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“Tenho 20 anos, sou casada e saio com o tio do meu marido”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , , 6 comentários
Querido ogro!

Tenho 20 anos, sou casada há três, mas estamos juntos há cinco. No final de 2011, comecei a conversar com o tio do meu marido pelo MSN, ele é irmão do meu sogro e tem 31 anos. No começo, não era nada de mais, até que ele começou com umas indiretas e eu o cortava, mas não deixava claro que parasse com aquelas conversas. No começo do ano passado, tive uma briga com meu marido e acabei saindo de casa. Ele ficou com uma menina na rua, mas só a beijou e acabamos voltando.

Contei pro meu marido que o tio dele havia dado em cima de mim, ele não deu muita bola, mas contou pro pai dele. Eu e o tio continuamos nos falando, pois fiquei com raiva do meu marido ter ficado com outra. Dei bola para o tio e um mês depois saímos e ficamos em um motel. Depois continuamos a manter as conversas no Face, conversávamos a tarde toda. Ele namorava há alguns anos, mas parecia gostar de conversar comigo: dizia que passava o dia todo pensando em mim e eu também passava a noite pensando nele e não via a hora de poder falar com ele.

Mas um dia depois que saímos, meu marido abriu a lixeira do computador e viu algumas conversas pesadas dizendo que íamos sair e tudo o que se pode imaginar. Ele não viu as fotos que nos tínhamos trocado e nem a conversa do dia em que combinamos de nos encontrar...

Meu marido, claro, ficou louco. Eu disse que fiquei muito magoada quando ele tinha ficado com outra, mas não disse que tínhamos saído. Então apaguei o tio do meu Face... Passou um ano e nós nunca mais nos falamos. Nesse período, meu marido ficou com outra novamente, mas só de beijo de novo e eu, com raiva, contei que tinha transado com o tio. Aí terminei com meu marido e voltei novamente.

Depois deste um ano sem nunca mais nos falarmos, o tio foi morar com a namorada, mas eu sei que ele não tem muito desejo por ela, mas gosta dela assim como eu do meu marido. Eu o adicionei de novo e voltamos a conversar. Queria muito ter ele novamente e ele também queria. Aí conversávamos e eu o excluía toda semana. Há alguns meses, eu e meu marido fomos passear na casa de parentes dele e o tio estava lá. Me dava umas olhadas e eu também, tudo muito discreto.

No dia seguinte, ele mais do que depressa quis me ver. Minha intenção era esta mesmo, ir na casa dele pra atiçar. Então nos encontramos no mesmo dia e tudo foi maravilhoso, olhar nos olhos dele mexia com meu coração e eu disse que não viemos aqui nos olhar nos olhos, disse que não podia acontecer nada mais do que sexo, mas eu já estava caidinha por ele... mulher é boba! Foi tudo tão bom, ficamos umas duas horas juntos.

Meu marido meio que desconfiou de umas mensagens no celular, mas nada de muito revelador. Tive medo de que alguém descobrisse e eu ficasse como safada, aí contei pro meu sogro que o irmão dele dava em cima de mim. Meu sogro ligou pra ele e disse que meu marido e ele já sabiam de tudo, que era melhor botar uma pedra em cima e esquecer, mas que uma hora eles iam ter uma conversa séria. Então o tio me mandou uma mensagem dizendo: "o que você tá querendo? Por que disse pro teu sogro que eu tava dando em cima de você?". Enrolei e o fiz acreditar que era só desconfiança do meu sogro e que eu não havia falado nada.

Então criei um perfil falso para conversarmos, mas depois disso nada mais foi igual. Ele quase não entrava pra falar comigo e quando falava não era a mesma coisa, não mostrava interesse em mim. Mas os dia passaram e ele disse que ia entrar em férias e que poderíamos nos ver. Disse que não falava quase comigo porque não tinha tempo. Mas hoje ele diz que sente um desejo por mim e que um dia vamos sair de novo, mesmo ele sentindo muito medo.

Diz ainda que se não fosse proibido talvez não fosse querer tanto. Às vezes ele me irrita falando pra eu arrumar mais uma mulher pra ficarmos nos três e isso me deixa brava. Ele já insistiu várias vezes e disse que não vai mais tocar nesse assunto. Falou também que no começo do meu namoro com meu marido ele sentia desejo por mim e me achava gostosa e que sai só comigo, que ninguém o que porque ele é feio...

Então lá vão as minhas duvidas: querido mago, o que será que ele pensa de mim? Como ele me vê? Será que ele fica comigo só porque não tem outra opção a não ser a mulher sem graça dele? Ou será que ele só gosta de sentir o medinho do proibido? Ou será que ele sente algo mais e evita falar comigo pra não ficar mais envolvido? Me diz: o que você acha de tudo isso?

Minha cara jumenta;

Quer mesmo saber o que penso? Penso que você é burra e está brincando com coisa séria. Há limites pra tudo e você conseguiu extrapolar alguns apenas por birrinha de ciúme e chifradas trocadas. E está sendo iludida e usada e acaba usando isso pra alimentar seu ego, numa necessidade absurda de autoafirmação ante seu marido: “se você pode, eu também posso”.

Qual a razão de ter um “romance” (que de romance não tem nada) com um parente tão próximo? Você poderia ter isso com qualquer outro, mas não: opta por fazer na cara de todos e sempre se colocar como a vítima, que está sendo assediada e que não fez nada de mais pra isso acontecer, que está quieta no seu canto sendo a boa esposinha. Porra: menos, né!?

Está agindo como uma típica adolescente que faz joguinho pra massagear o ego, mas já tem 20 anos e é casada. Não dá mais pra brincar sem esquecer-se das consequências dos seus atos. Está se achando a espertona, mas está sendo usada por um cara que sabe que você vai cair em qualquer coisa que ele disser. O fato dele querer outra mulher junto apenas indica isso: você é tão somente a sobrinha gostosinha que ele fode de vez em quando. Isso também é bom pro ego dele, o faz se sentir “pegador pra caralho” e ainda te trata quase como uma puta, no mal sentido da palavra. Nada mais nelsonrodrigueano!

Mas você, no auge da sua experiência em manipulação, acredita que haja algo a mais nas posturas dele e banca a apaixonadinha. Inclusive trata com desdém a namorada dele, a tachando de “sem graça”. Acredite: a sem graça pra ele é você. Ele diz o que você quer ouvir e você cai como uma tonta. E enquanto for casada e for proibido, o tesão vai falar mais alto e ele pensará apenas com a mesma cabeça de sempre. O único diferencial seu é ser uma foda fácil e mais excitante por ser perigoso.

E você chega a ter um grau tão incrível de ingenuidade que se acha fodona e acredita que seu marido apenas tenha saído pra beijar as negas que beijou ano passado. Escuta: assim como você deu pra outro, ele também comeu outras. Mas isso não faz muita diferença: os dois estão brincando de casamento, mesmo... essa relação não existe, não é séria.

Mas como você agiria, por exemplo, se sua tia estivesse transando com seu marido? Iria se sentir como? Uma idiota, eu sei, mas como agiria? Iria sair com outro só pra dar o troco? E ficariam nesse círculo até quando?

O que te levou a conversar com o tio é justamente a imaturidade típica da sua idade: era adolescente na época, não tinha idade pra estar num casamento, tampouco em uma relação dita estável. Seu casamento é uma brincadeira de pós-adolescentes, mas estão levando isso a um nível perigoso e frágil demais. Lembre-se: tudo poderá, sim, estourar no seu colo justamente por ser mulher e estar provocando algumas reações do tio do seu marido. E certamente todos acusarão você e não tanto ele. Homem é meio corporativista nessa hora: sempre culpa a mulher por isso. E você não terá cu pra aguentar as consequências e dificilmente terá argumentos para se defender.

Para de usar a situação pra se sentir a bonitinha gostosinha assediada. Isso chega a ser ridículo até mesmo pra alguém aos 20 anos. Quer fazer, faça. Mas tenha, ao menos, a decência de terminar seu casamento. Não há amor e o respeito mútuo claramente se perdeu. O que te faz ainda estar casada? Comodismo? Manipulação?

E aposto que, ao se separar, o tio deixará de te procurar. Você perderá a graça. Ele irá alegar que precisa preservar a família dele agora e blá blá blá. Mas você será muito mais idiota se preferir se manter casada apenas para continuar a sair com alguém que não tem o menor respeito por você. Mas se nem você está se respeitando, como vai esperar isso dos outros, não?

Você está repetindo erro atrás de erro, de forma infantil e inconsequente. Larga a mão de ser criança mimada... porque é assim que tem se portado: uma criança que não quer perder o brinquedinho, mas também não abre mão de brincar com o brinquedo alheio e chora pra mãe quando dizem que foi você quem começou a briga!

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"Namoramos cinco meses e fui a primeira mulher dele. Ao início, ele andava maravilhado, mas passado uns tempos foi começando a ficar diferente"

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: 4 comentários
Querido Ogro,

Sou portuguesa e descobri este magnífico blog, espero que também responda aos portugueses, porque como este blog nunca encontrei nenhum, fiquei fã!

Vou falar do meu relacionamento com o meu ex-namorado: eu ainda gosto bastante dele e estou a sofrer horrores porque ele já não sente o mesmo por mim. Namoramos cinco meses e fui a primeira mulher dele (temos ambos 24 anos). Ao início, ele andava maravilhado, apaixonado, fazia tudo por mim, mas passado uns tempos foi começando a ficar diferente e a dizer que queria começar a divertir-se mais com os amigos.

É uma injustiça isto, estou revoltada e gosto dele como nunca gostei de ninguém. O que faço à minha vida? Andamos a sete meses só como "amigos coloridos" depois de meses de namoro. Ontem estivemos juntos e ele disse que não queria que eu gostasse dele porque ele não sente o mesmo e assim não consegue andar com a vida dele para a frente.

Eu fiquei com tanta raiva. Ele pediu-me em casamento, passamos cinco meses lindos... eu não percebo o que houve. Ajude-me a tentar entender, por favor, porque eu penso que por ele ter iniciado a sua vida sexual agora quer mais mulheres é isso? (Eu é que já não era virgem)

Obrigado e beijinhos.

Minha cara lusitana iludida;

Pois é: brasileira, portuguesa, alemã, sereia, marciana... todas acabam se pegando nessas histórias fantasiosas que criamos na cabeça em relação ao amor. Eu entendo, sou meio mulher nessa porra também...

O que acontece é o pior que pode acontecer a alguém apaixonado: a outra pessoa simplesmente não te ama e a paixão acabou. Ele gosta, sim, do sexo e por isso a mantém como uma foda fácil e esporádica. Mas não é o bastante para fazê-lo assumir um compromisso com você. Dói, é horrível conceber essa ideia do fim, mas está terminado.

E convenhamos: vocês namoraram por cinco meses, apenas. Tenho coisa na minha geladeira que está lá há mais tempo que a relação de vocês e nem por isso estragou da forma como a sua estragou. Para de colocar esses meses como se fossem uma vida porque não são!

O que acontece é que você se iludiu com o fato de ter sido a primeira dele e isso fez com que você se sentisse a única. Sim, foi a única a tirar o cabaço dele e agora outras irão desfrutar do caminho que você abriu. Conviva com isso: você foi a primeira foda dele, ele se apaixonou um pouco por conta do sexo, se deixou levar enquanto o pau estava duro e agora está partindo para outras.

E o melhor da história é que ele deixa isso claro pra você, que não gosta de você o suficiente, que gosta da transa contigo e que vai sair com outras. Não está sendo cafajeste nem inventando histórias românticas só pra te comer enquanto você fica lá, flutuando com falsas declarações. Se você tiver condições de aturar isso, continue a trepar com ele e ponto. Mas não fique com esse papinho de apaixonadinha enganada.

Você quem está criando um mundo onde não há elementos para você sustentá-lo. Tenha raiva dele, saia com outros, se desapegue daquilo que nunca existiu como você julgou existir. Aposto que tem algum brasileiro por aí que a fará esquecer rapidinho o gajo!

Tome um último porre por ele, vire uma boa garrafa do Porto pra garganta, chore tudo o que tiver de chorar e limpe o rosto e prometa a você nunca mais chorar por esse cidadão. Que essa seja sua última lágrima por ele.

E aposto contigo: após essa mudança de postura, ele fatalmente irá te notar diferente e voltará a correr atrás querendo não só o sexo, mas sua atenção em geral. E aí será sua vez de desdenhar, de ignorar e deixar claro que está em outra. Ou em outras.

