“Me senti abusada, um lixo. Quando tudo acabou, ele ainda quis me beijar, pediu água, me abraçou...”

Posted: | por Felipe Voigt | Marcadores: ,
Querido Ogro

Talvez minha pequena e breve história de uma menina de 15 anos não seja assim, talvez, tão dolorida ao comparar com dificuldades de muitas outras meninas que escreveram para você, mas te digo que é dolorida o bastante para trazer nesse meu pequeno livro que ainda estou a escrever, se prepare por que vai começar.

Minha mãe era evangélica meu pai também toda família torcia pra um casamento deles, se casaram muitos novos, tiveram uma vida boa, compravam o que queriam, porém só quem aproveitou isso foi minha irmã mais velha. Após minha irmã completar 6 anos, eles se separaram, minha mãe se mudou, começou uma nova vida, enquanto ele ia à falência com amantes. Sabendo da boa vida dela, ele voltou atrás, a engravidou de mim só pra ficar no “bem bom”. Minha avó quando soube da gravidez, implorou por um aborto, mas os remédios não deram resposta.

Com seis meses de vida, ele nos deixou por uma amante e aí vieram as dificuldades. Cresci sem pai, passando fome por que minha mãe não tinha emprego pra comprar o meu leite, ela saia atrás de emprego todos os dias pela manhã e só chegava a noite, minha irmã ia estudar e eu ficava na creche. Com 4 ou 5 anos de idade, meus amigos eram meus livros, aprendi logo a ler e escrever sozinha, muito nova era a unica a ler e escrever na creche. Me dói saber que não tive uma mãe ou um pai do meu lado pra me ensinar, muitos menos pra cuidar, muitas vezes ficava em casa só, sem atenção... não me lembro dessas coisas acho que foi apagado da minha memória toda aquela dor.

Com 8 anos comecei a ver pessoas mortas em todo canto da casa e conversava com eles. Pra mim eram amigos, era muito pequena e não entendia, chorava muito e fazia escândalos, queria e implorava por atenção, queria um colo, um abraço não queria ficar só. Quando via minha mãe saindo de casa, chorava e implorava pra ir com ela, isso só com 8 anos. Nunca tive atenção, nunca falei com minha mãe, nunca ouvi minha mãe contar uma história pra mim, me levar em um parque ou perguntar como foi o meu dia.

Me dói quando minha família me vê e me olham falando: “essa é aquela menina ruim que chorava e fazia escândalo”, como se me rejeitassem... mas, querido ogro, não me lembro de nada da minha infância como se Deus tivesse apagado da minha memória pra não chorar mais. A única lembrança é de quando chorei muito e minha mãe me amarrou no pé da cama e depois me deu uma surra. Quando me desamarrou, fui tomar um banho toda vermelha e marcada. A única lembrança boa era de brincar no quarto sozinha com minhas panelinhas.

Os relacionamentos conturbados da minha mãe me atrapalharam, um dos meus padrastos me trancava no banheiro no escuro. Eu era ruim, admito, mas eu chorava para sair e ele não me tirava e assim fui crescendo rebelde, revoltada, triste.

Hoje com 15 anos estou em uma depressão horrível, me corto muitas vezes com facas pois ajuda a passar a dor da tristeza. Sim, continuo sem atenção da minha mãe e de toda família, mal vejo meu pai... às vezes ele aparece quando precisa que faça algo. Minha pequena e breve alegria era meu ex-namorado, até mês passado com o que aconteceu, era virgem e ainda sou, pelo menos é o que quero pensar.

Estava com ele na rua, já era tarde, ele me deixava em casa e sempre disse que respeitaria o meu tempo, mas não foi assim: na minha rua havia uma construção, ele me puxou lá pra dentro e começou a me agarrar. Eu pedia pra parar porque não estava preparada, mas ele não parava. Eu empurrava ele pra longe de mim, mas ele mandava eu ficar quieta e calma. Fiquei paralisada com a dor, ele começou a me masturbar, eu pedia pra parar por que estava doendo, pois nunca tinha feito isso. Ele pedia pra que eu ficasse calada. Eu me paralisei, não me movia, estava em choque. A minha primeira vez era como um sonho pra mim, logo ele que só estava comigo há três semanas, estava aprendendo a ama-lo, ainda não estava apaixonada...

