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“Tenho 20 anos, sou casada e saio com o tio do meu marido”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , , 6 comentários
Querido ogro!

Tenho 20 anos, sou casada há três, mas estamos juntos há cinco. No final de 2011, comecei a conversar com o tio do meu marido pelo MSN, ele é irmão do meu sogro e tem 31 anos. No começo, não era nada de mais, até que ele começou com umas indiretas e eu o cortava, mas não deixava claro que parasse com aquelas conversas. No começo do ano passado, tive uma briga com meu marido e acabei saindo de casa. Ele ficou com uma menina na rua, mas só a beijou e acabamos voltando.

Contei pro meu marido que o tio dele havia dado em cima de mim, ele não deu muita bola, mas contou pro pai dele. Eu e o tio continuamos nos falando, pois fiquei com raiva do meu marido ter ficado com outra. Dei bola para o tio e um mês depois saímos e ficamos em um motel. Depois continuamos a manter as conversas no Face, conversávamos a tarde toda. Ele namorava há alguns anos, mas parecia gostar de conversar comigo: dizia que passava o dia todo pensando em mim e eu também passava a noite pensando nele e não via a hora de poder falar com ele.

Mas um dia depois que saímos, meu marido abriu a lixeira do computador e viu algumas conversas pesadas dizendo que íamos sair e tudo o que se pode imaginar. Ele não viu as fotos que nos tínhamos trocado e nem a conversa do dia em que combinamos de nos encontrar...

Meu marido, claro, ficou louco. Eu disse que fiquei muito magoada quando ele tinha ficado com outra, mas não disse que tínhamos saído. Então apaguei o tio do meu Face... Passou um ano e nós nunca mais nos falamos. Nesse período, meu marido ficou com outra novamente, mas só de beijo de novo e eu, com raiva, contei que tinha transado com o tio. Aí terminei com meu marido e voltei novamente.

Depois deste um ano sem nunca mais nos falarmos, o tio foi morar com a namorada, mas eu sei que ele não tem muito desejo por ela, mas gosta dela assim como eu do meu marido. Eu o adicionei de novo e voltamos a conversar. Queria muito ter ele novamente e ele também queria. Aí conversávamos e eu o excluía toda semana. Há alguns meses, eu e meu marido fomos passear na casa de parentes dele e o tio estava lá. Me dava umas olhadas e eu também, tudo muito discreto.

No dia seguinte, ele mais do que depressa quis me ver. Minha intenção era esta mesmo, ir na casa dele pra atiçar. Então nos encontramos no mesmo dia e tudo foi maravilhoso, olhar nos olhos dele mexia com meu coração e eu disse que não viemos aqui nos olhar nos olhos, disse que não podia acontecer nada mais do que sexo, mas eu já estava caidinha por ele... mulher é boba! Foi tudo tão bom, ficamos umas duas horas juntos.

Meu marido meio que desconfiou de umas mensagens no celular, mas nada de muito revelador. Tive medo de que alguém descobrisse e eu ficasse como safada, aí contei pro meu sogro que o irmão dele dava em cima de mim. Meu sogro ligou pra ele e disse que meu marido e ele já sabiam de tudo, que era melhor botar uma pedra em cima e esquecer, mas que uma hora eles iam ter uma conversa séria. Então o tio me mandou uma mensagem dizendo: "o que você tá querendo? Por que disse pro teu sogro que eu tava dando em cima de você?". Enrolei e o fiz acreditar que era só desconfiança do meu sogro e que eu não havia falado nada.

Então criei um perfil falso para conversarmos, mas depois disso nada mais foi igual. Ele quase não entrava pra falar comigo e quando falava não era a mesma coisa, não mostrava interesse em mim. Mas os dia passaram e ele disse que ia entrar em férias e que poderíamos nos ver. Disse que não falava quase comigo porque não tinha tempo. Mas hoje ele diz que sente um desejo por mim e que um dia vamos sair de novo, mesmo ele sentindo muito medo.

Diz ainda que se não fosse proibido talvez não fosse querer tanto. Às vezes ele me irrita falando pra eu arrumar mais uma mulher pra ficarmos nos três e isso me deixa brava. Ele já insistiu várias vezes e disse que não vai mais tocar nesse assunto. Falou também que no começo do meu namoro com meu marido ele sentia desejo por mim e me achava gostosa e que sai só comigo, que ninguém o que porque ele é feio...

Então lá vão as minhas duvidas: querido mago, o que será que ele pensa de mim? Como ele me vê? Será que ele fica comigo só porque não tem outra opção a não ser a mulher sem graça dele? Ou será que ele só gosta de sentir o medinho do proibido? Ou será que ele sente algo mais e evita falar comigo pra não ficar mais envolvido? Me diz: o que você acha de tudo isso?

Minha cara jumenta;

Quer mesmo saber o que penso? Penso que você é burra e está brincando com coisa séria. Há limites pra tudo e você conseguiu extrapolar alguns apenas por birrinha de ciúme e chifradas trocadas. E está sendo iludida e usada e acaba usando isso pra alimentar seu ego, numa necessidade absurda de autoafirmação ante seu marido: “se você pode, eu também posso”.

Qual a razão de ter um “romance” (que de romance não tem nada) com um parente tão próximo? Você poderia ter isso com qualquer outro, mas não: opta por fazer na cara de todos e sempre se colocar como a vítima, que está sendo assediada e que não fez nada de mais pra isso acontecer, que está quieta no seu canto sendo a boa esposinha. Porra: menos, né!?

Está agindo como uma típica adolescente que faz joguinho pra massagear o ego, mas já tem 20 anos e é casada. Não dá mais pra brincar sem esquecer-se das consequências dos seus atos. Está se achando a espertona, mas está sendo usada por um cara que sabe que você vai cair em qualquer coisa que ele disser. O fato dele querer outra mulher junto apenas indica isso: você é tão somente a sobrinha gostosinha que ele fode de vez em quando. Isso também é bom pro ego dele, o faz se sentir “pegador pra caralho” e ainda te trata quase como uma puta, no mal sentido da palavra. Nada mais nelsonrodrigueano!

Mas você, no auge da sua experiência em manipulação, acredita que haja algo a mais nas posturas dele e banca a apaixonadinha. Inclusive trata com desdém a namorada dele, a tachando de “sem graça”. Acredite: a sem graça pra ele é você. Ele diz o que você quer ouvir e você cai como uma tonta. E enquanto for casada e for proibido, o tesão vai falar mais alto e ele pensará apenas com a mesma cabeça de sempre. O único diferencial seu é ser uma foda fácil e mais excitante por ser perigoso.

E você chega a ter um grau tão incrível de ingenuidade que se acha fodona e acredita que seu marido apenas tenha saído pra beijar as negas que beijou ano passado. Escuta: assim como você deu pra outro, ele também comeu outras. Mas isso não faz muita diferença: os dois estão brincando de casamento, mesmo... essa relação não existe, não é séria.