No final, você verá o quanto de falta não sentirá dele.

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“Também comprometido, começou como aventura e rapidamente começamos a nos encontrar todo o final da noite todos os dias”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , 6 comentários

Querido Ogro, 
 
 Bom, nem sei por onde começar. Li alguns relatos aqui escritos e sinceramente nem sei muito bem o que espero ouvir de você, já que no fundo eu própria sei todas as respostas, apenas não quero ver ou tenho medo de ver a verdade.
 
 Vivo um relacionamento muito legal há alguns anos. Digamos que meu relacionamento é “perfeito” para todos que me rodeiam e eu adoro ele, mas a “menina mimada” aqui precisava de mais aventura, algo que me fizesse viver. Me envolvi com o pior de todos, sabia com quem estava lidando, conhecia ele. Também comprometido, começou como aventura, desejo e rapidamente começamos a nos encontrar todo o final da noite todos os dias. Mensagens para aqui, mensagens para lá, éramos como namorados, mas escondidos.
 
 O tempo foi passando e desde o inicio sabia que ele não era o tipo de homem que fica apenas só com uma mulher. Conhecia-o bem e não precisei de muito para descobrir as suas mentiras – mentiroso compulsivo -,  se metendo com outras mulheres, marcando outros encontros. Acedi às suas contas e descobri as suas traições à namorada desde o inicio. Apenas provei aquilo que teoricamente já sabia, né?
 
 Me afastei, sofri e voltei... Passamos um ano juntos e “separados” pelas nossas relações. Bom, mas estava tudo bem. Algumas discussões, mas sempre juntos. Até que ele foi viver para casa dos pais da namorada e aí quis me afastar, já que ele teoricamente passaria a ser “homem casado”. Me pediu para ficar, que tudo daria certo. No inicio comecei a perceber que ele estava todo entusiasmado com a nova vida e me senti sobrando na sua vida. Tentei me afastar, mas o que tínhamos vivido era mais forte do que eu.
 
 Até que percebi que, com o passar do tempo, seu entusiasmo para o lado de lá quebrou e ele se mostrava “mais apaixonado” por nós do que nunca. Me sentia feliz, tínhamos sempre nossas discussões, mas tudo bem... Até que, de repente, tudo mudou novamente: o cara carinhoso desapareceu, deixou de enviar SMS, se afastou. Mas covardemente continuava dizendo que me adorava, que me desejava, mas não poderíamos mais permanecer juntos. Corri atrás, por vezes penso até que me humilhei! E se te disser que sou “a gatinha” que todos babam e querem...
 
 Foi uma luta constante e pensei que tinha perdido. Mas não: todo o dia, novamente, tinha suas mensagens, tinha seus mimos e mais uma vez no final de algum tempo noto-o novamente mais frio e se afastando. As mensagens são apenas aquele contato para não me perder. Aqui nem digo todas as loucuras que fiz por ele, tudo o que passamos, tudo o que lutei para que mesmo traindo ele permanecesse comigo. Mas me sinto presa a um amor que é só meu, a uma paixão que me fez desistir de minha vida e não quero mais isto.
 
 Minha cabeça pensa assim e meu coração o quer e muito. Tenho medo de o perder, sim, mas acho que nunca o tive mesmo, né?! Preciso me afastar, mas como? Nem conto metade de meu sofrimento por um cara que a mim não é nada. Entrei numa guerra que nem me pertence, sabe?
 
 É tão ruim ver que eu não preciso dele para nada e não me consigo desprender dele. Sim, porque ele fica neste de “quero e não quero”, mas quando eu digo que desisti dele, ele insiste, insiste e insiste... O que eu faço para viver minha vida em paz sem ele? É estranho, mas eu vivi todo este tempo para ele e em função dele... Para quê? Estou desgastada e cansada.
  
Cara apaixonada idiota,

Se sabe as respostas, qual a razão de buscar outras perguntas? Se sabe mesmo o que está acontecendo, a atitude mais coerente e sensata seria justamente agir de acordo com o que já sabe, certo?

Errado.

Você não sabe o que acontece. Você se baseia no que sente e acha que isso está lhe dando todas as respostas necessárias. Mas não acredita no que está a se responder, por isso busca novos dilemas e novas dúvidas. Assim se mantém presa ao velho hábito de se vitimar para que não lide com as consequências dos seus atos. Às vezes até dá certo. Por um tempo.

Vejamos: está numa relação extraconjugal dupla. Você namora, ele também, praticamente casado. Chega a ser um clichê tão clássico que dispensa apresentações. O problema é que uma relação assim, com o passar do tempo, exige concessões demais e nem todos estão dispostos a ceder o suficiente. Uns não acham justo, outros simplesmente não aguentam a carga. E acredite: ainda não sofreu tudo o que uma relação assim é capaz de trazer.

A tua incoerência é gritante e inerente aos apaixonados funcionais: se mantém incoerente para alimentar a paixão com mágoa e dúvida. Quanto mais se rasga se cobrando respostas, mais se sente uma anti-heroína que sofre todas as dores do mundo por um amor incompreendido e não merecedor. O amaldiçoa por não dar valor ao que faz ao mesmo tempo em que o exalta como sendo a reprodução do melhor amor que já viveu.

Diz que o conhecia, que sabia onde estava se metendo, mas quando confirmou isso, se sentiu uma idiota por ter acreditado que poderia fazê-lo mudar. Achou que seria aquela que chega e transforma o vinho em água purificada, quase como um prêmio a ser erguido. Mas se realmente o conhecesse, não teria invadido suas contas e nem se chocado com as traições pródigas dele. Você achou que o conhecesse e se julgou acima do que realmente representava a ele. E foi aí sua primeira decepção, aquela que joga álcool em cima da chama da maior paixão que a sua vida já teve nos últimos dias ou nas últimas horas. (Sim, é efêmero a esse ponto).

O que quer que eu te diga? Que vale a pena lutar, que por ele você será capaz de se doar insanamente, sugando qualquer vestígio de energia que lhe restar para que, um dia, possam viver felizes e rindo dos tempos em que se encontravam escondidos, traçando os planos para o futuro?

Isso não vai acontecer.

Ele continuará a sair com outras, vai te manter assim como uma paixãozinha que alimenta o ego fragmentado dele. Ele não vai se separar da “quase esposa”, provavelmente casarão e manterão as aparências por anos até que um filho nasça. Assim, ele se sentirá ainda mais preso àquela relação e você continuará sendo uma das válvulas que liberam as frustrações dele.

Fosse uma relação realmente digna de ser suportada, você veria diferença no comportamento dele. Sentiria que valeria a pena porque teria mais elementos para seguir acreditando que algo maior aconteceria. Mas não: a tendência é cada dia mais se sentir renegada, esquecida, um pedaço de grama cercada que se mantém verde a espera de alguém que chegue e pule a cerca.

Reveja seus conceitos sobre relacionamento e o que deve esperar de alguém e como deve tratar alguém. Seu namoro não está bem, por isso precisou de algo fora. E quando encontrou, foi justamente aquilo que não te ajudou em nada. Tudo isso é sinal de que está se baseando em preceitos deturpados sobre o que é, de fato, uma relação saudável. É bem provável que você não tenha passado dos 30 e ele também. Isso pesa e muito na forma como analisa as pessoas e a forma como se entrega e o que espera receber de volta.

Você não lutou o suficiente porque não há batalha a ser travada. Não sofreu o bastante porque não vale a pena. Está apegada ao simples fato de não querer aceitar que não é única na vida de alguém e insiste em tentar ser essa pessoa quase que se enfiando goela abaixo dele. Aceite que você foi mais uma na lista dele, que assim como ele conseguia horário para te ver várias vezes durante a semana, ele também conseguia abrir espaço na agenda para alguma outra apaixonadinha como você. Porque se realmente valesse a pena, as posturas dele te dariam as respostas certas. Mas: será que já não deram? Hum...

Mas tenha um pouco de dignidade e resolva seu problema com seu namorado. Não vai querer mais esse peso na suas costas: o de manter uma pessoa que considera “boa e perfeita” em uma relação que claramente não tem futuro. Você não vê futuro nela, vai mantê-lo assim a troco de quê? Talvez pelo mesmo motivo que mantém o amante?

Está sofrendo a mesma coisa que está causando a outro.
Corte o ciclo e verá uma mudança em algum lugar.
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“Então descobri que ela foi abusada pelo próprio pai dos 6 aos 11 anos. De uns meses pra cá, ela já não quer mais fazer sexo”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , , 4 comentários
Querido Ogro,

Bom, namoro uma menina que foi abusada sexualmente e agora percebi que nosso relacionamento depende de mim para ajudá-la, pois creio que ela ainda tem trauma.

Há um ano comecei a namorar essa menina de 15 anos que sempre queria ficar comigo. Já no nosso primeiro encontro fizemos sexo e depois disso fazíamos quase todos os dias. Ela nunca tomava a iniciativa, mas sempre que eu perguntava se queria ela dizia que sim, mas ela só fazia isso porque ela queria mesmo me conquistar. Então descobri que ela foi abusada pelo próprio pai dos 6 aos 11 anos, quando conseguiu fugir do pai e foi morar com a mãe.

Desde que eu soube disso odiei mais o pai dela mais do que ela mesmo, só não torturo ele até a morte porque primeiramente não quero ser preso e porque acredito na justiça de Deus.

Em meio a essas transas descontroladas, tivemos uma filha. Eu com 20 anos e ela com 16, hoje nossa filha está com quatro meses e somos felizes, pois logo vamos nos casar. Mas na verdade é uma busca pela felicidade: aprendi a amá-la e quero dar a ela uma vida melhor. Sofreu muito e sei que sem mim iria sofrer mais: tirei ela das bagunças da rua, fiz dela uma mulher responsável, mas tem um fantasma que impede a nossa real felicidade.

De uns meses pra cá, ela já não quer mais fazer sexo e quando fazemos (raramente), mesmo com muito tesão, fica pedindo pra parar e eu continuo e ela gosta muito, a ponto de falar que esta ficando louca de tesão, mas logo para e não quer mais. Analisando os fatos, constatei que isso são traços do trauma: ela me disse que é porque tem medo de se entregar pra mim.

Eu sempre analisei esse comportamento dela e vou descrevê-lo e peço ajuda para obter uma solução: percebi que ela tem medo de sentir prazer, ela luta contra o prazer, quando a masturbo e ela começa a sentir prazer, logo pede para parar e tira minha mão. Me disse que as vezes fica planejando fantasias sexuais para fazer comigo, mas que quando está na minha presença essas vontades acabam (bom, talvez ela não esteja mais gostando de mim).

Essa semana quase nos separáramos. Sempre que falamos sobre essa falta de desejo dela pelo sexo, diz que não me merece e que é melhor largá-la e achar alguém que me satisfaça. Não sei dizer ao certo se isso é um trauma do abuso sofrido - pois já se passaram cinco anos do ocorrido -, se ela tem algum problema ou se apenas não me ama mais. Tudo que sei é que é estranho ela sentir prazer e lutar contra esse prazer.

Então peço, por favor, que me ajude, pois é o futuro de três pessoas que está em jogo.

Talvez ajude no diagnostico: ela disse que quando está fazendo sexo e está sentindo o maior prazer, de repente o prazer acaba e dá vontade de parar na hora. Olha preciso ajudá-la, mas não sei exatamente como, não sei se paro de tentar fazer sexo com ela e de estimulá-la sexualmente, ou se continuo. Por favor me ajude a ajudá-la.


Meu caro moleque,

Vamos lá: primeiro me desculpe pela demora. Anda foda conseguir lidar com algumas coisas por aqui e preciso me recolher um tempo para conseguir ao menos responder algo. Acredite: as dores dessas meninas doem em mim pra caralho!

Outra coisa: não há um "diagnóstico" pois não sou profissional da área. Apenas tento encaminhar alguma luz de pensamento que possa ajudar a buscar mais respostas. É um palpite, um chute, uma tentativa de ajudar alguém a fazer algo bom por ele mesmo. Por isso um profissional da área é sempre indicado. Ainda mais por ela ser tão nova...

O que me contou é algo natural em quem sofreu um abuso tão cedo e por alguém que deveria ser uma referência para ela e que, infelizmente, se tornou uma referência negativa. E quem paga o pato por isso são as outras presenças masculinas na vida dela. No caso, você.

