seu nível” por um tempo. Ele diz que vai mudar, te deixa confiante e segura por uns dias e depois volta pra destruir tudo.

Sabe quando uma criança sente um enorme prazer ao destruir algo que outra criança está fazendo? Ela está lá, concentrada num castelo de areia ou num desenho e a outra chega destruindo. Proporcionalmente é o que ele faz contigo: te deixa subir um pouco teu castelo para depois destruí-lo com um sorriso no rosto.

Aliás, toda a conversa que vocês tem sobre isso apenas alimenta-o de uma maneira insaciável. Ele se nutre das coisas que você fala, só para legitimar os atos que tomará depois. A conversa é como se fosse um ensaio onde ele arquiteta todas as ações.

Sei que é foda acreditar que existam pessoas que fazem isso, agir com tamanha crueldade e frieza, mas existem e aos montes, ainda!

Você precisa identificar os motivos que te jogam de volta nessa situação. Como você se sente com ele? Estaria essa autoridade toda que ele exerce sobre você revelando uma debilidade emocional sua? Apesar das agressões, você se sente segura e protegida por alguém tão rígido assim? Você estaria tentando se punir por algo? Ou ainda: estaria tentando chamar atenção pra você ao se colocar nessa situação? Pode ser que, por todo mundo te alertar sobre a idiotice que é voltar para a tenda desse palhaço, você volte apenas para chamar atenção para si. E assim exercitar seu lado “coitadinha”.

Sim, também temos essa tendência de sentirmos pena de nós mesmos e, assim, ganhar o colo do mundo. E a melhor maneira de vermos isso é analisar com que freqüência sentimos pena do outro. Projetamos no outro o que sentimos e fazemos por ele o que gostaríamos que fizessem por nós. Aposto que você já sentiu pena dele diversas vezes, não?

E internamente você até tem questionado essa figura de autoridade que ele exerce sobre você. Sabe que a bajulação pós-agressão é apenas uma forma de “compensar” o erro. Como confiar na autoridade de alguém que nitidamente tenta compensar o próprio erro?

Não confunda o medo que você sente com respeito à autoridade dele.

O fato é que você sabe que não pode mais voltar a cair nessa lábia infundada de que ele te ama e que vai mudar. Besteira! Acorda pra vida logo, caralho!

Mas, se não quer fazer por você, faça por sua filha. Olhe para ela e pense se quer que ela passe por isso com um futuro namorado\marido dela. Gostaria de vê-la apanhando de alguém que julga amá-la? Não, né? Pois é... mas é exatamente isso que você está proporcionando a ela: um exemplo de submissão feminina. Saiba que essa sua postura ditará os futuros relacionamentos dela. Ela vai buscar uma familiaridade com o que você passa e se interessará, inconscientemente, por homens com o mesmo caráter. E fará isso para se aproximar de você, pois sofrerá o mesmo que a mãe sofreu.

É louco isso, não é? É... mas acontece a toda hora.

Agora é você quem decide que tipo de dor terá: a de ficar longe do seu “amor” e sofrer por umas semanas até encontrar um homem de verdade ou agüentar as dores físicas das agressões, as dores morais dos xingamentos e a dor na alma de ver sua filha crescendo com a imagem de que uma mulher pode ser agredida por um homem.

Sem contar que estou falando dos menores problemas que pode te acontecer. Estamos cansados de ver casos de crimes passionais. Não seria exagero imaginar algo assim acontecendo a você. Ou a você e sua filha. Já pensou nessa possibilidade? Pois é...

Pare de ser uma falsa-idiota, fique aí onde está, corte todo tipo de contato com esse real-idiota antes que seja tarde demais. Troque seu telefone, seu e-mail e tudo mais se for preciso. A melhor forma de se proteger é evitar o contato, mesmo que virtual.

Se permita conhecer um homem de verdade.
Sua filha te agradecerá. 
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"Eu sempre soube a senha do e-mail dele, mas ele alterou e disse que não vai me passar porque quer privacidade".

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , 13 comentários
Querido Ogro,

Namoro há mais de quatro anos e estou noiva e faz uns três mêses que meu namorado entrou em um novo emprego. Queria saber o que você acha, se eu estou ficando louca ou se tenho motivos pra desconfiar.