Mas como você agiria, por exemplo, se sua tia estivesse transando com seu marido? Iria se sentir como? Uma idiota, eu sei, mas como agiria? Iria sair com outro só pra dar o troco? E ficariam nesse círculo até quando?

O que te levou a conversar com o tio é justamente a imaturidade típica da sua idade: era adolescente na época, não tinha idade pra estar num casamento, tampouco em uma relação dita estável. Seu casamento é uma brincadeira de pós-adolescentes, mas estão levando isso a um nível perigoso e frágil demais. Lembre-se: tudo poderá, sim, estourar no seu colo justamente por ser mulher e estar provocando algumas reações do tio do seu marido. E certamente todos acusarão você e não tanto ele. Homem é meio corporativista nessa hora: sempre culpa a mulher por isso. E você não terá cu pra aguentar as consequências e dificilmente terá argumentos para se defender.

Para de usar a situação pra se sentir a bonitinha gostosinha assediada. Isso chega a ser ridículo até mesmo pra alguém aos 20 anos. Quer fazer, faça. Mas tenha, ao menos, a decência de terminar seu casamento. Não há amor e o respeito mútuo claramente se perdeu. O que te faz ainda estar casada? Comodismo? Manipulação?

E aposto que, ao se separar, o tio deixará de te procurar. Você perderá a graça. Ele irá alegar que precisa preservar a família dele agora e blá blá blá. Mas você será muito mais idiota se preferir se manter casada apenas para continuar a sair com alguém que não tem o menor respeito por você. Mas se nem você está se respeitando, como vai esperar isso dos outros, não?

Você está repetindo erro atrás de erro, de forma infantil e inconsequente. Larga a mão de ser criança mimada... porque é assim que tem se portado: uma criança que não quer perder o brinquedinho, mas também não abre mão de brincar com o brinquedo alheio e chora pra mãe quando dizem que foi você quem começou a briga!

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“Também comprometido, começou como aventura e rapidamente começamos a nos encontrar todo o final da noite todos os dias”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , 6 comentários

Querido Ogro, 
 
 Bom, nem sei por onde começar. Li alguns relatos aqui escritos e sinceramente nem sei muito bem o que espero ouvir de você, já que no fundo eu própria sei todas as respostas, apenas não quero ver ou tenho medo de ver a verdade.
 
 Vivo um relacionamento muito legal há alguns anos. Digamos que meu relacionamento é “perfeito” para todos que me rodeiam e eu adoro ele, mas a “menina mimada” aqui precisava de mais aventura, algo que me fizesse viver. Me envolvi com o pior de todos, sabia com quem estava lidando, conhecia ele. Também comprometido, começou como aventura, desejo e rapidamente começamos a nos encontrar todo o final da noite todos os dias. Mensagens para aqui, mensagens para lá, éramos como namorados, mas escondidos.
 
 O tempo foi passando e desde o inicio sabia que ele não era o tipo de homem que fica apenas só com uma mulher. Conhecia-o bem e não precisei de muito para descobrir as suas mentiras – mentiroso compulsivo -,  se metendo com outras mulheres, marcando outros encontros. Acedi às suas contas e descobri as suas traições à namorada desde o inicio. Apenas provei aquilo que teoricamente já sabia, né?
 
 Me afastei, sofri e voltei... Passamos um ano juntos e “separados” pelas nossas relações. Bom, mas estava tudo bem. Algumas discussões, mas sempre juntos. Até que ele foi viver para casa dos pais da namorada e aí quis me afastar, já que ele teoricamente passaria a ser “homem casado”. Me pediu para ficar, que tudo daria certo. No inicio comecei a perceber que ele estava todo entusiasmado com a nova vida e me senti sobrando na sua vida. Tentei me afastar, mas o que tínhamos vivido era mais forte do que eu.
 
 Até que percebi que, com o passar do tempo, seu entusiasmo para o lado de lá quebrou e ele se mostrava “mais apaixonado” por nós do que nunca. Me sentia feliz, tínhamos sempre nossas discussões, mas tudo bem... Até que, de repente, tudo mudou novamente: o cara carinhoso desapareceu, deixou de enviar SMS, se afastou. Mas covardemente continuava dizendo que me adorava, que me desejava, mas não poderíamos mais permanecer juntos. Corri atrás, por vezes penso até que me humilhei! E se te disser que sou “a gatinha” que todos babam e querem...
 
 Foi uma luta constante e pensei que tinha perdido. Mas não: todo o dia, novamente, tinha suas mensagens, tinha seus mimos e mais uma vez no final de algum tempo noto-o novamente mais frio e se afastando. As mensagens são apenas aquele contato para não me perder. Aqui nem digo todas as loucuras que fiz por ele, tudo o que passamos, tudo o que lutei para que mesmo traindo ele permanecesse comigo. Mas me sinto presa a um amor que é só meu, a uma paixão que me fez desistir de minha vida e não quero mais isto.
 
 Minha cabeça pensa assim e meu coração o quer e muito. Tenho medo de o perder, sim, mas acho que nunca o tive mesmo, né?! Preciso me afastar, mas como? Nem conto metade de meu sofrimento por um cara que a mim não é nada. Entrei numa guerra que nem me pertence, sabe?
 
 É tão ruim ver que eu não preciso dele para nada e não me consigo desprender dele. Sim, porque ele fica neste de “quero e não quero”, mas quando eu digo que desisti dele, ele insiste, insiste e insiste... O que eu faço para viver minha vida em paz sem ele? É estranho, mas eu vivi todo este tempo para ele e em função dele... Para quê? Estou desgastada e cansada.
  
Cara apaixonada idiota,

Se sabe as respostas, qual a razão de buscar outras perguntas? Se sabe mesmo o que está acontecendo, a atitude mais coerente e sensata seria justamente agir de acordo com o que já sabe, certo?

Errado.

Você não sabe o que acontece. Você se baseia no que sente e acha que isso está lhe dando todas as respostas necessárias. Mas não acredita no que está a se responder, por isso busca novos dilemas e novas dúvidas. Assim se mantém presa ao velho hábito de se vitimar para que não lide com as consequências dos seus atos. Às vezes até dá certo. Por um tempo.

Vejamos: está numa relação extraconjugal dupla. Você namora, ele também, praticamente casado. Chega a ser um clichê tão clássico que dispensa apresentações. O problema é que uma relação assim, com o passar do tempo, exige concessões demais e nem todos estão dispostos a ceder o suficiente. Uns não acham justo, outros simplesmente não aguentam a carga. E acredite: ainda não sofreu tudo o que uma relação assim é capaz de trazer.

A tua incoerência é gritante e inerente aos apaixonados funcionais: se mantém incoerente para alimentar a paixão com mágoa e dúvida. Quanto mais se rasga se cobrando respostas, mais se sente uma anti-heroína que sofre todas as dores do mundo por um amor incompreendido e não merecedor. O amaldiçoa por não dar valor ao que faz ao mesmo tempo em que o exalta como sendo a reprodução do melhor amor que já viveu.