E independe o tempo que passe: isso é algo que trará muitos problemas emocionais a ela até conseguir lidar de alguma forma com isso. Veja o caso da Xuxa: só hoje, quase aos 50, é que conseguiu contar sobre os abusos sofridos até os 13 anos. Veja bem: mais de 30 anos depois e ela ainda se sente mal e machucada e insegura. Viu como o tempo não quer dizer nada? Os cinco anos da sua namorada podem significar apenas meses... as lembranças ainda estão muito presentes e marcadas na pele e no emocional.

Vejo que é novo ainda, um moleque praticamente, e já está com essa preocupação de ajudá-la e esse peso de criarem uma criança sendo tão novos ainda. Isso amadurece, força um amadurecimento que às vezes assusta e sufoca. É como se não tivesse tempo de ser inconsequente, apesar de terem sido quando não usaram a porra da camisinha. Enfim, ainda assim, realmente me alegra ver que busca uma forma de ajudá-la efetivamente. Só isso já é um grande passo, meu caro... muitos no seu lugar simplesmente deixariam de lado. Sim, conheço muitos assim, que por muito menos abandonaram muito mais! Só tome cuidado com essa coisa do “eu fiz”, “eu tirei”, “sem mim ela sofreria mais”. Pega leve nessa, pois pode soar como heroísmo demais e isso tira um pouco do mérito do que fez junto a ela.

Voltando: o desejo dela existe, mas o bloqueio emocional também. Ela se excita, o corpo responde, a vontade permanece... mas ao menor sinal de lembrança do que aconteceu, rapidamente tudo muda. E é em questão de segundos mesmo.

Imagine um exemplo: você está dirigindo uma rua e ao escutar um rojão você bate o carro e mata alguém. Isso vira um trauma para você e toda vez que estiver dirigindo tranquilamente, se escutar um rojão, se lembrará na hora do acidente. Mesmo passado anos, ainda terá essa marca no seu inconsciente. Rojão e direção te lembrarão a morte que causou... e o trauma que ficou.

Com ela é o mesmo: o dirigir é o sexo e o rojão é a memória do abuso sofrido. Quando a memória explode, ela quer parar de dirigir na hora por medo de matar mais alguém. No caso dela, o medo é de ser abusada novamente. E a culpa não é sua. É do filho da puta do pai dela...

Lembre-se de que ela tem apenas 16 anos, com uma filha já nos braços e a presença de um trauma muito forte. Era pra agora estar se soltando e se descobrindo sexualmente, conhecendo melhor o que gosta e não gosta, sabendo as preferências, desbravando o desejo e criando referências sexuais. Mas não: já precisa lidar com esse peso de uma lembrança tão massacrante.

O que fazer? Tenha calma. Não ache que ela não tem mais desejo por você ou que não te ame. Sexo é fundamental numa relação, ainda com um casal tão jovem, mas é preciso respeitar a dor dela. Ela não quis isso, se sente envergonhada pelo que passou e se culpa. Certamente, em algum dos abusos, ela por ventura deve ter sentido algum prazer ou algo perto disso. Não porque quis ou porque gostou, mas por ser algo físico e que não há muito como controlar essa parte.

Não digo que ela gozou ou sentiu prazer, mas uma sensação próxima a isso pode ter acontecido. Uma criança que gosta do carinho da mãe e do pai nas costas sente prazer naquilo e é um prazer não-sexual. E ela sentirá o mesmo caso alguém a acaricie nas costas do mesmo jeito, mas com malícia, entende?

Por isso ela se trava ao sentir prazer. Porque, de alguma forma, arremete a algo que ela sentiu no passado. Ela tinha 6 ano, era inocente, ingênua e sem nenhuma malícia. E, geralmente, os abusos começam assim: com um carinho aparentemente sem intenção clara do agressor, para não assustar e chocar a criança. Ainda mais um carinho vindo de um pai... Por um tempo, para ela, aquilo foi normal e natural, até que sentiu que era algo errado. Foi aí que marcou negativamente.

Quer mesmo ajudá-la? Respirem, sentem-se juntos e conversem de boa. Sem pressão por respostas, sem necessidade de progresso imediato. Apenas converse, ouça o que ela sente e o que ela quiser desabafar. Se for algo totalmente fora do acontecido, deixe rolar. Às vezes algumas mulheres precisam dessa fuga para conseguir respirar. “Fugir” do problema por ora, sabe?

Procurem um psicólogo, será bom pra ela ter outra figura de autoridade ajudando. Ela esteve esse tempo todo sem essa matriz, a dela ruiu com o que o pai fez e todos precisamos de pilares morais. Não sei como a mãe lidou com isso, mas mesmo que tenha feito o máximo que pode, ainda assim a lacuna do pai está destruída e vaga.

No sexo: quando ela pedir pra parar, pare. Deite, dê carinho, um abraço e um beijo apenas. Se ela te afastar nessa hora, diga que tudo bem, que estará ali ao lado caso ela precise. A cubra com um lençol e fique ali, quieto. Não force, não ache que é algo com você. Não é. Ela só precisa respirar nessa hora.

Há muito a superar e realmente espero que você consiga aguentar.
É difícil, mas igualmente recompensador.

Ter a plena confiança de alguém que passou por algo assim é das coisas mais gratificantes que já tive na vida. E conseguir ver um sorriso satisfeito no rosto dessa menina é o que faz tudo valer a pena.

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“Tenho 28 anos e até então nunca tinha me relacionado com mulheres. Gosto dela mas continuou sentindo desejos por homens”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , 1 comentários
Querido Ogro,

Vivo um constante dilema em minha vida. Há quatro anos deixei a casa dos meus pais para viver com uma mulher. Tudo aconteceu MUITO rápido, com 10 meses de relacionamento eu já estava morando com ela. Tenho 28 anos e até então nunca tinha me relacionado com mulheres, apenas homens.

Meu último relacionamento com um homem durou dois anos, eu era muito apaixonada por ele, mas foi uma grade decepção amorosa. Passei uns três meses de “luto” após o término. Tinha dificuldades de me envolver com outros homens, pois tinha a expectativa de voltar com ele ainda. Passado o luto, continuei tendo dificuldades de me relacionar com homens, não sei explicar ao certo, pois não era por falta de “demanda”, me considero uma mulher interessante e sempre existem rapazes (até hoje) que me assediam bastante. Meu relacionamento com ela não é “aberto”, pois nossas famílias não aceitariam nunca e também porque não sei se é realmente isso que quero para a minha vida. Então vivemos meio “enclausuradas”, poucas pessoas sabem do nosso relacionamento.

Bom, mas meu principal dilema é: eu gosto dela, acho que amo, mas continuou sentindo desejos por homens. Já entrei em crises de depressão, pois sempre sonhei, desde pequena em casar, ter filhos e com ela é tudo muito complicado e sinceramente eu nem sei se encararia montar uma família, com filhos, em um relacionamento assim. Se eu pudesse escolher, escolheria hoje estar casada com um homem e com os filhos que sempre desejei ter.

Hoje não sei se o que sinto por ela é realmente amor ou simplesmente convivência, pois sexualmente não me sinto mais realizada. Depois que saímos para morar juntas, tudo mudou bastante. Passamos semanas, meses sem sexo. Existe muito companheirismo, cuidado, carinho, mas falta algo que eu não sei explicar. Somos mais amigas do que mesmo namoradas.

Outro dilema que convivo diariamente é o fato de “eu não me aceitar gay”. Quando saímos é sempre como “amigas”, pois sinto vergonha. Juro que não queria que fosse assim, mas não consigo me “assumir”, até porque como já citei acima, continuou sentindo desejos e atração por homens, sinto falta de fazer amor com homem. Como não gosto de me rotular, digo sempre para mim que gosto de pessoas, mas confesso que isso é um peso grande de carregar. Sinto falta da minha liberdade, mas estou “presa” nessa estrutura que construí com ela.

Quando saímos com meninas “do time”, muitas vezes me sinto mal, não querendo estar ali, fico vendo as meninas com seus namorados e muitas vezes desejo estar “do outro lado”.

Ela (que tem 30 anos) é uma mulher maravilhosa e não quero magoá-la. Já tentamos algumas vezes nos separar para “sentir” o que realmente queremos para nossas vidas. Ela percebeu que algo está errado comigo, mas todas as tentativas foram frustradas, pois como saímos para dividir um apê e não temos como e não queremos voltar para casa dos nossos pais, todas as vezes que nos “separamos”, continuamos vivendo no mesmo lugar e isso definitivamente não dá certo. Infelizmente não tenho estrutura financeira ainda para morar sozinha, dependo dela financeiramente para dividir as contas.

Querido Ogro, por favor, me ajude, pois não sei mais o que fazer. Sinto que minha vida está passando e eu estou apenas assistindo.


Minha cara gangorra,

É quando a vida começa a passar e não sentimos mais o gosto dela é que algo precisa ser feito. Há quem se contente em lamber a vida, mas há quem precise se engasgar com ela, devorar cada pedaço do cotidiano, se lambuzar da realidade e se afogar no lirismo do viver.

E é isso que está te faltando: essa gana, essa sede, essa fome. Agora está tudo muito sem gosto, apenas se alimenta para sobreviver de alguma forma. Uma praticidade que mata qualquer relacionamento.

E é assim que você deve ver sua relação: um relacionamento como outro qualquer. O fato de ser uma relação homossexual não muda nada. São duas pessoas convivendo sob o mesmo teto, cada uma com sua educação moral e ética, cada uma com medo dos preconceitos alheios e em uma fase da vida cheia de dúvidas e quase nenhuma resposta.

Considero os 28 anos o novo “18 anos” da vida adulta. É a maturidade pós-maioridade. Estranhamente a partir dessa idade as coisas parecem exigir mais explicações, as certezas somem e as dúvidas mudam. Todos os seus conceitos são atualizados, suas necessidades deixam de se adaptar e a busca por respostas consome boa parte do seu tempo. Comigo foi assim: justamente aos 28 deixei de apenas lamber a vida e vários pilares conceituais que eu tinha como certos de repente ruíram e novos foram construídos.

É o que agora te acomete. E nesse caso, precisa levar em consideração o agravante de estar vivendo com alguém diariamente. Isso fode muito a cabeça, ainda mais em uma relação totalmente nova e diferente para você. O primeiro ano de um casamento – se moram juntas, é um casamento, sim – é uma merda. Quem diz que o primeiro ano é todo lua-de-mel é porque está querendo ver outras pessoas se foderem como ele. O primeiro ano de um casamento é horrível e isso independe do tempo prévio que ambos namoraram: se namorou por 10 anos ou por 10 meses, sofrerá o mesmo choque.

Suas dúvidas sobre ter tesão em homens ainda é muito natural. Passou todos esses anos apenas saindo com eles e sua namorada acabou sendo uma exceção. Uma gostosa exceção que te fez se deixar levar. Era diferente, a novidade te excitava, o carinho era totalmente o inverso de tudo o que recebeu antes. Isso tudo conta para a excitação inicial e todo mundo pensa errado quando fica de pau duro ou buceta molhada. Essa porra de tesão meio que anula o cérebro.

E nisso voltamos ao fato de que, independente de ser uma relação nova para você, ainda assim é a mesma relação de qualquer pessoa com qualquer outra pessoa. Passará pelos mesmos estágios, em fases e níveis diferentes, mas enfrentará o mesmo que enfrentaria se fosse com um homem. A falta de tesão joga uma avalanche de dúvidas sobre vocês – sim, ela também pensa o mesmo que você em relação a isso. E nessas horas você resgata o que agora é diferente mas que sempre foi comum para você. De repente, sexo com homens virou a nova exceção e isso te empolga e te excita, da mesma forma como ela fazia antes.

Qual a diferença, por exemplo, de um casal hétero onde a mulher fantasia com outros homens? Ou mesmo com outras mulheres - e isso acontece muito... Nenhuma diferença. É o desejo por outra pessoa, por um toque diferente, por uma excitação causada pela novidade, pela necessidade de sempre ter algo novo. Isso é possível dentro da mesma relação desde que haja muita conversa e disposição. Por isso muitos casais chegam a cogitar um ménage. A simples ideia de ter um terceiro envolvido já empolga mais do que a real chegada desse elemento na relação. Ou mesmo uma única vez que dividam o mesmo homem pode ser uma nova chama que se acende e torna a queimar suas camas - desde que não vire uma muleta e apenas isso cause excitação.

Mas aí é que está a chave da coisa toda: você conversa com ela sobre isso? Conseguem debater o assunto sem uma acusar a outra? Sem tentarem desmerecer o argumento uma da outra? Uma conversa franca, com todas as dúvidas expostas e sem deixar nenhuma mágoa guardada para um eventual ataque tardio.