Me senti abusada, um lixo, um vômito. Quando tudo acabou, ele ainda quis me beijar, pediu água, me abraçou... Eu obedecia, parecia não ser eu ali, mas quando entrei não chorei, segurei minhas lagrimas e me calei, então vi que minha calcinha havia sangrado. Não houve penetração, ele só me masturbava com muita agressividade, dava tapa na minha cara, nunca tinha passado por isso, era estranho... Por isso digo que em minha mente sou virgem, pois acredito que só perderei quando for pra cama com um homem querendo estar lá e sim quando acontecer penetração. Pesquisando na internet vi que meu hímen pode não ter rompido, pois com a violência da masturbação ele pode ter me machucado e não ter rompido, sangrado apenas pela violência que ele teve comigo

Uma semana depois ele não veio mais atrás de mim. Aí, sim, chorei... chorei por achar que era culpa minha o que tinha acontecido, era pra ser mais dura e tirado ele de perto de mim. Por ser fiel a Deus, olhei pro céu e pedi perdão, estava triste me sentindo um vômito, achando que a culpa era minha, mas também sei que sou muito inocente, nunca tinha sequer me masturbado. O que me dói é ele sair por ai falando que é evangélico, crente... e fez isso comigo!

Me ajude. Estou muito mal, por favor me ajude, me responda, gosto da maneira como fala bruto, porém fala a verdade de uma maneira que irá me empurrar a seguir em frente e esquecer o acontecido, esquecer toda essa história de solidão. Por favor, peço que não fale minha identidade.


Minha cara bagunçada;

Primeiro: você precisa parar de falar que tudo o que aconteceu a você foi por conta do seu passado. Você mesma diz que não tem memórias dessa época, como pode afirmar que tudo foi por conta do que te aconteceu? O que você está fazendo é apenas projetando sua frustração atual nessa lacuna do seu passado. Você criou um universo onde tudo para você está baseado no que te aconteceu no passado sendo que você não se lembra de nada daquilo! Muito do que você fala sobre seu pai, por exemplo, é baseado no que sua mãe conta sobre ele. E como ela foi traída, obviamente que não falará bem dele pra você. Perceba como você coloca a vida deles como uma coisa perfeita até o seu nascimento e, depois disso, tudo foi uma merda. Porra... não, né!?

Você não pode afirmar isso, você era criança, não tinha acesso ao que acontecia. É por isso que você não tem memória disso tudo. Quem tem lembranças reais e concretas da vida aos 3 ou 4 anos? Ninguém! São flashes de pequenas coisas que se mantém na cabeça, apenas. Mas você conta como se fosse um filme, com todo o enredo já traçado e com os vilões estabelecidos.

Isso de falar que aprende a ler sozinha, que os livros eram sua companhia... tudo isso é projeção sua na tentativa de preencher o que está em branco na sua mente. Mesmo isso de falar com espíritos: a maioria das pessoas que julgam passar por estados de abandono tendem a acreditar que falavam com pessoas mortas e as viam como amigos.

Você pega o seu estado atual e projeta tudo no passado e isso se torna crível pra você. Qualquer coisa que você julgar ter acontecido no passado será colocado em um espaço da sua mente como sendo verdade. Não digo que não tenha tido o que alega ter passado, mas não foi da forma como você apresenta. Tudo agora está intenso e potencializado por uma violência sofrida por você.

E é nesse ponto que deve se focar: aprender a lidar com as projeções que faz nos outros e no próprio passado. Perceba como se refere ao seu ex-namorado: era o único que te trazia breves momentos de alegria. Mas namoraram por três semanas, apenas! E ele se mostrou ser um idiota monstruoso ao te atacar dessa forma.

Você diz que estava aprendendo a amá-lo e que ainda não estava apaixonada. Em três semanas! Perceba onde você erra: você joga nos outros aquilo que você sente e logo em seguida os responsabiliza por sua tristeza. Como pode afirmar que estava aprendendo a amar sendo que nem apaixonada estava? E em menos de um mês?!