Diz que o conhecia, que sabia onde estava se metendo, mas quando confirmou isso, se sentiu uma idiota por ter acreditado que poderia fazê-lo mudar. Achou que seria aquela que chega e transforma o vinho em água purificada, quase como um prêmio a ser erguido. Mas se realmente o conhecesse, não teria invadido suas contas e nem se chocado com as traições pródigas dele. Você achou que o conhecesse e se julgou acima do que realmente representava a ele. E foi aí sua primeira decepção, aquela que joga álcool em cima da chama da maior paixão que a sua vida já teve nos últimos dias ou nas últimas horas. (Sim, é efêmero a esse ponto).

O que quer que eu te diga? Que vale a pena lutar, que por ele você será capaz de se doar insanamente, sugando qualquer vestígio de energia que lhe restar para que, um dia, possam viver felizes e rindo dos tempos em que se encontravam escondidos, traçando os planos para o futuro?

Isso não vai acontecer.

Ele continuará a sair com outras, vai te manter assim como uma paixãozinha que alimenta o ego fragmentado dele. Ele não vai se separar da “quase esposa”, provavelmente casarão e manterão as aparências por anos até que um filho nasça. Assim, ele se sentirá ainda mais preso àquela relação e você continuará sendo uma das válvulas que liberam as frustrações dele.

Fosse uma relação realmente digna de ser suportada, você veria diferença no comportamento dele. Sentiria que valeria a pena porque teria mais elementos para seguir acreditando que algo maior aconteceria. Mas não: a tendência é cada dia mais se sentir renegada, esquecida, um pedaço de grama cercada que se mantém verde a espera de alguém que chegue e pule a cerca.

Reveja seus conceitos sobre relacionamento e o que deve esperar de alguém e como deve tratar alguém. Seu namoro não está bem, por isso precisou de algo fora. E quando encontrou, foi justamente aquilo que não te ajudou em nada. Tudo isso é sinal de que está se baseando em preceitos deturpados sobre o que é, de fato, uma relação saudável. É bem provável que você não tenha passado dos 30 e ele também. Isso pesa e muito na forma como analisa as pessoas e a forma como se entrega e o que espera receber de volta.

Você não lutou o suficiente porque não há batalha a ser travada. Não sofreu o bastante porque não vale a pena. Está apegada ao simples fato de não querer aceitar que não é única na vida de alguém e insiste em tentar ser essa pessoa quase que se enfiando goela abaixo dele. Aceite que você foi mais uma na lista dele, que assim como ele conseguia horário para te ver várias vezes durante a semana, ele também conseguia abrir espaço na agenda para alguma outra apaixonadinha como você. Porque se realmente valesse a pena, as posturas dele te dariam as respostas certas. Mas: será que já não deram? Hum...

Mas tenha um pouco de dignidade e resolva seu problema com seu namorado. Não vai querer mais esse peso na suas costas: o de manter uma pessoa que considera “boa e perfeita” em uma relação que claramente não tem futuro. Você não vê futuro nela, vai mantê-lo assim a troco de quê? Talvez pelo mesmo motivo que mantém o amante?

Está sofrendo a mesma coisa que está causando a outro.
Corte o ciclo e verá uma mudança em algum lugar.
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“Sou casada e meu marido me traiu. Eu o perdoei, mas desde então vivo sempre desconfiada”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , 29 comentários
Querido,

Tenho 30 anos, sou casada há cinco anos e há uns dois anos meu marido me traiu. Depois de muito choro e conversa eu o perdoei, mas desde então vivo sempre desconfiada, não consigo ser como antes. Se ele se atrasa do serviço já fico desconfiada, chego a ser paranóica! Não sei mais o que fazer, me ajude, por favor! Meu casamento vai acabar desse jeito e eu amo muito meu marido!

Querida,

Você vê como esse "perdão" não funciona? "Perdoa" pra tentar manter a convenção do seu casamento, mas depois disso vê que ele não existe mais da forma como existia. E nem voltará a existir. Você sempre irá desconfiar, vai surtar, vai alegar coisas para justificar a desconfiança. Mesmo que ele lhe seja fiel, viverá sob esse manto inquisidor e deverá agüentar calado, caso queira manter a relação ativa, de alguma forma.

Uma vez descoberta uma traição, quebra-se o vaso da relação. Você pode até tentar consertá-lo, mas toda vez que o vir exposto na sua estante, verá as marcas da cola e saberá que ele esteve quebrado. E vai preferir o vaso de antes. Mas aquele vaso está em cacos e assim permanecerá.

Você ama o que a sua relação representava, o que o seu marido representava: uma união, uma relação que te fazia bem. Agora ela não faz mais e você está afundando com ela. Infelizmente não há o que fazer: as coisas não voltarão a ser como antes para vocês e a tendência é piorar. Resta saber o quanto consegue ficar se respirar, já que estará atrelada a essa âncora um bom tempo ainda.

Você não o perdoou nem nunca perdoará. E é isso que não quer assumir para você. Ou aceita que não há mais aquela relação ou tenta viver sob essa hipocrisia do perdão: você perdoou o erro, mas não o errante.

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“Eu esperava aquele miserável que vem colocar todos os mortais que você conheceu até então no chinelo”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , 10 comentários
Querido Ogro:

Nunca acreditei na fidelidade masculina. Acho que foi uma maneira de criar uma defesa contra as coisas que eu “saberia” que enfrentaria durante a vida. É bem aquela coisa: homem não é fiel, pra que me desgastar com ciúmes e sofrimento e todas as decisões que implicariam acreditar que algum homem o seria e me decepcionar e sofrer e chorar e blá blá blá.

Bem, eu resolvi me preparar pro pior. Nenhum homem é fiel e devo levar minha vida de boa quanto aos “problemas” que surgirem. Mas toda máscara tem uma pegadinha nervosa, algo que vai te puxar pra baixo quando você menos espera, pois é, me pegaram. E pior, eu me peguei. Por mais que eu não quisesse acreditar no milagre da fidelidade sentimental AND sexual masculina, eu esperava o diabo do príncipe encantado, sim aquele miserável que vem colocar todos os mortais que você conheceu até então no chinelo.

Eu esperava por um homem que só quisesse a mim e que eu bastasse a ele. Daí começou a outra pegadinha da mascara da mulher-que-não-liga: EU, lógico o problema era comigo, tinha que ser a mais fogosa, a melhor dona de casa, a melhor profissional, a melhor cozinheira, a melhor mulher do mundo, pra garantir que aquele homem não precisaria de outra mulher. Lógico, o fato de um homem não ser fiel estaria diretamente ligado ao MEU potencial de atender todas as demandas sexuais, conjugais, sentimentais, etc etc etc... MAS QUE MERDA!!