Não, vocês não conversam. Me disse que não sabe se ela encararia montar uma família. Isso é sinal de que preceitos básicos numa relação ainda não foram discutidos entre vocês. E é natural que isso não aconteça, é uma relação muito nova apesar de já viver sob o peso da convivência diária-quase -horária.

Ainda me diz que se pudesse escolher, estaria casada com um homem. E por que escolheria isso? Por que não teria condições de assumir uma relação dita diferente dos padrões impostos por nossos pais? Ou por que acha que ela realmente foi uma exceção?

Tenho uma amiga que passou por algo bem parecido: morou com uma mulher por anos, eram assumidas, se davam bem apesar do perfil da namorada ser bem ciumento e possessivo. Foi a primeira e única namorada dela. E ela sempre me dizia: “meu negócio é homem, ela é minha exceção. Se amanhã nos separarmos, volto a namorar homem. Não gosto de mulher, eu gosto é dela!”. E foi o que aconteceu: se separaram e hoje essa minha amiga está casada com um homem.

Talvez seja o seu caso. Talvez ela seja sua exceção. Talvez venha disso a sua “vergonha” de ser gay: você gosta dela, excepcionalmente dela. Você não se vê lésbica, não sente atração por outras mulheres. Teu lance é com ela e só com ela e por isso suas fantasias envolvem outros homens e não outras mulheres. Pois se não for com ela, você voltará a procurá-los. Ou você sente desejo por outras mulheres?

Isso, minha cara, pode ser um bom sinal de amor, sim. Talvez essa sua exceção seja justamente por sentir nela algo que difira da maioria. Mas para isso ser real e pleno, é preciso conversar. Não dá pra esperar passar o tempo e deixar o outro se tocar sozinho dos problemas que acometem a relação. Eu fiz isso e paguei anos de juros pesados. Não queira isso. Não vale a pena esperar apenas por medo de magoar o outro.

Não há pior mágoa em uma relação do que o silêncio auto-imposto. É preferível o choro causado pela exposição de sentimentos ao sorriso causado pela omissão de desejos.

Acredito que ainda haja tempo de salvar esse barco. Nenhuma causou grandes mágoas na outra ainda, nenhuma precisou procurar outros amores para enxergar a realidade de agora. Leve isso em consideração.

Pense na sua relação como uma escultura. Já esculpiram o desenho, falta agora o acabamento. O verniz é a atração não apenas física, mas humana e de caráter, onde sempre consegue admirar o outro por suas qualidades e apesar de seus defeitos; o diálogo é como uma lixa que apara os excessos e renova as camadas do verniz. Se constantemente conseguirem envernizar e lixar essa escultura, terão uma peça digna de ser exposta na principal estante de suas vidas. Caso contrário, será apenas um entulho empoeirado e amontoado no quarto das reminiscências.

Depois de quatro anos, estão precisando de uma demão nova. Resta saber se ambas estão dispostas a se sujarem um pouco. Afinal, não dá pra lixar nenhuma relação sem se sujar um pouco com o pó da realidade. Mas nada que um banho depois não resolva. Juntas, quem sabe?

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“Sou casada e meu marido me traiu. Eu o perdoei, mas desde então vivo sempre desconfiada”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , 29 comentários
Querido,

Tenho 30 anos, sou casada há cinco anos e há uns dois anos meu marido me traiu. Depois de muito choro e conversa eu o perdoei, mas desde então vivo sempre desconfiada, não consigo ser como antes. Se ele se atrasa do serviço já fico desconfiada, chego a ser paranóica! Não sei mais o que fazer, me ajude, por favor! Meu casamento vai acabar desse jeito e eu amo muito meu marido!

Querida,

Você vê como esse "perdão" não funciona? "Perdoa" pra tentar manter a convenção do seu casamento, mas depois disso vê que ele não existe mais da forma como existia. E nem voltará a existir. Você sempre irá desconfiar, vai surtar, vai alegar coisas para justificar a desconfiança. Mesmo que ele lhe seja fiel, viverá sob esse manto inquisidor e deverá agüentar calado, caso queira manter a relação ativa, de alguma forma.

Uma vez descoberta uma traição, quebra-se o vaso da relação. Você pode até tentar consertá-lo, mas toda vez que o vir exposto na sua estante, verá as marcas da cola e saberá que ele esteve quebrado. E vai preferir o vaso de antes. Mas aquele vaso está em cacos e assim permanecerá.

Você ama o que a sua relação representava, o que o seu marido representava: uma união, uma relação que te fazia bem. Agora ela não faz mais e você está afundando com ela. Infelizmente não há o que fazer: as coisas não voltarão a ser como antes para vocês e a tendência é piorar. Resta saber o quanto consegue ficar se respirar, já que estará atrelada a essa âncora um bom tempo ainda.

Você não o perdoou nem nunca perdoará. E é isso que não quer assumir para você. Ou aceita que não há mais aquela relação ou tenta viver sob essa hipocrisia do perdão: você perdoou o erro, mas não o errante.

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“Eu esperava aquele miserável que vem colocar todos os mortais que você conheceu até então no chinelo”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , 10 comentários
Querido Ogro:

Nunca acreditei na fidelidade masculina. Acho que foi uma maneira de criar uma defesa contra as coisas que eu “saberia” que enfrentaria durante a vida. É bem aquela coisa: homem não é fiel, pra que me desgastar com ciúmes e sofrimento e todas as decisões que implicariam acreditar que algum homem o seria e me decepcionar e sofrer e chorar e blá blá blá.

Bem, eu resolvi me preparar pro pior. Nenhum homem é fiel e devo levar minha vida de boa quanto aos “problemas” que surgirem. Mas toda máscara tem uma pegadinha nervosa, algo que vai te puxar pra baixo quando você menos espera, pois é, me pegaram. E pior, eu me peguei. Por mais que eu não quisesse acreditar no milagre da fidelidade sentimental AND sexual masculina, eu esperava o diabo do príncipe encantado, sim aquele miserável que vem colocar todos os mortais que você conheceu até então no chinelo.

Eu esperava por um homem que só quisesse a mim e que eu bastasse a ele. Daí começou a outra pegadinha da mascara da mulher-que-não-liga: EU, lógico o problema era comigo, tinha que ser a mais fogosa, a melhor dona de casa, a melhor profissional, a melhor cozinheira, a melhor mulher do mundo, pra garantir que aquele homem não precisaria de outra mulher. Lógico, o fato de um homem não ser fiel estaria diretamente ligado ao MEU potencial de atender todas as demandas sexuais, conjugais, sentimentais, etc etc etc... MAS QUE MERDA!!

Caiu, não funcionou. Eu fiz um modelo 2.0 da esposa perfeita que atendia TODOS os desejos do amado, que aceitava TODOS os devaneios e saídas... era a bacanuda. Pra melhorar a situação, sempre me senti atraída por mulheres e meu companheiro adorou a idéia do tal ménage, foi uma experiência maravilhosa pra mim, adorei sentir outras mulheres, eu realmente gostava daquilo, porém até aí me peguei em dúvida, pois a cada traição, era jogado na minha cara que ele ia “a caça” de mulheres pq EU gostava daquilo. Me senti culpada por querer isso, algo que eu achava bacana, virou um pesadelo. TOMEI NO CU, bem no cu não, nos córneos.... Não adiantou, fui traída, mas e aí? O que resolve?

Na busca maluca por alguém que só quisesse a mim e a mim somente, sem que eu tivesse que me tornar uma megera chata ditadora e controladora de passos eu só me fodia, não conseguia ser só eu, não conseguia relaxar, nunca me achava boa o suficiente.

Até que me senti bem, assim, do jeito que eu sou. Achei que poderia ter alguém meu, melhor que meu, COMIGO! Não importando meus defeitos e apesar deles me amando. Me respeitando em meus piores devaneios e compondo comigo uma história na qual eu estava inclusa, era aceita como eu sou.

Mas a ultima pegadinha foi que eu não me eduquei pra ser eu mesma, pra aceitar e acreditar que alguém pudesse me amar assim e cai na minha armadilha de não acreditar em mim, de não saber viver o diferente, o novo... Talvez por desconfiar que seria outra armadilha ou apenas por medo de me abrir e ver o que tem realmente dentro de mim.

Acordei, e ainda acho que talvez essa exceção esteja por aí. Mas vou colocar minha meia na lareira pro Papai Noel. Até ele chegar, gostaria de ler sua opinião sobre isso... vai que me convence de que exista mesmo. O homem fiel, não o Papai Noel. rs


Minha cara desconfiada desiludida,

Fidelidade é um assunto que vamos levar pra vida. Todo novo relacionamento haverá uma série de dúvidas baseadas em nossas próprias experiências. A tendência é a fatídica generalização. E generalizações são injustas, mesmo quando em um assunto tão delicado como esse. Comparações até são passíveis de existirem, mas generalizações não.

É preciso parar com essa história de que não há homem fiel. Entendo que seja muito difícil acreditar nisso, mas não dá pra achar que todos os homens do mundo são infiéis, mesmo que a esmagadora e alucinante maioria seja. Há exceções: um mesmo homem pode ter sido infiel a uma pessoa mas poderá ser leal a outra. Assim como aquele que hoje é fiel a alguém poderá não sê-lo a outro amanhã. É preciso levar em consideração uma coisa muito simples: em cada relação será uma nova relação com uma nova pessoa, por mais que ambos se baseiem em suas experiências passadas.

Dada a individualidade de cada relação, é prematuro ingressá-la já achando que será como a outra. E isso vale para ambas as alternativas: para aqueles que só tiveram relações leais e aos que só tiveram as infiéis. Ao começar um novo relacionamento, não dá pra esperar que seja igual ao anterior. Porque se for, o final será fatalmente igual.

Não há ninguém 100% fiel, mas há relações 100% fieis. E quando nessa relação fiel, o traidor da outra relação será fiel nessa atual. Entende a diferença? Ninguém é impassível de trair, mas também ninguém é passível de não-trair.

No seu caso, vejo que se baseou no que sempre ouviu dos outros, naquilo que eles se baseavam e formou um conceito próprio. Mas mesmo assim, esperava a porra da exceção que te desse um tapa na cara e gritasse para acordar para uma nova realidade, um novo padrão estabelecido em novos embasamentos.

Pensou que fosse um e o que encontrou? O mesmo de sempre. Pensou que fosse outro e o que veio? Novamente o mesmo de sempre. Tentou um outro e olha o que veio: de novo o de sempre! Assim, achou que apenas esse padrão lhe seria ofertado pela vida e deixou de esperar pela exceção, por mais que ainda sentisse a necessidade de sentir-se única para um homem e ver que o mesmo apenas teria desejo por você. Como seus homens não agiam assim, você se desapegou de esperar por mais, se contentou com o menos e acha que não merece nada além disso.

E se eu te disser que ainda não viu de tudo nessa vida? Que ainda não provou, pra valer, o gosto da lealdade de um homem que te ama? Que ainda não sentiu a sensação de fidelidade física e conceitual daquele que a ladeia? Pois se sentisse pra valer, saberia que há, sim, exceções para todas as regras, por mais lugar-comum que isso soe. E digo mais: não sentiu isso sem que precise se modificar em nada. Não precisará ser essa ou aquela: bastará ser você e isso será tudo o que ele precisará de você. Que seja honesta consigo mesma, que seja fiel aos seus sentimentos e aos seus desejos sobre o que esperar de alguém que alegue te amar.

O lance da fidelidade está ligada a lealdade e ao respeito. E você merece isso, creio que todos merecem. Mas aí vai do conceito de fidelidade-lealdade-respeito ao qual você espera do outro. Afinal, o teu homem pode até te trair, mas para que deixar isso claro nas atitudes e mostrar para você que fez isso e provar que ele pode ter outras mulheres? Isso não seria uma falta de respeito? Seria mais respeitoso ele te trair com outra mulher mas não deixar isso chegar aos seus ouvidos para não te machucar. Sei que é feio falar isso, mas seria mais respeitoso, sim!

Você se modificou e se adaptou ao que o outro esperava de alguém e o que aconteceu? Ele continuou a procurar outras. Se um dia ele perder, o que fará? Irá dizer que mudou, que não precisa de outras que será apenas você agora. Depois de um tempo ele volta pra zona de conforto e faz o que? Volta a agir de novo como antes, procurando outras mulheres. Vira um ciclo vicioso e pra que? Pra se satisfazer com pouco? Com metade? Ir dormir sabendo que não é o suficiente para ele e que não terá como ser única na vida dele?