Entenda: o que ele fez, ter te atacado, não foi sua culpa. Isso ninguém poderá impor a você: a responsabilidade por algo tão mesquinho e desumano. Ele é o responsável por não respeitá-la e tão somente ele deve ser o culpado por isso.

Mas você erra, sim, ao projetar demais. E não é que seja culpa sua, mas há uma consequência a ser arcada com esse tipo de comportamento. Você acaba não se conhecendo o suficiente pra entender como as coisas funcionam contigo. E tem o principal ponto nisso tudo: você só tem 15 anos, minha cara! Ninguém sabe de nada aos 15! Lógico que ser molestada como você foi não ajudará em nada, mas você se sentiria da mesma forma caso o visse saindo com outra menina: se sentiria um lixo, violada, violentada e humilhada. Porque é um primeiro relacionamento... você teve o azar de encontrar um idiota machista que não aceita “não” como resposta.

O que te falta são respostas para suas lacunas vazias no passado. Só assim irá parar de preenchê-las com qualquer coisa que justifique sua vitimização como a maior coitada que existe na Terra. Quantas adolescentes você conhece que se cortam? E que tem graves problemas de relacionamento com a mãe? E que se sentem a injustiçada da família? E que encontraram namorados imbecis e machistas que não as respeitaram? Eu posso te dar uma lista em qualquer lugar... aqui mesmo no blog tem vários casos.

Você sofreu uma violência que te deixou assustada e com razão. E isso aflorou tudo o que julgava ter acontecido com você, com todos os detalhes que você acredita ter mesmo alegando não ter memórias sobre a época. Calma, essa fase é ruim pra caralho, mas há de passar. Basta você aprender a parar de ter pena de você, parar de colocar a culpa na sua mãe e pai e entender que a adolescência é esse período de consternação e não inserção na sociedade. Se você tivesse tido uma suposta infância perfeita, iria usar outras desculpas para justificar seu estado de tristeza e solidão.

Quanto ao seu ex, mantenha distância, não ceda à chantagem emocional. Você não precisa ter contato com isso nem com esse tipo de gente. Ele te machucou e merece ser machucado. E eu conheço pelo menos uma meia dúzia de maneiras disso acontecer... mas são coisas que o seu Deus não permite.

Quer fazer algo com isso tudo que sente e pensa? Leia mais, veja filmes melhores, busque conversar com pessoas que possam te agregar algo, pare de se achar a traumatizada. Não queira ser essa imagem que você tenta passar porque você não é assim! Está mais do que óbvio que busca dramatizar demais a sua história...

5 comentários:

  1. Anônimo disse...
  2. Oi, não tem como conversar com as pessoas que escrevem para esse blog? Menina, tenho 17 anos!

  3. Juliana Caetano dos Santos disse...
  4. Eu não deixaria ele fazer isso e depois ficar pagando de santinho na igreja. Mesmo que ninguém acreditasse, contaria o que ele teria feito.

  5. Agnes Senga disse...
  6. Talvez algo que eu tenha aprendido nas ultimas semanas, e me ajudaram a compensar os dois últimos anos onde estive meio que "perdida", foi que é inaceitável a aceitação de situações onde apoiamos pessoas que possuem duas realidades distintas. Nós acabamos escondendo isso dos outros e vivendo essa segunda realidade com essa pessoa. Esse comportamento serve de estímulo para que coisas erradas ocorram com você e com o tempo você vai acabar se sentindo pressionada a não dividir as violências que ele faz com você. Então se afaste, não estimule esse comportamento em você e nem dê liberdade para que ele faça isso. Caso ele a ameace diga que irá tomar as devidas providências, chamar a polícia, contar para alguém. Isso não é gostar, não é cuidado. Muito menos amor. Assim como foi dito, não há necessidade alguma de você e nem ninguém passar por isso, existem pessoas melhores do que isso, te garanto. Boa sorte.

  7. Anônimo disse...
  8. mande seu email pelo comentario que irei adc você ? estarei aguardando amiga... !

  9. Anônimo disse...
  10. Flor a culpa não é sua,ele que é um mosntro,e vc é preciosa de Deus,Deus tem um lindo futuro pra vc,mas olha procure a justiça se for preciso,mas n se culpe mais por favor,fique bem anjo!Paz

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