Nesse tempo todo de namoro, eu sempre soube a senha do e-mail dele, mas faz umas semanas que ele alterou ela e disse que não vai me passar porque quer privacidade! Rolou uma leve briga porque eu não entendi o motivo disso depois de tanto tempo. Agora, por causa do trabalho, só vejo ele de final de semana. E essa semana eu descobri que ele só fala com as mulheres do trabalho dele.. tentei controlar o ciúme, mas esse final de semana fomos a uma loja fazer uma compra meio carinha e ele queria ver quanto tinha no cartão. Achei meio estranho, porque ele tinha recebido a pouco tempo. Até que ele soltou que emprestou R$ 500 pra uma "colega" de trabalho!

Eu fiquei irada porque o dinheiro era pra comprar uma determinada coisa que já planejávamos a tempos. Ele me contou uma historinha que o irmão dela do Paraná precisa vir pra SP e não tinha o dinheiro e toda aquela ladainha. Mas, porra, tem um monte de gente naquele lugar que ela conhece a muito mais tempo, por que pedir justo pra ele?

Quando cheguei na casa dele, fiquei sabendo que uma moça do trabalho dele (outra) tinha dado um livro pra ele. Com dedicatória e tudo: "para meu querido amigo"! Cara, não discuti com ele porque estou tentando ser fria e calculista. Mas estou irada, ele diz que todo mundo no trabalho dele é mais velho, que ele não faz nada. Mas eu tenho achado tudo isso mundo estranho.

Fora que eu nunca vi ninguém do trabalho dele. O que eu devo fazer?

Minha cara Hitler de saias,

Porra, que chato isso que você faz, hein? Puta que me pariu! Olha só o panorama: você controla a vida do seu namorado há quatro anos; tem a senha do e-mail e deve questionar algumas mensagens que ele recebe no Orkut; briga por querer saber quem é cada uma das "amigas" dele; deve exigir que ele vista determinada roupa ou tenha um determinado corte de cabelo; deve até controlar a forma como ele fala e age em festas e bares. Isso pra falar o básico. Certo?

Aí ele começa a trabalhar num lugar novo. Tudo é novidade, as amizades são feitas sem a censura da patroa-patrulha, as mocinhas do escritório o aceitam como ele é, sem repressão ao jeito dele de ser. Entre uma conversa e outra, ele comenta sobre sua perseguição talibanesa, Uma delas se mostra mais atenciosa quanto à isso, compreende o inferno que é viver sob essa pressão e ele consegue se abrir mais.

Agora, me fale: qual a razão de você querer controlar todos os passos dele? Saber os e-mails, achar um absurdo ele querer ter privacidade e ter amigas mulheres? Foda-se que todo homem queira foder suas amigas em algum momento da vida. Isso não significa que será concretizado.

Você tem amigos, não? E aí? Um deles quer te pegar. E aí? Aposto que você pensa assim: "ele quer as vagabundas das amigas dele; mas meus amigos me respeitam". Já até deve ter usado isso em alguma briga, como argumento. Mas você bem que gosta de receber um recadinho meio malicioso no e-mail ou no Orkut, né? Ou uma gracinha "ingênua" durante o café, à tarde, na empresa. Porque, né, isso não tem nada a ver, né? Aham...

E daí que ele emprestou uma grana pra mocinha? Se fosse para um amigo, você teria a mesma reação? Certamente, não. Mas, como era uma mulher, você surta. Você está brava e indignada não pelo empréstimo, mas pelo empréstimo a uma mulher.

Sobre o livro, é a mesma coisa. Isso não indica que ele esteja trepando com ela. Até porque amantes que trepam não querem livros, querem mesmo é trepar, porra.

Coloca uma coisa na sua cabeça neurótica: se ele quiser foder alguém, fará independente do seu controle. Você não pode impedir isso. Só que agindo assim, você estará dando, aos olhos dele, mais motivos para puladas de cerca eventuais. E apontando possíveis cercas, inclusive. Afinal, quanto mais você criticar uma amiga dele, mais ele irá se solidarizar com a "injustiça" cometida contra ela e, assim, se aproximará mais dela.