Isso de trazer uma terceira pessoa pra relação sempre me soou muito delicado e complicado, pois abre esse precedente que abriu-se na sua relação: VOCÊ queria outra, logo ele também pode querer outra. Mas e se você quisesse outro? Ele aceitaria da mesma forma? A pergunta é retórica.

Homens tem tesão em duas mulheres juntas? Sim, a maioria tem. Mas eu não ficaria muito a vontade em saber que a pessoa que eu amo e que é dona do meu sentimento precisaria de outro alguém para satisfazer suas vontades. Seja essa outra pessoa um homem ou uma mulher. Para mim, é um terceiro em uma relação e isso demonstra que a relação está manca e carente de mais um pé. Claro que há exceções em toda relação e mesmo em uma assim seria preciso muita conversa e compreensão da coisa toda. Mas ao invés de me empolgar em ter outra mulher na minha cama, eu ficaria desconfortável ao saber que minha mulher precisa de outra pessoa.

Já traí, fui traído, fui fiel e senti fidelidade real na outra pessoa. Estive nos quatro lados dessas moedas. E sei que há, sim, como um homem ser fiel a uma mulher mesmo tendo sido infiel a outras. E há como uma mulher acreditar nessa fidelidade, mesmo tendo relações infiéis no passado. E tudo isso depende de uma única coisa: do sentimento que ambos nutrem.

Vou entrar no desgastado conceito de que se há amor, há fidelidade. Acreditei por anos que amor só existia entre mães e filhos. Para mim, por severos anos, apenas esse amor era real. E isso foi um conceito muito forte que me acompanhou e que baseei em minhas próprias experiências de que alguém só me amaria caso eu me modificasse e fosse diferente do que sou. Logo, essa pessoa nunca me amaria de fato, apenas amaria aquilo que eu me tornaria. Assim, qualquer pessoa poderia se tornar aquilo que ela esperava, então o amor não era por mim e sim pela idealização.

Mas um dia uma tijolada quebrou essa minha triste regra. Senti algo que para mim inexistia. E pago o preço até hoje por minha descrença. Acredito que seja assim agora com você: esperando essa tijolada que a faça rever todo um conceito. Mas nesse caso quem pagara o valor da sua descrença será ele.

Acredite que você mereça essa exceção. E ela existe. E justamente por se excetuar do restante é que é tão difícil de encontrar. Mas se eu tivesse desistido há tempos atrás, não teria sido surpreendido da forma tão agradável como fui. Será que você não devia esperar ser surpreendida positivamente também? Garanto que os efeitos serão benéficos e não terá mais medo de acreditar em algo tão surreal assim.

Outro dia li algo no Twitter mais ou menos assim: “Amar é permitir que alguém possa te magoar. E confiar que isso não vai acontecer”. Quando sentir-se amada e amar realmente alguém, verá que ele pegará esse seu medo de ser desacreditada e quebrar a cara novamente e o transformará em um novo conceito, em um novo padrão, onde poderá esperar de novo alguém que queira apenas você, que precise apenas de você e que te fará se sentir uma mulher única. E todos os demais serão exceções à sua nova regra. E você irá querer mais disso, mais dessa nova regra. E se sentirá tão bem e tão acolhida que não terá medo de ser quebrada por ele. Pois sentirá que isso não terá a menor chance de acontecer.

Sou dos mais descrentes que conheço e ainda assim fui surpreendido. Por isso posso dizer, sem medo de errar, que você fatalmente será surpreendida por alguém se confiar no que ele sente por você e no que você sente por ele. Ambos podem ter sido infiéis no passado, mas terão uma relação leal, baseada em preceitos básicos como a admiração, o respeito, o desejo, a sinceridade e a cumplicidade. Com tudo isso, duvido que haja espaço para uma terceira pessoa. Ou uma quarta... ou uma quinta...

Amar é um verbo que se conjuga na primeira e na segunda pessoa do singular da relação: eu e tu, apenas. Mas fidelidade é um conceito conjugado na primeira pessoa do plural do que ambos têm. É aquele “nós” que faz toda a diferença. Você só teve homens que não souberam conjugar os verbos certos contigo. Mas ainda chegará um que te trará os verbos novos, aqueles verbos que sempre esperou. Deixe o pretérito imperfeito para trás. Quem sabe algo mais-que-perfeito não te aguarda logo ali na esquina?

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“O que mais me incomoda é gostar de sadomasoquismo e me excitar quando me imagino sendo humilhada e estuprada por algum homem”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , , 4 comentários
Querido Ogro,

Utilizarei um pseudônimo: Lola. Bem, descobri seu blog por acaso, achei muito interessante e resolvi te mandar esse e-mail, mas minha "história" não é tão "dramática" quanto os depoimentos que li no blog. Tenho 18 anos e o que vou relatar ocorreu quando eu tinha 7 anos: estava na casa do meu avô paterno, todos os meus parentes estavam na sala conversando, eu estava indo para o banheiro, no fim do corredor, limpar minha boca que estava suja de sorvete quando meu avô me abordou e disse para eu lhe dar um beijo. Eu disse que minha boca estava suja e que só iria lavá-la primeiro. Então ele segurou meu rosto e disse que ele limparia a minha boca e tentou me beijar imobilizando meu rosto.

Enquanto eu tentava virar meu rosto, minha mãe apareceu e me puxou. Me levou pro quarto e disse que era pra eu me afastar do meu avô, que não era pra eu abraçá-lo ou me sentar no seu colo mais e o mesmo valia para os meus primos. Ela estava muito nervosa com a situação, disse que estava com vontade de ir lá e bater nele... Meu pai entrou no quarto, ela relatou o ocorrido pra ele e meu pai não disse nada. Meus pais não tocaram nesse assunto nunca mais. Eu me afastei muito do meu avô, mal o cumprimentava, pois se eu desse um abraço nele, minha mãe me repreendia (a atitude dela era completamente compreensível).

O tempo passou e toda vez que eu ia falar algo com meu avô, ele dizia coisas do tipo: "você está muito gostosa" ou "me arrumei todo pra você hoje", e ele não tinha receio de dizer essas coisas perto de outras pessoas, então evitava ao máximo ficar perto dele. Minha mãe, depois, começou a me dizer que eu devia me relacionar melhor com meu avô, pois ele me dava um presente e eu mal dizia obrigada, etc... Nessa época eu já tinha uns 12 anos, provavelmente ela nem se lembrava mais do que havia ocorrido e pensou que estivesse tudo "normal".

Mas qualquer coisa que eu ia conversar com meu avô agia como se estivesse me "paquerando", então evitava ao máximo falar qualquer coisa com ele, pois era muito constrangedor e alguém podia ouvi-lo dizendo isso (eu tinha muita vergonha). Meu avô morreu quando eu tinha 13 anos, e foi isso.

Minha relação com os meus primos também piorou bastante depois que minha mãe pediu para eu não abraçá-los mais ou sentar no colo de nenhum deles, pois eu não sabia o que eu podia ou não fazer. Todos os meus primos são 10 anos mais velhos que eu mais ou menos, eles sempre brincavam comigo e com meus irmãos, mas depois disso me distanciei muito, só os cumprimentava, sempre rejeitava qualquer programa com eles, como quando eles se ofereciam para ir conosco no parquinho e esse tipo de coisa. Eu sempre fui tímida, então isso só dificultou ainda mais a minha relação com eles, isso foi o que mais me magoou, porque gostava muito dos meus primos.

Eu sei que isso deve estar parecendo uma coisa ridícula e sem sentido para você, quer dizer "não precisava disso tudo, já se passaram 11 anos afinal, claro que eu podia me relacionar bem com meus primos a essa altura do campeonato". Concordo, mas eu simplesmente não conseguia. Somente ano passado que voltei a conversar com eles mais abertamente e "agir normalmente".

E tem outra coisa, que provavelmente não tem nada a ver com isso, mas talvez tenha, enfim... Até os meus 17 anos, eu dizia “não” pra qualquer menino que me pedisse em namoro (essas paquerinhas bobas de colégio) ou que tentasse me beijar, por mais que eu quisesse. Eu beijei pela primeira vez esse ano (com 17 anos) e foi em uma boate, porque tinha bebido um pouco... até hoje não "fiquei" com ninguém a não ser em boates (onde não conheço a pessoa e sequer sei seu nome). E até hoje eu mal consigo conversar com homens normalmente...

Bem, agora vem a parte "mais nada a ver de todas". Eu comecei a me masturbar aos 13 anos mais ou menos, e lendo contos eróticos, ou de estupro ou de sadomasoquismo, são esses os temas que me excitam, não sei por quê. Obviamente, ainda sou virgem... Eu não queria gostar dessas coisas, realmente não queria, mas eu gosto, e isso me incomoda muito.

O que mais me incomoda é o fato de eu gostar de sadomasoquismo, o fato de me excitar quando me imagino sendo humilhada e estuprada por algum homem. Não me entenda mal, é óbvio que eu não quero ser estuprada e não desejo isso a ninguém, pois é completamente diferente se imaginar na situação do que estar nela. Mas eu me sinto suja e ridícula por gostar disso, eu não sei o que fazer. E, além disso, já sonhei algumas vezes que estava fazendo sexo com meu irmão e com meu pai. Eu não sei porque isso acontece comigo, provavelmente você também não saberá... Mas eu nunca falei sobre isso com ninguém, pois eu não entenderia se alguém que estivesse no meu lugar viesse relatar isso a mim, por isso não espero que ninguém me entenda, já que eu mesma acho tudo isso um absurdo.


Minha cara Lola,

Que bagunça essa cabecinha, hein? Mas nada anormal, relaxe... só precisa encaixar as peças e assim conseguir enxergar melhor o quadro que está pintando em sua vida. Lembre-se de que tem apenas 18 anos e esses são os melhores piores anos da nossa vida. Tudo é uma zona e costumamos ficar sem nenhuma referência para nessa passagem da adolescência para a “vida adulta”. Somos cobrados como adultos mas ainda temos a cabeça adolescida. É foda, minha cara, mas tudo sempre se encaixa.

Teu principal dilema aqui são suas fantasias. Mas não é pra se assombrar com isso. Nada do que imagina te faz uma pervertida ou uma monstra. Leve em consideração tudo o que passou e verá que é mais fácil do que imagina entender esse caralho todo. Pensa: você foi reprimida em um ato causado por um homem da família justamente numa época onde você buscava reforçar as imagens masculinas da sua vida. Foi educada para reprimir isso, pois era errado. Ao dizer que era pra você se afastar do seu avô e primos por conta do beijo que ele queria dar, sua mãe meio que programou seu comportamento para não aceitar nenhum tipo de carinho de nenhum homem da sua família. Suas referências masculinas foram represadas e automaticamente ligadas a algo proibido.

Pois bem: chega sua adolescência e o que mais queremos fazer quando adolescentes? Questionar o mundo, seus conceitos e seus “chefes”. No caso, seus chefes eram seus pais. Como cresceu sabendo que os “carinhos” de seu avô eram proibidos, você passou a recorrer a esse tipo de imaginação para afrontar seus pais. Mas isso passou para seu pai e seu irmão, pois eram imagens masculinas das quais recebia carinhos também. Os carinhos deles sempre foram fraternos e inocentes, mas na sua cabeça estava atrelada aquela proibição imposta por sua mãe.

Lembre-se de que tinha apenas 7 anos, sem nenhum discernimento sexual, e isso te causou um certo colapso. As investidas dele foram causando ainda mais confusão, a ponto de você também achar que os carinhos de seu pai talvez devessem ser repelidos.

Tudo isso pode ser uma fuga do seu inconsciente para conseguir saciar a vontade de confrontar as figuras de liderança ao seu redor. Ao mesmo tempo, seu avô tinha essa liderança hierárquica sobre você e te imobilizou para tentar te beijar. Pode ser que isso tenha criado um padrão em você. Não é errado, apenas precisa conseguir focar seu desejo em outras figuras masculinas: um professor, por exemplo, pode ser uma excelente fantasia nessa hora e te ajudar a dissociar o desejo.

Quanto aos seus relacionamentos, isso tudo é natural da idade. Fica com pessoas em boates, pois o ambiente e o álcool desinibem. Como só beijou aos 17, não tem muitos parâmetros para definir se isso é um padrão de comportamento ou não. Ainda tem 18 anos, é tudo muito recente e diferente. Relaxa, respire e comece a se relacionar com outras pessoas fora dos ambientes “seguros” para você, como a boate, por exemplo. Tente conversar com o pessoal em outros lugares, menos agitados, onde prevaleça a conversa e a descoberta do outro. A internet pode ajudar pra caralho nisso, viu?