Caiu, não funcionou. Eu fiz um modelo 2.0 da esposa perfeita que atendia TODOS os desejos do amado, que aceitava TODOS os devaneios e saídas... era a bacanuda. Pra melhorar a situação, sempre me senti atraída por mulheres e meu companheiro adorou a idéia do tal ménage, foi uma experiência maravilhosa pra mim, adorei sentir outras mulheres, eu realmente gostava daquilo, porém até aí me peguei em dúvida, pois a cada traição, era jogado na minha cara que ele ia “a caça” de mulheres pq EU gostava daquilo. Me senti culpada por querer isso, algo que eu achava bacana, virou um pesadelo. TOMEI NO CU, bem no cu não, nos córneos.... Não adiantou, fui traída, mas e aí? O que resolve?

Na busca maluca por alguém que só quisesse a mim e a mim somente, sem que eu tivesse que me tornar uma megera chata ditadora e controladora de passos eu só me fodia, não conseguia ser só eu, não conseguia relaxar, nunca me achava boa o suficiente.

Até que me senti bem, assim, do jeito que eu sou. Achei que poderia ter alguém meu, melhor que meu, COMIGO! Não importando meus defeitos e apesar deles me amando. Me respeitando em meus piores devaneios e compondo comigo uma história na qual eu estava inclusa, era aceita como eu sou.

Mas a ultima pegadinha foi que eu não me eduquei pra ser eu mesma, pra aceitar e acreditar que alguém pudesse me amar assim e cai na minha armadilha de não acreditar em mim, de não saber viver o diferente, o novo... Talvez por desconfiar que seria outra armadilha ou apenas por medo de me abrir e ver o que tem realmente dentro de mim.

Acordei, e ainda acho que talvez essa exceção esteja por aí. Mas vou colocar minha meia na lareira pro Papai Noel. Até ele chegar, gostaria de ler sua opinião sobre isso... vai que me convence de que exista mesmo. O homem fiel, não o Papai Noel. rs


Minha cara desconfiada desiludida,

Fidelidade é um assunto que vamos levar pra vida. Todo novo relacionamento haverá uma série de dúvidas baseadas em nossas próprias experiências. A tendência é a fatídica generalização. E generalizações são injustas, mesmo quando em um assunto tão delicado como esse. Comparações até são passíveis de existirem, mas generalizações não.

É preciso parar com essa história de que não há homem fiel. Entendo que seja muito difícil acreditar nisso, mas não dá pra achar que todos os homens do mundo são infiéis, mesmo que a esmagadora e alucinante maioria seja. Há exceções: um mesmo homem pode ter sido infiel a uma pessoa mas poderá ser leal a outra. Assim como aquele que hoje é fiel a alguém poderá não sê-lo a outro amanhã. É preciso levar em consideração uma coisa muito simples: em cada relação será uma nova relação com uma nova pessoa, por mais que ambos se baseiem em suas experiências passadas.

Dada a individualidade de cada relação, é prematuro ingressá-la já achando que será como a outra. E isso vale para ambas as alternativas: para aqueles que só tiveram relações leais e aos que só tiveram as infiéis. Ao começar um novo relacionamento, não dá pra esperar que seja igual ao anterior. Porque se for, o final será fatalmente igual.

Não há ninguém 100% fiel, mas há relações 100% fieis. E quando nessa relação fiel, o traidor da outra relação será fiel nessa atual. Entende a diferença? Ninguém é impassível de trair, mas também ninguém é passível de não-trair.

No seu caso, vejo que se baseou no que sempre ouviu dos outros, naquilo que eles se baseavam e formou um conceito próprio. Mas mesmo assim, esperava a porra da exceção que te desse um tapa na cara e gritasse para acordar para uma nova realidade, um novo padrão estabelecido em novos embasamentos.

Pensou que fosse um e o que encontrou? O mesmo de sempre. Pensou que fosse outro e o que veio? Novamente o mesmo de sempre. Tentou um outro e olha o que veio: de novo o de sempre! Assim, achou que apenas esse padrão lhe seria ofertado pela vida e deixou de esperar pela exceção, por mais que ainda sentisse a necessidade de sentir-se única para um homem e ver que o mesmo apenas teria desejo por você. Como seus homens não agiam assim, você se desapegou de esperar por mais, se contentou com o menos e acha que não merece nada além disso.

E se eu te disser que ainda não viu de tudo nessa vida? Que ainda não provou, pra valer, o gosto da lealdade de um homem que te ama? Que ainda não sentiu a sensação de fidelidade física e conceitual daquele que a ladeia? Pois se sentisse pra valer, saberia que há, sim, exceções para todas as regras, por mais lugar-comum que isso soe. E digo mais: não sentiu isso sem que precise se modificar em nada. Não precisará ser essa ou aquela: bastará ser você e isso será tudo o que ele precisará de você. Que seja honesta consigo mesma, que seja fiel aos seus sentimentos e aos seus desejos sobre o que esperar de alguém que alegue te amar.

O lance da fidelidade está ligada a lealdade e ao respeito. E você merece isso, creio que todos merecem. Mas aí vai do conceito de fidelidade-lealdade-respeito ao qual você espera do outro. Afinal, o teu homem pode até te trair, mas para que deixar isso claro nas atitudes e mostrar para você que fez isso e provar que ele pode ter outras mulheres? Isso não seria uma falta de respeito? Seria mais respeitoso ele te trair com outra mulher mas não deixar isso chegar aos seus ouvidos para não te machucar. Sei que é feio falar isso, mas seria mais respeitoso, sim!

Você se modificou e se adaptou ao que o outro esperava de alguém e o que aconteceu? Ele continuou a procurar outras. Se um dia ele perder, o que fará? Irá dizer que mudou, que não precisa de outras que será apenas você agora. Depois de um tempo ele volta pra zona de conforto e faz o que? Volta a agir de novo como antes, procurando outras mulheres. Vira um ciclo vicioso e pra que? Pra se satisfazer com pouco? Com metade? Ir dormir sabendo que não é o suficiente para ele e que não terá como ser única na vida dele?

Isso de trazer uma terceira pessoa pra relação sempre me soou muito delicado e complicado, pois abre esse precedente que abriu-se na sua relação: VOCÊ queria outra, logo ele também pode querer outra. Mas e se você quisesse outro? Ele aceitaria da mesma forma? A pergunta é retórica.

Homens tem tesão em duas mulheres juntas? Sim, a maioria tem. Mas eu não ficaria muito a vontade em saber que a pessoa que eu amo e que é dona do meu sentimento precisaria de outro alguém para satisfazer suas vontades. Seja essa outra pessoa um homem ou uma mulher. Para mim, é um terceiro em uma relação e isso demonstra que a relação está manca e carente de mais um pé. Claro que há exceções em toda relação e mesmo em uma assim seria preciso muita conversa e compreensão da coisa toda. Mas ao invés de me empolgar em ter outra mulher na minha cama, eu ficaria desconfortável ao saber que minha mulher precisa de outra pessoa.