Faça um favor aos dois: não se case. Será um inferno de casamento, os dois infelizes e miseráveis. Casamento não é atestado de propriedade privada. E você irá vê-lo assim, uma propriedade sua. Isso faz mal a ambos. Principalmente a você, que fica sofrendo por cada suspiro suspeito dele.
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"É normal o homem ser ciumento a ponto de chegar a chorar de raiva?"

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , 2 comentários
Querido Ogro,

É normal o homem ser ciumento a ponto de chegar a chorar de raiva? O meu namorado é assim, já não sei mas o que fazer! E o pior que eu o amo, já são três anos de namoro. Já conversei e o pior: nunca dei motivos pra ele ter tanto ciúme!

Queria lesada,

Não é normal... mas tem homem pra caralho assim! Se sentem inseguros, fazem mil e uma cenas na cabeça, tem a certeza de que o que sentem é real e acham que você está aprontando! Sem contar que não fazem nada sem você, dependem da sua opinião e companhia pra tudo!

E, sim: chegam a chorar por ciúmes. Seja por se sentirem "traídos", devido sua insegurança exacerbada, seja por ter caído na real do papelão que fez ou seja por charminho, mesmo! Em três anos, você já consegue identificar... ou ainda não? E não precisa ter motivos para ele sentir o que sente: uma simples ida ao supermercado já termina em briga.

Disse que o ama. E isso é tudo? Será que basta "amor" para aguentar isso? Acho que você confunde esse ciúme dele com excesso de amor e até acha bonitinho. Por mais que conversem, saiba que não haverá mudanças nisso... apenas irá amenizar com o tempo, mas sempre irá existir. Ou pior: poderá aumentar num eventual casamento.

Nesse caso, quem tem mais a ceder? Você ou ele?
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"Sou um cara fechado, frio, sério, não gosto muito de bagunça, e sou muito ciumento e desconfiado..."

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , 7 comentários
Querido Ogro,

Gostaria de uma opinião sua sobre meu sentimento ou modo de agir se é assim q posso definir meu jeito de ser. Sou um cara fechado, frio, sério, não gosto muito de bagunça, e sou muito ciumento e desconfiado.

Quando estou solteiro, sou uma pessoa confiante, mas quando tenho um relacionamento como estou tendo, me sinto inferior! Estou há 1 ano e 3 meses com uma pessoa... Quando começamos a sair, eu não queria nada com ela.

Mas o tempo foi passando e começamos a namorar. Acho que sei quase tudo do passado dela e sempre tenho um pé atrás em nosso relacionamento por causa desse passado. Ela tenta me agradar de todas as formas, até seu jeito de ser ela mudou por minha causa... Era pra eu estar feliz com essas coisas, mas não consigo! Fico procurando coisas banais do passado dela que me chateiam.

Nem sei porque faço isso, trazer o passado dela para o presente! E sempre acabamos brigando...
Sempre acho que tem algo, fico fantasiando várias coisas que acontecem: se é um número desconhecido no celular que ligou pra ela, marco em cima sem dar espaços, me sinto mal com tudo isso e acabo sofrendo demais. E posso imaginar que ela também sofra.

Em muitas vezes, penso assim: sou um cara bonito por fora, mas o que tenho de beleza, tenho de horrível por dentro... E acho que com esse meu jeito, tenho medo de afasta-la! Preciso muito de uma opinião sua, querido Ogro... por favor!

Meu caro cerceador:

A consciência de que isso é um erro e fará mal a você e a ela, você já tem... Isso é bom! Até porque já estás sentindo o peso de ser assim como és! O que não é bom é você continuar a agir assim. É feio, chato, errado e cansativo!

Conheço o perfil de tipinhos assim: não deixa a namorada fazer nada, quer controlar até o que ela pensa e cogitar a ideia dela ter uma vida "além" da sua te faz suar de nervoso! Só que não deixa de sair com os amigos, vai ao bar e ao futebol com eles toda semana e briga se ela ligar no sábado, pedindo para que cheguem cedo!