Sobre o sadomasoquismo, você está apenas projetando seu prazer e desejo em um ambiente estranhamente “conhecido” por você. Mas isso é apenas na cabeça: a situação sádica ou masoquista, em si, não te traria nenhum prazer. E quase todo mundo tem essas fantasias, viu? Não que exista a pretensão de acontecer, mas um lance mais vigoroso e imediato tende a despertar a libido. É natural, apenas aprenda a dissociar isso de seu pai e irmão. Isso não será saudável pra sua vida sexual, que fatalmente logo começará.

O que pode fazer? Mudar o foco, os personagens das fantasias e os ambientes. Ao invés de se ver com seu pai numa cena de estupro, se veja com um cantor ou ator em um banheiro de boate num sexo imediato que dura 5 minutos. Substitua as fantasias, condicione o corpo a aceitar outras imagens.

Respire, reflita... não se sinta suja por isso. Não se sinta culpada pelas fantasias, tampouco pelo que te aconteceu no lance do seu avô. Apenas se sinta no dever de aprender outras formas de prazer. Deixe o “sexo com culpa” para seus futuros ex-namorados cafajestes. Aí, sim, terá muita culpa ao transar com eles durante uma recaída. E ainda assim, terá menos problema com isso ao dormir. Bom, nem tanto, mas será bem diferente.

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“Minha namorada foi estuprada e quero ajudá-la”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , 37 comentários
Querido Ogro,

Bom, contar esta história é meio complicado pois tudo o que tenho são alguns fragmentos do que realmente ocorreu. Estou namorando uma garota há aproximadamente 6 meses e ela é definitivamente a pessoa mais maravilhosa que já conheci, super engraçada, sempre de bom humor (mesmo em situações que ela claramente não gostaria de estar) e faz de tudo para agradar os amigos, família e a mim.

Cerca de um mês depois que estávamos namorando tivemos nossa primeira relação sexual (eu nunca forcei nada, muito pelo contrário sempre respeitei muito, toda vez que eu tentava alguma coisa e ela me pedia para parar eu sempre parei) e nas primeiras vezes foi tudo ótimo mas algum tempo depois eu comecei a perceber que durante o ato e depois ela ficava muito estranha, quieta e as vezes até me pedia para não tocá-la... eu não entendia muito bem o que estava acontecendo, mas sabia que devia ter acontecido alguma coisa muito ruim com ela, sexualmente falando.

Então um dia, chorando, ela me contou que quando tinha 17 anos (hoje tem 20) ela estava em uma festa e estava ficando com um cara que a chamou para uma caminhada... ela foi e o sujeito acabou arrastando ela pra dentro do carro dele e então pra casa dele e a estuprou. Antes disso eu nunca havia tido contato com nenhuma pessoa que havia sido estuprada e tudo o que eu consegui fazer foi chorar e essa conversa foi muito difícil, pois ela estava em outro Estado e nós estávamos conversando por videoconferência no Skype e eu não podia abraçá-la e nem nada do tipo...

Um tempo depois, o assunto voltou a tona e eu me segurei pra não chorar de novo pois eu não queria que ela achasse que eu sinto pena dela e tentei dizer pra ela que o que aconteceu não foi culpa dela, que o cara foi um belo filho da puta (não com essas palavras) mas ela ficou super brava comigo e disse que sim, foi culpa dela. E eu perguntei porque ela achava isso, então ela disse que ela podia ter gritado mais ou lutado mais ou ter feito qualquer outra coisa do tipo... E eu continuei tentando argumentar que não era culpa dela, o que fez ela ficar super brava comigo, me deixar falando sozinho e não querer me ver ou mesmo atender o telefone por quase 2 dias.

Ela me confessou que ela tem pesadelos todas as noites e muitas vezes tem flashbacks durante o dia, eu sei que isso ocorre mas ela não quer mais se abrir comigo. Eu quero ajudar, mas essa minha tentativa de não sentir pena dela fez com que ela achasse que eu não me importo com o que aconteceu com ela e que eu não sinto nada (mesmo eu tentando me explicar de todas as maneiras possíveis) e o fato de não conseguir dizer a coisa certa também foi outro fator que levou ela a evitar de falar comigo sobre isso.

Eu quero ajudar, eu quero dividir este fardo com ela. Mas pelo jeito tudo o que eu fiz até agora foi piorar o sofrimento dela quando tentei. Eu preciso de ajuda pra saber como eu posso ajudar ela, o que eu devo dizer, como fazer pra ela confiar em mim de novo e se abrir sobre isso. Por favor, querido Ogro, me ajude. Estou desesperado e não sei mais o que fazer... Obrigado pela atenção.


Querido Ogro

Bom, eu tenho uma namorada que foi estuprada há cerca de dois anos e meio pelo tio. Ela fala que foi abusada e não houve estupro, mas eu sei que houve porque ela fala quando dorme e nunca mente. Ela fica um pouco insegura e eu queria ajudar e sei que com jeito ela vai me contar, eu queria resolver isso porque logo vamos nos casar.

Mas o problema maior é que eu sei há duas semanas e não durmo direito, só pensando em vingança. Mas eu queria uma forma de pôr ele na cadeia, porque se ele não for preso vou acabar matando ele. Gostaria de alguns conselhos e o que devo fazer nos primeiros passos para ajudar ela e punir ele. Desde já agradeço e fico no aguardo.


Meus caros,

Dois namorados com situações parecidas e ambos tentando ajudar de alguma forma. Por isso coloquei os dois e-mails juntos, pois a resposta é a mesma para ambos: respeitem o tempo de suas namoradas!

Acho do caralho se colocarem a disposição para ajudá-las, mas não dá pra impor a elas que falem sobre isso quando ainda há muita dor e culpa e revolta dentro do peito e da cabeça. Não dá pra julgar quem passa por isso pois cada uma tem uma reação diferente, apesar de passarem por fases parecidas.

Entendam: toda mulher que passa por um trauma desse se culpa muito pelo que aconteceu. E se culpa de diversas formas e por diversos motivos. É natural que se sintam responsáveis pelo que aconteceu, que deram sinais pro cara fazer isso, que deveriam ter feito isso ou aquilo de forma diferente... Há uma fase em que só conseguem gozar se pensarem na violência sofrida e se culpam ainda mais por isso; há outra fase que mesmo uma pequena excitação reviverá todo o trauma e fará com que caiam em desespero.

Ter de lidar com esse problema em família é sempre angustiante pra elas. Sempre acham que o pai vai ser extremista (ou culpá-la ou querer se vingar do estuprador), sentem que a mãe vai se culpar junto por ver a filha passar por isso, sabem que amigos ou vão se afastar por não saberem o que fazer com isso ou vão se aproximar por acharem que são “fáceis” demais. Essa é uma das coisas mais machistas que fazem a uma mulher estuprada: “ah, se ele pôde, eu também posso!”. Acredite: tem MUITO homem que pensa assim... São os mesmos que acha que a mulher só foi estuprada porque estava dando mole, estava “brincando” e deu pra trás na hora H e “sabe como homem é, né? Não perdoa!”.

Percebe como tudo vira um fardo enorme? Ainda mais aliado ao fato de que estão tentando viver da maneira que conseguem, se apaixonando, querendo ter relações, sentindo desejos e frustrações como todo ser humano. Mas haverá sempre essa sombra, esse vulto pronto pra atacar na penumbra do quarto.

De fato, a pior coisa que alguém pode sentir por uma vítima de violência sexual é pena, aquele famoso olhar de piedade e o suspiro “ah, coitada de você”. Por conta disso, se fecham ainda mais, pois a última coisa que precisam é dessa porra de piedade. Não são coitadas nem traumatizadas: apenas passaram por um trauma e precisam de ajuda.

Uma boa forma de ajudar é deixarem-se sempre a disposição pra ouvi-las, mas sem que isso soe como uma pressão. Ajudar não é uma obrigação e elas precisam ver que não estão sendo obrigadas a falar nem sentirem que vocês estão sendo obrigados a se importar e a ajudar a qualquer custo. Pouco importa se vai se casar logo e “precisa” resolver isso logo. Não, você não precisa: quem precisa é ela! Assim como não tem que “dividir fardo” porra nenhuma: ela não vai querer que isso se transforme em um problema pra você, também. Já basta ser pra ela...

O lance é mostrar nos gestos, nas palavras não-ditas, nas frases não-faladas. São os gestos que as deixarão confortáveis pra falar o que quiserem e como quiserem. E quando falarem com vocês, não peçam detalhes do estupro em si. O que precisam saber é que aconteceu e o que ela mais tiver vontade de falar.

Quanto a denunciar o que aconteceu, isso precisa mesmo partir delas num estágio mais pra frente. E mesmo que não queiram, não há como forçar. É expor alguém de uma forma muito íntima e vexatória, apesar de não ser motivo para sentir vergonha.

Uma boa forma de falar sobre isso é justamente na internet, longe dos olhos de piedade ou reprovação. Se abrir assim é um pouco mais libertador e menos doloroso. É o que acontece com as minhas meninas aqui: sentam e escrevem sem medo e sem esperar julgamento. Apenas querem desabafar. Às vezes suas namoradas precisam um pouco disso e só: um simples desabafo pra poder continuar a viver.

Se for o caso, dê um jeito de apresentarem meu blog e os textos relacionados a esse assunto. Ajuda muito ler que outras pessoas sentem o mesmo que só elas sentem. Podemos transformar o espaço dos comentários deste texto para que as outras meninas que já me contaram suas histórias possam ajudar. Tudo anônimo, sem medo ou pressão. E a culpa fica do lado de fora pois aqui ninguém julga ninguém. Somos todos fodidos e putos da vida e querendo continuar a viver, também!

No mais, sigam prestando atenção nos detalhes, sejam carinhosos e compreensíveis, não dêem uma de macho querendo sair fazendo justiça... Respeitem, respeitem e respeitem. Se durante uma transa ela parar e chorar, apenas pare e abrace. Se desligar o telefone ou a internet na sua cara, respire fundo e espere ela respirar também.

Serão recompensados e ficarão gratos... desde que elas se sintam recompensadas e gratas. Portanto espero que tenham realmente discernimento e responsabilidade pra conseguirem esperar e atende-las no que precisam.

Não há melhor recompensa do que a confiança e a gratidão de alguém que passou por isso.
Eu sei do que falo e não tem como precificar isso. Vale muito a pena.
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“Mas eu era nova, convertida ao evangelho, e as tentativas dele de ter algo mais íntimo acabaram frustradas. Decidimos terminar e sinto saudades dele”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: 3 comentários
Querido ogro,

Por volta de uns doze anos atrás, uma amiga me apresentou um rapaz lindo, universitário e me fazia bem. Ainda me lembro do jeito que ele me puxou e me tascou aquele beijo. Parecia o casal ideal: bonitos, jovens e sempre riamos bastante. Mas eu era nova, convertida ao evangelho, e as tentativas dele de ter algo mais íntimo acabaram frustradas. Decidimos terminar e até ficamos amigos, sempre nos falávamos por telefone. Então conheci um rapaz na minha igreja e logo ele pediu minha mão. Casei e fui morar em outro Estado, tive filhos e retornei após alguns anos.

E no ano passado fui ligar pra minha amiga, só que o telefone estava invertido e acabei ligando pro número dele. Foi engraçado no dia, trocamos e-mails e começamos a nos falar. Falamos pouco do passado, ele nem se casou e não teve filhos ainda, mas tem uma companheira recente.

Sinto saudades dele e isso me machuca, me sinto uma traidora que nem cometeu o ato. E gostaria da sua opinião: sempre que sumo da rede social, ele vem com aquelas mensagens engraçadas e me manda e-mails de cuidados com a saúde, segurança feminina, poemas, notícias, precisa de ver... Mas raramente toca no passado, só diz as vezes que daríamos um belo casal, que nossos filhos seriam lindos e tal, mas sempre diz que devemos sempre seguir em frente. No fundo, no fundo, sei que ele se importa comigo, mas se não teve coragem de ficar comigo antes, porque ficaria agora?

E nem eu deixaria minha vida por ele. O que mais me dói é que nunca vou saber como teria sido, esse é o grande vazio que ficou. Na verdade, sei que nos separamos pra sempre. Obrigado, vai ser bom ouvir a opinião de um homem.