Já traí, fui traído, fui fiel e senti fidelidade real na outra pessoa. Estive nos quatro lados dessas moedas. E sei que há, sim, como um homem ser fiel a uma mulher mesmo tendo sido infiel a outras. E há como uma mulher acreditar nessa fidelidade, mesmo tendo relações infiéis no passado. E tudo isso depende de uma única coisa: do sentimento que ambos nutrem.

Vou entrar no desgastado conceito de que se há amor, há fidelidade. Acreditei por anos que amor só existia entre mães e filhos. Para mim, por severos anos, apenas esse amor era real. E isso foi um conceito muito forte que me acompanhou e que baseei em minhas próprias experiências de que alguém só me amaria caso eu me modificasse e fosse diferente do que sou. Logo, essa pessoa nunca me amaria de fato, apenas amaria aquilo que eu me tornaria. Assim, qualquer pessoa poderia se tornar aquilo que ela esperava, então o amor não era por mim e sim pela idealização.

Mas um dia uma tijolada quebrou essa minha triste regra. Senti algo que para mim inexistia. E pago o preço até hoje por minha descrença. Acredito que seja assim agora com você: esperando essa tijolada que a faça rever todo um conceito. Mas nesse caso quem pagara o valor da sua descrença será ele.

Acredite que você mereça essa exceção. E ela existe. E justamente por se excetuar do restante é que é tão difícil de encontrar. Mas se eu tivesse desistido há tempos atrás, não teria sido surpreendido da forma tão agradável como fui. Será que você não devia esperar ser surpreendida positivamente também? Garanto que os efeitos serão benéficos e não terá mais medo de acreditar em algo tão surreal assim.

Outro dia li algo no Twitter mais ou menos assim: “Amar é permitir que alguém possa te magoar. E confiar que isso não vai acontecer”. Quando sentir-se amada e amar realmente alguém, verá que ele pegará esse seu medo de ser desacreditada e quebrar a cara novamente e o transformará em um novo conceito, em um novo padrão, onde poderá esperar de novo alguém que queira apenas você, que precise apenas de você e que te fará se sentir uma mulher única. E todos os demais serão exceções à sua nova regra. E você irá querer mais disso, mais dessa nova regra. E se sentirá tão bem e tão acolhida que não terá medo de ser quebrada por ele. Pois sentirá que isso não terá a menor chance de acontecer.

Sou dos mais descrentes que conheço e ainda assim fui surpreendido. Por isso posso dizer, sem medo de errar, que você fatalmente será surpreendida por alguém se confiar no que ele sente por você e no que você sente por ele. Ambos podem ter sido infiéis no passado, mas terão uma relação leal, baseada em preceitos básicos como a admiração, o respeito, o desejo, a sinceridade e a cumplicidade. Com tudo isso, duvido que haja espaço para uma terceira pessoa. Ou uma quarta... ou uma quinta...

Amar é um verbo que se conjuga na primeira e na segunda pessoa do singular da relação: eu e tu, apenas. Mas fidelidade é um conceito conjugado na primeira pessoa do plural do que ambos têm. É aquele “nós” que faz toda a diferença. Você só teve homens que não souberam conjugar os verbos certos contigo. Mas ainda chegará um que te trará os verbos novos, aqueles verbos que sempre esperou. Deixe o pretérito imperfeito para trás. Quem sabe algo mais-que-perfeito não te aguarda logo ali na esquina?

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“Isso desencadeou uma vida libertina, regada a todos os homens que eu quisesse ter, individualmente e grupalmente. Depois me senti vazia”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , , 3 comentários
Querido Ogro.

Eu sei que você tem questões muito mais urgentes do que a minha, portanto tentarei ser breve na minha história. No início desse ano, depois de um termino de namoro muito estraçalhador, resolvi mudar fisicamente e psicologicamente. Fui diagnosticada com depressão, comecei a tratá-la com remédios, iniciei uma dieta por contra própria e fazer exercícios. Nessa brincadeira perdi 13kg em 3 meses e ganhei uma auto-estima arrebatadora. Parecia que tinha me tornado outra, pois estava muito atraente e confiante.

Conheci um homem lindo numa festa e começamos a sair. Estava muito feliz, até o dia em que ele insinuou que queria me levar ao motel. Na época eu ainda era uma menina 'pudica', que não acreditava no sexo casual. Aconteceu que briguei com esse rapaz e não nos falamos mais. Por raiva de ter perdido um ótimo partido, resolvi aceitar o sexo casual pra minha vida. Sendo que isso desencadeou uma vida libertina, regada a TODOS os homens que eu quisesse ter, individualmente e grupalmente.

Essa época desenvolveu-se mim um tipo de 'ninfomania'. Depois de tanta festa e putaria, me senti vazia, à procura de um namorado bem legal pra mim. Depois de um tempo encontrei um rapaz fofo, e não esperei mais de 3 dias para pedi-lo em namoro. Porém, a minha 'ninfomania' não havia desaparecido, e demorou até que o meu corpo e a minha mente se acostumassem com um só homem, de sexo suave e seguro. Até os primeiros meses ele não acompanhava o meu ritmo e fui criando certas dúvidas quanto à esse namoro, mas que por agora digamos que foram superadas.

Porém, o pior aconteceu: parei de tomar meu remédio e engordei o que eu havia emagrecido e ainda mais um pouco. Meu desempenho no âmbito geral de vida diminuiu. A minha sede por sexo foi controlada, mas ainda sim maior do que sempre foi. Por esse motivo, têm sido um tarefa um tanto árdua permanecer fiel, pois eu não posso ver um cara interessante na rua que eu já o fito dos pés a cabeça. E já foi bem pior, a ponto de me molhar ao ver um cara bonito na rua.

Enfim, nessas últimas semanas conheci um rapaz bonitinho na minha turma da faculdade que com o passar do tempo, da convivência e dos trabalhos, começou a dar em cima de mim em peso. A princípio achava que não passava de brincadeira, pois minha auto-estima está baixíssima, apesar de ainda me achar um tanto bonita e atraente. O que acontece que ontem, depois da aula, quando fomos tomar umas cervas na casa de um amigo, entre brincadeiras e outras, estávamos sentados conversando e ele literalmente me atacou de uma forma um pouco bruta, e como eu já estava mais solta por causa da bebiba, o correspondi. E ficamos de tal forma que ele queria dormir comigo lá mesmo.

Meu tesão e minha safadeza quando bebo e quando me sinto auto-confiante fica tão grande, que me segurei para também não convidar o dono da casa, que é casado, para ficar comigo. Eu amo o meu namorado e estou me sentindo muito mal com essa situação, apesar disso me trazer um certo prazer.

O que eu quero dizer com esse testamento é, o que faço com essa 'ninfomania'? O que faço agora com o meu namorado? Conto o que houve? Por que não posso ser uma mulher normal, com um tesão normal?