Ou pior... pode ser o avesso da moeda: não tem amigos, sai apenas com ela e coloca nas costas da coitada toda a responsabilidade de ser a única pessoa que te liga ao mundo externo! Até pra escolher a cor da meia que usará na missa de domingo o faz ligar para a pobre infeliz!

Ou seja: você está em época errada! Fosse 1910, até teria muito respaldo social para agir assim. Porém, nesse mundo em que vivemos atualmente, felizmente atitudes como as suas estão sendo cada vez mais execradas! E isso é relativamente novo...

Acredite: você é motivo de lamúrias, choros e até de chacota com as amigas e familiares mais próximos. Eles sabem da sua forma de agir, se questionam como ela ainda está com você, mas não dizem nada em respeito a ela! Apenas e unicamente respeito a ela... porque você não está sendo digno de respeito.

O problema é o passado dela? Foda-se! Todos temos um e você, pelo visto, não fazia parte desse passado. E mesmo que tenha feito, ele permanece lá atrás, em seu lugar de direito. Agir como está agindo, mudará o que aconteceu? NÃO! Então, pra que continuar voltando lá, porra?

Muito do que fizemos em nossa vida nos trouxe onde nos encontramos hoje. Ela fez algo que, na sua concepção, foi errado na época? Foda-se de novo! Era uma opção dela e isso precisa ser respeitado... Se isso deixou consequências ou sequelas, ela sabe e está tentando corrigir seus erros!

Aprenda: você não é dono dela... ela tem uma vida à parte da sua e essa individualidade precisa ser respeitada. Ela não é obrigada a te contar tudo o que faz, nos mínimos detalhes! Preservar esse espaço é sua obrigação e seu dever. Alguém ligou pra ela? E daí? Só porque ligou quer dizer que ela esteja trepando com o cara? NÃO! Até porque se ela quiser fazer algo, fará e você nunca saberá. E se continuar agindo assim, ela talvez vá fazer, mesmo... você está estragando uma relação.

Entenda que ciúme é natural e pode ser até saudável numa relação. Mas é aquele ciúme bonitinho, de quando você fica puto porque um cara olhou pra ela e não aquele ciúme em que você a culpa pelo cara ter olhado. Notou a diferença?

Ser paquerada, ser olhada e cobiçada faz bem a uma mulher. Isso mantém o ego feliz, a auto-estima em dia e você irá usufruir desses benefícios. O fato de ser cobiçada não quer dizer que ela vá ceder aos que a desejam. Pare de ser infantil e engula isso!

Não confunda ciúmes com zelo. É preciso ser zeloso, cuidar da sua parceira, se preocupar com seu bem estar... mas sem querer ser aquele que dita o que faz bem ou o que faz mal!

Um ano já é algum tempo considerável para conhecer uma pessoa. E você já conseguiu modificar essa pessoa! Disse que ela mudou a forma de agir. É isso mesmo que quer pra vocês? Foi por essa mulher submissa que você se apaixonou? Essa mulher "modificada" pra agradar seu ciúme possessivo? Ou foi aquela que tinha personalidade e te chamou atenção entre as demais?

Quando saírem, não fique preocupado em ouvir aquela conversa ao pé de ouvido que ela está tendo com uma amiga. O assunto é delas e você nada tem a ver com isso. Elas podem estar falando de qualquer coisa, menos do carinha atrás de você que não tira os olhos delas. Acredite: estarão mais preocupadas em falar mal da amiga em comum que uma delas viu na rua outro dia e que estava gorda pra caralho!

Tente resgatar sua individualidade, saia sozinho, deixe ela sentir sua falta... e não permita que ela se modifique mais ainda apenas pra saciar sua insana mente. Não queira detalhes do dia-a-dia, não faça inquisições sobre o assunto tratado com outras pessoas, deixe que ela venha e te conte aquilo que ela julgar necessário.

Muito do que elas escondem de nós são banalidades que as envergonham... e mulher odeia demonstrar fragilidade! Escondem pelo medo do julgamento. E você agindo assim, apenas legitima tal medo!

Faça um teste: segure um punhado de sal em um balde com água. Quanto mais você o aperta, mais ele escapa de suas mãos. Faça uma conchinha, dando apenas uma base a ele, e o sal continuará contigo.
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