Minha cara devassa pecadora,

Vai arder no fogo do inferno por causa disso. Serás apedrejada em praça pública por querer o pecado da luxúria e da gula e da vontade de dar e... Opa: nada disso é pecado. Esquece: vai continuar se fodendo por aqui, mesmo que não foda!

Caralho: você é mulher, é um ser humano com buceta, com um clitóris feito só pro prazer, com a cabeça louca para viver uma história que não se permitiu viver, o corpo carece desse fogo que tentou, em vão, apagar no passado por conta de dogmas religiosos que apenas atrasaram sua vida. Se houve um pecado, foi o de não se permitir “pecar”. E uma pecadinha faz tão bem às vezes, viu? Até rezar\orar fica melhor depois disso!

Mas não dá pra voltar ao passado e agir diferente. Ainda bem, senão erraríamos mais... ou pior: deixaríamos de errar e não aprenderíamos porra nenhuma!

Pelo que entendi, foi a única coisa que você teve de real na sua vida sexual: o ímpeto de um beijo roubado, que te tremeu as pernas, molhou a buceta, ardeu o corpo e fez o fôlego faltar toda vez que se lembrava disso. Ainda faz faltar o ar... e ainda molha a buceta. Deve ter se casado com um “homem de Deus”, aquele que a foda funciona só para cumprir o papel de marido, onde você abre as pernas pra cumprir o papel de mulher e que procriaram em nome de Jesus, não? E você nem deve gozar com ele. Pior: você nem se masturba, já que isso não pode, é feio e Deus tá vendo, não?

Sabe como dá pra saber isso? Pela responsabilidade que você joga nas costas do rapaz do passado: “se não teve coragem de ficar comigo antes, porque ficaria agora?”. Você está louca pra viver isso, pra se entregar e mandar o mundo se foder enquanto você fode, mas a religião te impede, como impediu antes. E se ela está tão presente assim em você, é sinal de que sua vida está naqueles padrões que se espera de uma vida tão fervorosamente religiosa.

Mas te adianto de que isso não está adiantando muita coisa, viu? Você não está conseguindo conviver com esse “pecado” e ainda quer que o outro tome as rédeas do seu prazer, te faça pecar, te faça errar... para que você jogue nas costas dele a culpa e a responsabilidade pelos SEUS atos. Tem vontade pra caralho, mas a coragem está embaixo de alguma gaveta perdida por aí.

E vem cá: essa de “fui ligar pra minha amiga, só que o telefone estava invertido e acabei ligando pro número dele” não colou, viu? Ou então veja isso como um “sinal divino” para que você o reencontrasse, boba... Ou você ajudou o destino, “errando” o número assim, sem querer, sabe?

Já notou como está querendo encontrar motivo em qualquer coisinha? “Ah, ele se preocupa comigo, me manda mensagens sobre saúde e segurança feminina, poemas, notícias, spams, links de compras coletivas, lindas mensagens em Power Point... até me indica para concorrer prêmios se eu me cadastrar! É o homem da minha vida!”. Acalma essa buceta, mulher... nem tudo o que ele faz é pra resgatar algo.

Se ele raramente toca no passado, é sinal de duas coisas: que ele ainda respeita sua vontade de se manter numa vida regrada em preceitos religiosos, onde tem uma família moldada nisso, com o marido que você queria na época e ainda mantém; e que ele guarda certas mágoas por VOCÊ não ter tido coragem de “errar” e sair da linha com ele, já que diz pra seguirem a vida em frente, sem se apegarem ao passado não-vivido.

Como me escreveu: não deixaria sua vida por ele. E ele deve saber isso. Então, o que ele deve fazer? Sumir e deixar que a sua vontade volte para o fundo do útero, de onde nunca deveria ter saído? Ou será que você deverá agir com maturidade para conseguir ser imatura um pouco?

Olhe para seu futuro e veja o passado que deixará para você daqui uns anos. Será um passado cheio de frustrações (como está sendo) ou será um passado digno de sorrisinho no rosto, suspiros de alívio e uma conexão melhor com você mesma?

Se realmente existir um Deus, você acha que ele gostaria de te ver como? Ressentida e amarga ou alegre e saciada? De qualquer forma, precisará de coragem para agir: coragem para “matar” essa vontade e seguir sua vida; coragem para rasgar as regras, quebrar os pilares e se jogar sem saber onde vai cair.

Tem três caminhos: se manter casada e cortar contato com o “homem lindo e perfeito” do passado e chorar ressentida por não saber como seria; se manter casada e ir ao encontro do “homem lindo e perfeito” e conviver com isso o resto da vida, sabendo que “pecou” e foi bom; ou se separar e ir viver uma história diferente e livre de estigmas. Para isso, precisa de duas coisas: coragem e saber se o “homem lindo e perfeito” também te quer da mesma forma.

Até criar essa coragem, recomendo muito banho frio... ou quente, usando o chuveirinho. Ambos serão bons, mas só o segundo será eficiente.
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“A situação tem piorado e eu não queria sentir ódio ou raiva do meu pai, mas está cada vez mais difícil conter esse sentimento”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: , 6 comentários
Querido ogro,

Tenho 19 anos e minha relação com meus pais nunca foi muito boa. Meu pai era casado quando se envolveu com minha mãe, daí eu nasci. Quando eu tinha dois anos minha mãe foi presa e eu fui viver com meu pai e com a sua esposa. Meu pai ficava fora durante a semana, trabalhando, e só o víamos no final de semana. A esposa dele aceitou me criar, no entanto descarregava todas as frustrações dela surrando a mim, meus irmãos mais velhos e sempre gritava quase agredindo minha avó, mãe de meu pai que nos ajudava em tudo quando ele estava ausente.

Adiante, meu pai nunca teve muito respeito pelas mulheres, ele é um tanto machista e isso se reflete na maneira como ele trata minha mãe, minha irmã mais nova e a mim. Somos cinco filhos, sendo três do primeiro casamento dele, e da segunda união, eu e minha irmã menor.

Ele vive colocando minha mãe para baixo, menosprezando e desprezando tudo o que ela diz ou faz. Quando ela saiu da cadeia, ele deu um jeito de fazer com que ela ficasse dependente dele por anos e agora ela não consegue se virar sem ele. Ele faz o que quer, vai onde quer e minha mãe precisa dele para tudo. Como ela não completou a escolaridade, é como se não valesse nada para ele. Mas, bom: ele não é mau pai, não deixa faltar com nada, mas é má pessoa para nós. Ele só ouve meu irmão (por ser homem) e minhas irmãs (por serem formadas). Tudo o que eu falo para ele não tem o menor valor. Ele manda minha mãe calar a boca quando ela expressa uma opinião, fica me intimidando com o seu tom de voz quando eu falo algo que ele não gosta e grita com minha irmã só porque sim.

Mas ele só é assim conosco, porque ele é dono de uma empresa e tem um empregado que fala com ele do jeito que quer, faz o que quer com a empresa dele e ele não tá nem ai. Outro dia esse homem estava conversando com a minha mãe e falou algo tipo: "ele merece ser socado". Quando minha mãe falou isso para o meu pai, ele riu e disse que não era nada.

Resumindo: todo o mundo pode falar o que quer, fazer o que quer, dar opinião, torcer e destorcer ele, mas nós, que somos família, não podemos nem opinar sobre nada que ele já vem com o facão.

Uns dias atrás, estávamos no shopping e minha irmã estava acompanhada com uma amiguinha. Estávamos conversando sobre o mesmo assunto havia uns 10 minutos e minha irmã me fez uma pergunta. Assim que comecei a responder, ele começou a gritar conosco, nos mandando calar porque já não queria mais ouvir sobre isso e afins. Minha mãe se irritou e gritou com ele, mandando-o embora: "se está mal se mude!". Mais uma vez, para mostrar que era superior às palavras dela, ele riu e mandou ela se calar.

E tudo piorou quando eu falei: "Tudo bem que não quer nos ouvir, mas precisa falar assim?". Eu falei tão depressa, por me sentir pouco à vontade perto dele, que ele ficou ofendido. "Está falando com quem?! Comigo você não fala assim! Fala assim com sua mãe, comigo não!". Todo mundo ficou encarando ele sem entender o surto. Desde então não consigo mais falar com ele, tenho raiva, tenho ódio, cheguei a desejar a morte dele.

De uns tempos para cá ele vem nos tratando pior do que antes. Instalou um jogo de poker no computador e fica jogando e perdendo dinheiro. Por conta de uns erros que cometi ano passado em relação aos estudos, às vezes parece que ele adquiriu ódio de mim, fica me desmoralizando sempre que tem algo que eu falo que quero fazer, me passa por cima com comentários desnecessários e me faz sentir mal comigo mesma.

Uns tempos atrás, ele tava jogando o tal poker online e eu perguntei, inocente: "O que tá fazendo, pai?". "Mais do que você! Estou ganhando dinheiro", respondeu grosso. "Estava só perguntando, pai, não precisa ficar assim". "Você só tem que ficar caladinha, ninguém falou com você!", voltou a responder. Minha garganta deu um nó! Me senti abaixo de nada. Por uma simples pergunta só faltou ele me bater.

Lembro de quando mais nova sentir muito orgulho do meu pai, porque ele era super inteligente e trabalhador, era um pai querido até, embora tivesse seus momentos maus. Sei que sempre o defendi das minhas duas irmãs mais velhas, pois elas sempre ficam falando mal dele, que ele é isso ou aquilo porque traiu a mãe delas, que ele é idiota porque nunca foi presente, mas ele trabalhava muito para poder dar a elas tudo o que elas tinham. Ele falha muito mais comigo e com minha mãe e irmã do que falhou com elas e não é por isso que eu deixo de defender ele. No entanto, ele fica falando que eu não dou valor a nada e que no futuro vou me arrepender e que já sabe que comigo não pode contar.

Fica me colocando de lado, me atacando verbalmente não importa o local ou as pessoas que estejam conosco. Ataca minha mãe também, chamando-a de burra, de preta (minha mãe é africana, mas mais clara que ele). A situação tem piorado e eu não queria sentir ódio ou raiva do meu pai, mas está cada vez mais difícil conter esse sentimento. Sinto que ele nos reprime até onde pode, nos magoa como quer e parece ter prazer nisso. Infelizmente a única mulher a quem ele dava ouvidos morreu: minha avó.

Escrevi um pouco, mas estava precisando desabafar e tenho lido seu blog e queria uma opinião sobre o que falei. Talvez eu esteja exagerando, mas não suporto o machismo do meu pai e o seu mau gênio.

Obrigada!


Minha cara;

Antes, devo dizer: você escreve muito bem pra quem tem apenas 19 anos. Atualmente é raro ver alguém jovem assim sabendo escrever de forma tão clara, coesa e correta. Isso demonstra que talvez tenha amadurecido de uma maneira mais rápida e ríspida. Deve ter se refugiado em leituras para conseguir lidar com a pressão do dia-a-dia. Acaba sendo uma boa tática para fugir um pouco da vida. Recomendo que continue a escrever... siga o exemplo de Fernando Pessoa: “Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida”. A gente sempre precisa ignorar um pouco a própria vida pra continuar a viver.

Bem: seu pai, de fato, é um cara chato pra caralho. Daqueles perfis típicos de chefe de família no Brasil: bom provedor (o que se torna “bom pai”), mas péssimo administrador das relações interpessoais. Socialmente ele cede demais aos outros, em casa ele não cede de maneira nenhuma. Ele compensa o que é lá fora quando está aí dentro, no núcleo familiar. É uma maneira de se sentir “fodão, o macho que tem o mundo sob o seu controle”. Bom, mas lá fora é um bunda-mole que morre de medo da opinião alheia.

A própria postura dele com sua mãe indica isso: ele deve culpá-la por uma série de coisas que “não deram certo” na vida dele. E ainda tem o agravante de ter sido presa, o que deixa uma mácula eterna sobre a imagem dela. Afinal, se ele passou pela vida sem ter cometido nenhum crime aos olhos da Justiça, sua mãe falhou feio no conceito dele. E se ela falhou, deverá passar o resto da vida agüentando o dedo em riste dele.

Além disso, o fato dela ter sido amante dele apenas faz com ele não a respeite, já que isso gerou frutos e dores de cabeça pra ele com a esposa na época. Ela demonstrou que não aceitava tanto assim seu pai e devolvia isso em quem? Nos frutos dele (os filhos) e na árvore que o gerou (a mãe). Mas pela postura dela ser mais ativa do que passiva, ele meio que a respeitava por confrontá-lo, coisa que sua mãe não fazia, aparentemente.