Eu já sofri muito por causa disso, mas ainda assim tenho resquícios de toda essa ânsia dentro de mim. Pra você ter uma ideia, acredito que meu cunhado já tenha dado um certa bola pra mim e já sonhei que ficava com ele, o que seria absurdo! Eu quero voltar a ter uma libido normal e ser fiel. Não aguento pensar no fato que sou guiada mais pelo meu sexo do que pelo meu caráter. Está sendo muito difícil ficar recusando convites de ficantes passados e novos pretendentes. Fico muito tentada.

Bom, não sei mais o que dizer. Acredito que seja só isso. Saiu mais como um desabafo do que como uma dúvida. Espero que tenha sido bem clara e que possa me ajudar a alivar essa tensão que vivo na minha vida.

Um beijo grande e sucesso sempre.

Minha cara tarada,

Que fogo nessa buceta, hein, mulher? Isso é a alegria dos solteiros mas a perdição dos apaixonados... apaixonados por você, óbvio, não pela sua buceta.

Você compensou suas frustrações e carências no sexo. E da forma mais arrojada e despudorada possível, para que assim não fosse tomada por algo devastador como foi o fim do namoro que culminou nessa postura. Notou como foi só engordar de novo que sua libido ficou mais amena? Porque se sente feia, se sente não-desejada e, consequentemente, para de se estimular internamente. Foi só você emagrecer que foi compensar com todos. Individualmente e grupalmente (coçou a mão para pedir detalhes desse “grupalmente”, mas enfim...).

Alie a isso uma depressão recém-tratada, onde tudo na vida tem um gosto diferente depois e a vontade de compensar o tempo perdido fica aflorada. Como estava puta com o fim do namoro e com a vacilada na negativa ao sexo casual do homem lindo, foi tentar ser puta pra valer pra ver se deixava de ser burra. Aposto que usou essas exatas palavras: “vou deixar de ser burra pra aprender a curtir a vida e gozar enquanto é tempo”. Ou coisa parecida...

Você se jogou nessa devassa achando que a putaria toda iria compensar a perda da relação que para você era um porto, mesmo que à deriva. Ficou perdida e tentou se encontrar se perdendo. Porque já estava perdida, apenas não viu o caminho se perdendo ao longo dos meses. Estava atrelada a uma mentira certa que se tornou uma verdade falida.

É normal algumas mulheres – e homens – terem uma fase de tesão extremo, que trepariam até com poste só porque ele piscou pra você. Mesmo numa relação estável, a libido fica lá em cima e não há pau que dê cabo dessa porra toda. É natural, é saudável... desde que não desencadeie esses conflitos emocionais que tanto fodem sem foder (mesmo fodendo tanto). Olhar um cara bonito e se excitar é normal. Não se ache uma aberração por conta disso. Sua vizinha toda pudica faz o mesmo, sua mãe também, sua amiga, sua avó, sua sobrinha, sua...

Mas o fato de sentir esse tesão não quer dizer que precise fazer algo com ele. Pode fantasiar com o próprio namorado, oras. Ou se masturbar no banheiro do trabalho, da faculdade. Ou mesmo no trânsito, porra! Por que é difícil se manter fiel apenas porque sentiu atração por outro? Seja menos extremista, né!

Bom, aí chega o namoro novo. Em três dias, o pediu em namoro. Viu como compensa a frustração e carência? Seja em muitos homens ou em um só: vai com toda sede ao pote pra saciar a sede que não sabe do que é, apenas a sente. Compensa o vazio interno tentando se preencher de outros ou de um só. O princípio é o mesmo: sente sede e sai bebendo qualquer fonte só pra ver se isso vai saciá-la.

Não sacia. Vê como logo depois ficou em dúvidas sobre ele e a relação? Se tivesse esperado um pouco mais, veria que talvez ele fosse apenas fofo, mas não o suficiente pra ser um namorado de papel passado.

Voltam as dúvidas, volta a insegurança, volta a sede... e lá corre ela procurar outra fonte. Ou outras! Surge outro cara investindo, ela corre beber pra matar a sede – alegando baixa auto-estima – e o que volta com isso? A pseudo-saciedade. E depois, o que volta? A duvida, a incerteza... a sede!

É entrar na piscina e ainda pedir um chuveirinho.
Vê como é um processo cíclico?

A primeira coisa que precisa fazer é aceitar que essa condição é uma fase e não uma disfunção física ou mental. É mais fundo emocional do que você imagina. Na hora irracional do tesão, tente se perguntar o porque está daquele jeito. Do que exatamente sente falta e porque se sente tão impulsionada a ceder aos impulsos. Seja menos visceral pois já comprovou que depois se sente mal e a meia hora de putaria se transforma em semanas de arrependimento e agonia e auto-flagelação.

Talvez esse cara que esteja hoje seja apenas uma muleta emocional como todos os outros foram. E quando se vê sem elas, você sai mancando por aí, esperando que alguém a coloque de quatro para que não precise, naquele momento, caminhar sozinha.

Tente repassar o momento em que estava quando sua vida foi modificada por esse término de namoro que causou toda essa porralouquice. O momento em que estava e onde a relação estava seguindo na sua concepção. E como isso te afetou a ponto de se desfigurar tanto!

Se toda essa libertinagem te fizesse bem, eu nem falaria metade disso. Porque não é um comportamento recriminável se te faz bem e não causa mal a ninguém. Mas não é bom pra você... Pode ser para eles, que estão atrás de uma buceta fácil. Mas você precisa do colo, dos olhos, da voz, do ombro, do coração. Somente um pau está sendo pouco pra você.

Por que não tenta canalizar esse fogo todo com o namorado? O que ele não tem que todos os outros têm? Ou será que todos eles não têm algo em comum? Pode até ser uma buceta, vai saber... Já experimentou? Pode ser uma boa, viu?

O problema não está nos outros nem em você: o problema é que não sabe pra onde canalizar tudo isso que sente. Ao mesmo tempo que sente tudo, sente nada. E isso é foda, confunde a cabeça, o pau, a buceta, o coração e a puta que nos pariu, inclusive...

Descubra a fonte de sua sede e sua sede encontrará uma fonte.

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"Acabei um namoro de quatro anos e comecei a namorar outro. E voltei com o primeiro. Agora namoro ambos"

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , 6 comentários
Querido ogro, tenho dois namorados, o que eu faço?

No inicio desse ano acabei um namoro de quatro anos com um cara muito especial - vamos chamá-lo de Primeiro - e em março comecei a namorar outro rapaz - que vamos chamar de Segundo. Agora estou namorando os dois! Não sei o que eu faço e por enquanto vou empurrando com a barriga, sem resolver nada. Os dois são completamente diferentes, mas eu gosto de ambos.