Você sente que ele tem algo em “especial” contra você. Será que ele não vê em você coisas que ele repudia nele mesmo? Já tentou analisar algumas posturas que ele deixa transparecer, mas que logo corre esconder? Nisso pode estar uma semelhança entre ambos e ele se resigna a aceitar. Seja uma vontade de agir de forma diferente das definidas em “padrões” morais, seja em um defeito, seja uma vergonha, seja um medo.

Isso é algo meio natural e normal em pais: tentam compensar os erros cometidos por eles evitando que os filhos refaçam os mesmos erros; tentam inibir certos defeitos com medo que esses defeitos tragam as dores da vida. Mas todo mundo precisa se foder pra aprender. E o fato dele ter se fodido de alguma maneira não indica que você, por exemplo, vá se foder do mesmo jeito.

Na boa? Tente seguir sua vida sem contar tanto com ele como pai e sim como provedor, apenas. Que ele pague as contas, que ele bote comida na mesa, que ele te “sustente”, mas que não interfira em sua vida além disso. Ele não tem esse direito e nem você tem o dever de acatar tudo apenas por ele ser seu pai.

Às vezes, a instituição “família” tende a ser superestimada. Eu acho família algo do caralho e um porto seguro quando você precisa descansar o barco da vida por uns momentos. Mas o porto precisa, de fato, ser seguro. Se tem um pai que não te acrescenta em nada, pra que vai ficar se sujeitando a isso? Apenas por ser seu pai? Porra! Ele é, antes de qualquer coisa, um ser humano. E um humano falho. O que o torna um pai falho no sentido de ser um norte na vida dos filhos. Portanto, pra que seguir usando-o de bússola?

Foque-se na sua mãe, tente ajudá-la a se desprender financeiramente dele. E para isso pode usar qualquer um dos seus atributos para trabalharem juntas. Você tem excelentes cursos técnicos a um preço acessível e, mesmo que não possa pagar, geralmente as prefeituras promovem cursos gratuitamente. Pode não parecer, mas um trabalho tira muito peso das costas e te fará ter uma imagem mais responsável para seu pai. Ao ver que está batalhando e se dando bem sem ele, perderá metade dos argumentos que usa para te rebaixar.

Trabalhe, estude, leia, namore, esqueça um pouco, se sinta útil para outras pessoas! Você está começando sua vida agora, pra valer. Crie um pouco de coragem pra se desligar de algumas amarras que te prendem ao passado e ao seu pai. É triste, é foda, será difícil... mas é preciso disso pra crescer.

Em alguns anos, talvez vocês consigam conviver sem esses ressentimentos. Quando ambos se “reencontrarem” modificados pela vida, adaptados a novas realidades, com novas cicatrizes que farão as antigas parecerem menores, mas não menos doloridas.
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“Acabei gostando das duas garotas. Depois de um ano com as duas, a primeira descobriu sobre a segunda”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: 8 comentários
Querido ogro:

Estou com um problema que parece que está me corroendo por dentro. Há cerca de três anos eu comecei a namorar uma garota de 30 anos (eu estava com 20 na época), mora sozinha, não tem muito estudo. Ela é uma ótima pessoa, carinhosa, às vezes até melosa, mas por mais que o nosso namoro era bom, nós falamos muita bobagem, damos muita risada juntos e etc. Ela sempre teve uma tendência meio depressiva, talvez seja porque a mãe e o pai dela estão longe (moram nos confins da Bahia).

O fato é que o relacionamento é muito bom no sentido de companheirismo, ela é o estilo de namorada-mãezona, se preocupa se estou agasalhado, se almocei, jantei, etc... Eu sempre tive um certo "problema", eu não suporto monotonia, principalmente no sentido sexual, gosto de varandas, banheiros de shoppings, enfim todos os lugares imagináveis, pode até parecer bobagem, mas isso é realmente importante pra mim, se fico sem isso, acabo ficando entediado demais...

O problema é que apesar do relacionamento ser bom e eu gostar demais dela, não tem clima pra esse tipo de coisa, no início eu até tentava, já tentei usar algemas e tal, mas ela não demonstrava nem um “estou gostando disso”. Daí eu deixei de tentar e continuamos namorando, só que o tesão depois de um tempo foi acabando, ela é bonita, magrinha, do jeito que eu gosto, mas não consigo ter muito tesão por ela, acho que por ela ser muito boazinha sabe?

Há cerca de um ano conheci outra garota. Essa tem 24 anos, eu estou agora com 22, ela é muito inteligente (sempre adorei garotas inteligentes), se formou recentemente, no nosso quarto encontro eu tirei a virgindade dela e, para a minha surpresa, ela rapidamente se tornou uma das melhores que eu já vi... É difícil ficarmos juntos sem que role alguma loucura, e até o mais básico se torna excepcional, o pior é que não é só isso o que eu gosto nela, adoro conversar com ela, também é carinhosa.

Eu acabei gostando das duas garotas (pode parecer filha da putisse da minha parte), mas eu realmente gosto das duas, claro que coisas diferentes em cada uma. Depois de um ano com as duas, a primeira descobriu sobre a segunda. Foi muito chata a situação ela chorou muito (é como se ela depositasse todas as fichas de felicidade dela em mim). Já que a merda estava feita, eu tentei terminar com ela, mas ela não aceitou de jeito nenhum, ameaçou se matar, disse que não ia querer mais homem nenhum no mundo, chorou demais, e eu não consegui vê-la assim e voltei atrás... Disse a ela que terminaria com a outra (embora não tivesse coragem pra isso, o relacionamento é muuuito bom) e pronto!

Continuei com as duas.

Agora no último dia dos namorados eu não tinha escolha: tive que ficar com ela. O problema é que para a outra (a de 1 ano) essa foi uma situação inaceitável, ela ligou na minha casa (não sei como ela tinha o número). Eu estava sem saída e resolvi dizer a verdade, disse que estava com outra garota, disse que tentei terminar mas ela ameaçou se matar, e eu acabei voltando... Essa também foi uma situação muito chata, chorou demais e tals... Mas quando eu me vi perdendo ela, eu decidi lutar por ela, tentar a todo custo retomar essa relação e terminar de vez com a outra.

Eu estava sem coragem de terminar com a de 30, mas aproveitei uma discussão por ciúmes pra colocar isso em prática e terminei. Ela chorou demais, por horas e horas, e eu tentando acalmar ela, dizendo que ia continuar amigo dela, indo na casa dela de vez em quando, e eu gosto muito dela, por isso me parte o coração vê-la sofrendo assim. Não aguentei, chamei uma prima dela pra ficar com ela e saí, vim pra casa. Depois me ligaram dizendo que ela estava sofrendo muito ainda, por isso eu fui lá de novo, pra tentar acalmar ela, disse que não é justo com ela, que eu fique com ela por causa de pena e essas coisas. Mas ela continuou chorando, dizendo pra voltar, que tudo vai ser diferente, vai deixar de pegar no meu pé. Eu estava triste demais também, mas fui firme e não voltei. Nesse mesmo dia, à noite, eu fiquei com a outra garota (de 24), foi realmente muito bom, mas na madrugada enquanto tentávamos dormir, eu não consegui tirar a de 30 da minha cabeça, lembrando de como ela estava triste e se sentindo sozinha (ela tem poucos amigos).

Tô com muita vontade de vê-la pra ver se eu consigo alegrá-la de novo, com as brincadeiras que fazíamos antes e tudo mais. Embora eu tenha conseguido reconquistar a de 24 e estamos bem. A de 30 me disse esses dias por MSN que não tem mais vontade de trabalhar nem de viver, que a vida dela acabou, e eu me sinto muito mal com isso... Depois disso tudo eu não tenho mais certeza de quem eu gosto mais, ou do que seria melhor pra mim ou pra ela. Eu penso que ela por ter mais de 30 anos tenha que se casar com alguém, ter filhos, coisa que eu não posso fornecer a ela nesse momento porque eu não acho que seja a hora certa pra mim, moro com os meus pais, ainda não terminei a faculdade, enfim, não sei o que fazer não consigo para de pensar nos sentimentos dela, como está sendo difícil pra ela...

Eu sei que o relato ficou muito grande, mas agradeço qualquer ajuda.

Obrigado.

Meu caro “benevolente”,

Como você é bonzinho, fofo, foda... um exemplo de homem! Primeira coisa: desça daí, vai! Você não é nem nunca foi nem nunca será a razão da felicidade da outra. Ficar usando isso como desculpa para “poupá-la” do sofrimento apenas a fará sofrer mais. Não percebe que assim está tirando o amadurecimento que um rompimento trará para ela? Se colocar como a razão da existência dela é alimentar seu ego e a miséria dela. Assim é uma forma de se colocar superior (ou colocá-la como inferior, tanto faz).

Por mais que aja com boa intenção, é errado. Ninguém morre por ninguém. E se morre, é problema de quem se mata, não seu!

Há mulheres que se escondem sob esse manto da “mocinha indefesa que não tem amigos” e que usa esse lado do homem de “poupá-la de toda a dor do mundo”, mas quando vira as costas, sai como a fodona que manda e desmanda.

Agindo como você está agindo, apenas legitima esse lado manipulador dela. E a manipulação às vezes acontece de forma inconsciente, sem que ela saiba, realmente, que esteja sendo assim. A dor é real, o desespero é real... mas passa! Só que você não está ajudando, não está deixando que ela “curta o luto” e caia na real. Vai ficar agindo como pai-babá dela até quando? Egocentrismo demais esse seu!

Ela terá amigos (por mais que diga que não tenha), terá os familiares... Ela vai se apaixonar por outro com uma velocidade que vai te assustar e ver que você não era, de fato, tão importante assim pra ela. Ela encontrará outro “filho” para cuidar, outro “pai” para cuidar dela. Apenas deixe que a dor se transforme. Acredite: duas semanas sem contato com você a fará sentir menos sua ausência. Se afaste e a deixe sofrer em paz. Ela precisa.

Só uma coisa: mesmo que esteja só com 22 anos, esse lance de não gostar de “monotonia sexual” vai te fazer cansar muito rapidamente dos relacionamentos que tiver. Foi assim com a ex, será assim com a atual: toda vez que uma novidade surgir, você fará comparações. E a novidade sempre soará melhor... até ela deixar de ser, de fato, novidade.

É errado querer sempre isso? Não. Mas é errado você manter um relacionamento sério enquanto continuar buscando sempre coisas novas com outras pessoas. Fará com que você não se entregue pra valer a alguém, pois você sentirá que um dia tudo aquilo vai te enjoar e, fatalmente, você terminará sabotando o relacionamento. Passará a agir com dó da outra pessoa, pensando sempre em preservá-la da dor de um rompimento, mas não vai querer abrir mão de suas necessidades. Isso está acontecendo e está se transformando num padrão. Um feio padrão.

Conheço homens que agem assim por pena ou por dó da esposa, namorada, noiva... Acham que elas não viverão sem eles, que elas não tem amigas, que são dependentes demais. Mas não deixam que as mulheres cresçam, impedem que elas lidem com um defeito grave de forma adulta. As tratam como crianças que ficarão perdidas no corredor do shopping. E quando algo acontece e a ruptura acontece, o rompimento se faz presente, se surpreendem com a força e maturidade que a agora ex demonstra.

Entenda: é mais fácil para algumas mulheres se manterem visualmente “frágeis”. Faz com que elas ganhem coisas demais, evitem esforços “desnecessários” e ainda tem todo o cuidado de um ser servindo-a em todos os caprichos. Quer situação mais confortável que essa?

E outra coisa: desça daí de novo! Acha mesmo que tirou a virgindade de uma moça de 24 anos e que, pouco tempo depois, ela “virou” uma das melhores que você teve? Você realmente se coloca como um cara fodão, hein? É a razão da felicidade de uma, é o cara que ensinou a outra a trepar pra caralho... Praticamente um pau de ouro!

Sério: se ache mesmo, seja mais humano, mais mortal, assuma que errou, assuma que se enganou e se deixou enganar. Senão logo mais vai sair com garotas de programa, elas dirão que seu pau é o maior e mais gostoso que elas já chuparam, você vai acreditar e pagar um “presentinho” a mais pra elas e voltar a procurá-las. Tenho amigas que são putas e me dizem todas as táticas... e você é o perfil de cliente que elas mais gostam!

De nada.
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