O Segundo é mestrando, formado em engenharia na mesma universidade federal que eu entrei esse ano, mora sozinho e tem 26 anos. O Primeiro tem a minha idade, 23 anos, mora com os pais e fez curso técnico, ou seja, é mais operário, mas ainda assim está descobrindo o que realmente quer da vida. O Primeiro é um baita homem, dá gosto de ver, bonitão, forte, alto... enquanto o Segundo é magricelo até não poder mais e está ficando careca. Apesar disso, ele não é feio... só não é atraente!

Enquanto o Primeiro adora, assim com eu, experimentar coisas novas - lugares, comidas, posições – o Segundo gosta pouco de conhecer lugares e comidas diferentes. No sexo ele até gosta de variar... mas como ele é meio (total) nerd, não teve muitas experiências e não tem aquela pegada, mas se esforça, e já melhorou MUITO nesses meses.

Bom, o fato é que eu gosto mais do Primeiro por tudo que já vivemos juntos, acabamos ficando meio parecidos, tudo é muito mais legal com ele, porém parece que ele é muito influenciado por mim, em termos de objetivos, desenvolvimento pessoal e profissional e não me influencia muito. Enquanto isso, o Segundo não me parece tão divertido, nem tão "gostoso" e às vezes até meio irritante, mas me influencia positivamente e me faz ser um pouco mais racional, o que tem sido muito benéfico pra mim mesma.

O Segundo, que hoje é o namorado "oficial", não sabe do Primeiro, mas o Primeiro sabe do Segundo e diz que não vai tentar se afastar de mim por isso - desde que terminamos o namoro no inicio do ano, o máximo que ficamos sem nos falar foi umas 3 semanas - que vai deixar rolar, porque afinal eu sou uma influencia positiva pra ele.

Já o Segundo... coitado! Até já tentei terminar uma vez, estava dando todos os sinais e ele não percebia, começava a falar sobre o assunto e ele não entendia, até que falei diretamente e ele se sentiu completamente surpreendido! Ficou tão chocado que não entendeu direito a mensagem, não era isso que ele queria. Como eu não estava terminando porque eu achava que tinha que fazer isso, e sim porque o “certo” seria fazer isso, acabei voltando.

Eu que sempre namorei certinho fui me enrolar desse jeito. E agora? Fico com quem? Faço o que? Sigo o coração e fico com o namorado velho pra talvez nem funcionar? Ou uso a cabeça e fico com o namorado novo treinando a paciência?

Minha cara Dona Flor (lugar-comum demais te chamar assim, mas foi inevitável),

Em resumo: vivia uma relação estagnada, sem grandes perspectivas de crescimento, presa apenas ao tempo de convívio e ao fator sexual. Entrou na faculdade, conheceu alguém que a fez questionar alguns conceitos, que a fez pensar, que te cativou através do cérebro sem precisar passar pela buceta. O tesão que sente nele está em cima e não embaixo, enquanto o tesão no outro faz caminho inverso.

Largou o Primeiro por estar cansada de ser "mãe" dele. Começou a namorar o Segundo por ver que teria alguém seguro e decidido ao lado, te puxando pra frente, enquanto o Primeiro te deixava presa lá atrás. Mas sentiu falta da pegada do Primeiro, coisa que o Segundo não pode te dar. Um te dá o que o outro deixa faltar. O Segundo lhe soa mais mais desafiador, mais misterioso. O primeiro é mais certo, mais conhecido. Um compensa o outro. Pra você, seria ótimo ter ambos em um só. Nas isso só acontece em filme.

Isso é muito comum em universidades. Alguém entrar namorando, conhecer outra pessoa e administrar ambos por um período. Eu fiz isso por um ano quando estudei jornalismo. E outros casais da minha turma também. É um choque de realidades diferentes acontecendo em curto espaço de tempo. Entramos na faculdade querendo que um mundo novo se abra diante de nós. E ele se abre. Mas com ele, vem a renúncia ao mundo antigo. O processo é conflitante e angustiante. Levei dois anos pra assimilar isso.

Esse nó na garganta nada mais é que o conflito entre a razão e a emoção: o cérebro desce pra dar um pau no coração; o coração sobe pra tirar satisfações com o cérebro. Ambos se encontram no meio e o nó está feito!

O que deve fazer? Você está com os dois lados de uma mesma moeda. Mantenha os dois mais um tempo. Um dos lados vai desgastar e te mostrar pra onde ir. Se fica com o cara, se fica com o coroa... ou se troca de moeda.
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"O padre foi muito atencioso e sempre que retornava, ele me procurava. Nós nos beijamos na Praça de São Pedro e ele sabe que sou casada".

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , , 5 comentários
Querido Ogro.

Trabalho e realizo pesquisas fora do país, mas sempre volto ao Brasil. Há quase três anos, fui convidada para palestrar em Roma e como conheço alguns padres perguntei se algum indicaria um colega que estivesse por lá e que fosse brasileiro. Pois bem: recebi o contato, o padre foi muito atencioso e sempre que retornava, ele me procurava. Às vezes para passear, às vezes para conhecer a casa religiosa que ele mora (com outros tantos) ou eu o procurava para ter uma companhia ou para apresenta-lo aos meus amigos.

Passeamos muito, tomamos muitos porres juntos mas sempre amizade e companhia..ainda mais porque ele é da minha cidade, e cidade não tão pequena... todos meio que se conhecem mas nos conhecemos em Roma. Sempre muito simpático e atencioso. Ele é 5 anos mais velho do que eu e ainda somos jovens.. e tem quase 10 anos de sacerdócio.

Acontece que na última vez, agora em junho (após nove idas a Roma), perto da data que eu sairia rumo à Alemanha, nós nos beijamos na Praça de São Pedro! Nunca senti nenhum indicio de que ele se interessasse pro mim nesse tempo todo até essa ultima vez. Mas pensei ser coisa da minha cabeça até o beijo. Pensei que era só carencia dele sei lá... mas aconteceu!

Retornei recentemente ao Brasil, mas ele sempre me liga perguntando se estou bem, etc. O pior: ele sabe que sou casada (inclusive na igreja), conhece meu marido, familia... temos vários amigos em comum, batizou meu sobrinho, conheço a família dele, etc. Agora ele veio para o Brasil e logo que chegou ligou para mim. No nosso reencontro (e nas outras vezes que voltamos a nos encontrar) ficamos novamente!

E ele deixou explicito que me deseja mas me respeita muito... às vezes, quando estamos nos beijando, ele para e se vira, olha pra cima, se contorce e dá para notar que a vontade dele é transar comigo.. mas nunca comentou nada, só fala que pode fazer uma loucura.

Agora estou na dúvida: será carência, será que mexi com a libido do rapaz, será que ele é safadinho assim mesmo? O que será que ele quer? Pior: eu também quero (pois é, mexeu comigo) mas não quero perder o amigo... Se a transa for boa e depois acabar por razões de impossibilidade? Ou será que logo depois da transa ele me dará um fora?

Ou seja, estou confusa. Para piorar na hora dos beijos não sentimos culpa, mas será que depois da transa essa culpa não surgirá avassaladora? Será que ele só quer me comer?

Minha cara Maria Madalena,

Estás preparada para as pedradas? Sim, pois aquelas carolas baba-ovo de padre irão queimá-la numa fogueira em praça pública! Mas, felizmente, isso é algo metafórico, apenas... Na realidade, está realizando um fetiche que um monte de beata tem!

O que te incomoda mais: o fato dele ser padre e, portanto, "moralmente" condenável ou o fato de ser um cara fora do seu casamento te fazendo sentir coisas "socialmente" repreensíveis? Porque o único problema aparente que vejo é o fato de estar lidando com um aspirante à amante não o fato dele ser um "homem de Deus". (Porra, quantas aspas usei...)

Fosse ele seu mecânico ou seu advogado, suas dúvidas seriam as mesmas. Tipo: "é gostoso, dá vontade... mas e se levar um pé na bunda depois?". Não sei quanto tempo está casada, mas precisa ver quais fatores a levaram a se interessar por ele. Será que ele não apenas ofereceu aquilo que sente falta em casa? Ou estaria você precisando de algo novo, mesmo?

São dúvidas que precisa saber buscar suas raízes, onde começaram, o que motivou tais dúvidas e desejos surgirem. Está se apaixonando, se envolvendo sem sequer ter aproveitado, de fato! Isso é carência projetada!

O que ajuda é que ele por se padre, tem uma oratória bem treinada... e o próprio status acaba estimulando isso. Mas que padrezinho esperto filho da puta esse, hein? Isso só prova que está mais do que na hora da igreja católica rever esse arcaico conceito de padres não poderem se casar e tal. Eles fazem por baixo dos panos, sob o manto erótico do "homem intocável e proibido".

Me diga uma paróquia acima de qualquer suspeita e eu te mostrarei um pároco encoxando uma beata! É um exorcismo às avessas: tira o capeta, enfia o capeta, tira o demônio, enfia o demônio...

Ele quer só te comer? Sim, só te comer... Você é a primeira que o faz se sentir assim? Não, não é! E o fato dele ser padre não muda nada. Nesse caso, acaba sendo um agravante! Imagine que depois da foda ele sumirá alegando que "Deus mandou eu me afastar de você"! Ou então você está lá, de quatro pra ele, e o cidadão: "Ó, meu Deus... minha Nossa Senhora... Aleluia... ai, meu Santo Antonio!". O repertório de santos conhecidos por ele é extenso, pode ser bem cansativo esperar a homilia acabar!

Porra, és uma mulher viajada, estudada, bem-relacionada, aparentemente... Poderia fazer as coisas de uma maneira mais fácil pra você, não? Recomendo que assista "Amor Sem Escalas" e aprenda como se faz!
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"Decidi larga o namorado e ficar com o carinha. Começamos a namorar e, depois de um mês, ele começou a me tratar indiferente..."

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , 7 comentários

Querido Ogro...

Eu namorava e acabei conhecendo um cara que trabalhou comigo. Fiquei com ele, contei pro namorado, ele me perdoou e eu esqueci de vez esse "casinho". Só que ele continuou pegando no meu pé... nesse tempo, pisei nele mais do que tudo!

Decidi larga o namorado e ficar com o carinha. Começamos a namorar e, depois de um mês, ele começou a me tratar indiferente, fazia mil coisas pra me deixar magoada. Acabamos largando.

Durante um ano, praticamente, ficamos nessas idas e vindas. Há duas semanas nos encontramos, pois moramos na mesma cidade. Conversamos pra voltar... só que ontem eu acabei descobrindo que ele está com outra! Detalhe: essa outra é minha "amiga"!

O que devo fazer? Dizer que estou magoada com essa atitude? Deixar pra lá? Mandar um VTNC e me fazer de amiga, como se não estivesse sentindo nada?

Estou abrindo minha vida assim pra vc pq vc já me ajudou algumas vezes, e sei lá, sinto confiança nas coisas que vc fala e que, sem saber, me dá o maior puxão de orelha.

Queria que ele ficasse morrendo de ciúmes... ou até mesmo perceber a burrada que ele está fazendo...


Cara lesada:
É óbvio que o cara vai te tratar mal depois de ter largado o namorado... Nós, homens, gostamos da competição, de cobiçar o alheio, desejar aquilo que já tem dono. Queremos provar, aos outros e a nós mesmos, que podemos ser mais foda que o outro. (Não só nós, claro... vcs tb!)

Vc namorava, o carinha do trampo ficou interessado e vc deu bola. Saíram mas vc não largou o namorado. E pior: tratava ele mal! Adoramos ser pisado por uma mulher... isso nos faz pensar:

- PQP, pq ela não quis largar daquele mané pra ficar comigo? Ela já ficou comigo uma vez... pode ficar outras! Mas pq ela me deu bola uma vez e agora não me procura mais? Se ela gostou, pq me ignora? Pq demonstra interesse para, logo em seguida, sumir? FDP... preciso ter essa mulher pra mim! Acho que estou apaixonado!

(Sim, confundimos "paixão" com "tesão mal-correspondido")

Mas aí vc inverteu o jogo: caiu nas tentações, largou o namorado e ficou com ele. Ou seja: deu a ele o que ele queria... a vitória sobre outro homem e a autonomia sobre seus desejos! Tanto é que ele passou a te tratar diferente depois que começaram a namorar. Claro: vc deixou de ser um troféu almejado e agora apenas enfeita a estante, empoeirando-se. Deixou de ser algo impossível: transformou-se em realidade. E perdeu a graça...

Largaram. Mas ficavam nas idas e vindas. Óbvio: quem não gosta de ter um estepe pra quebrar o galho nas horas da seca? Mas, aí, resolvem voltar... só que vc descobre que ele está com outra. Ululante: ele quer manter viva a chama de que pode viver perigosamente, conquistando duas mulheres... Isso é genético: quanto mais "presas", mais respeitado ele se sentirá. Mesmo que nenhum idiota ao redor dele saiba. Basta que ele saiba e tá ótimo!

Agora, precisa definir o que quer fazer... ou o que sente por esse mané! Apenas saiba que tudo isso mudará caso vc encontre outro pelo qual vc se encante. Com isso, vc matará todos os coelhos numa voadora só: curará essa carência e esquecerá o outro... e melhor: matando-o de ciúmes!

Foda por foda, tem várias boas aí fora. Se quiser mesmo ficar com esse "espertão" (que quer te comer e continuar a comer a "amiga"), faça-o te merecer: deixe-o rastejar atrás de vc! Faça-o abdicar de tudo para ficar com vc... e ainda proponha um ménage com seu outro amigo de trabalho! Todos ganham!

E continue pisando, ignorando, dando atenção e depois a tirando... assim manterá seu "personal puppy" sempre de olho em vc!

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